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Moradores transformam antigas pedreiras na França em uma cidade subterrânea com 300 salas, 28 galerias e espaço para até 3 mil pessoas, animais, capelas e fornos escondidos a 22 metros do solo
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 29/07/2026 às 21:51
Atualizado em 29/07/2026 às 21:52
Construção, Indústria
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A cidade subterrânea de Naours nasceu de antigas pedreiras no norte da França e cresceu até reunir 300 salas e 28 galerias. O refúgio podia receber até 3 mil pessoas com animais, capelas, alimentos e fornos, enquanto a fumaça seguia por saídas discretas para não revelar a vida escondida a 22 metros do solo.
Moradores do norte da França transformaram antigas pedreiras em uma cidade subterrânea com 300 salas e 28 galerias. O espaço tinha capacidade estimada para abrigar até 3 mil pessoas, além de animais, alimentos e locais destinados à oração.
A comunidade ficava escondida a 22 metros do solo, mas precisava enfrentar um problema difícil de ocultar: a fumaça produzida pelos fornos. Uma saída visível poderia denunciar aos invasores que centenas ou milhares de pessoas estavam vivendo sob a terra.
A informação foi publicada por France.fr, portal oficial de promoção turística da França. O local começou como área de retirada de pedra e ganhou novas funções durante períodos de invasões e conflitos no norte francês.
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A cidade invisível nasceu dentro de antigas pedreiras
A cidade subterrânea de Naours não foi construída de uma única vez. As primeiras cavidades faziam parte de antigas pedreiras, espaços escavados para retirar pedras usadas em construções.
Com o tempo, moradores passaram a aproveitar essas áreas como esconderijo. Novas passagens foram abertas, salas foram organizadas e diferentes pontos do subsolo acabaram conectados por 28 galerias.
A ampliação transformou as pedreiras em uma estrutura capaz de receber famílias inteiras. As 300 salas podiam servir para descanso, armazenamento de alimentos, abrigo de animais e circulação entre diferentes partes do refúgio.
Na superfície, Naours continuava parecendo uma pequena comunidade comum. Abaixo dela, porém, existia uma rede preparada para esconder moradores e parte de seus bens durante momentos de perigo.
Como esconder a fumaça sem revelar o refúgio
Esconder pessoas dentro das galerias era apenas uma parte do desafio. Todos precisavam comer, se aquecer e permanecer no local durante o tempo necessário, o que exigia o uso de fornos e fogo.
A fumaça não podia sair diretamente por uma abertura no terreno. Uma coluna subindo do solo mostraria aos invasores que havia atividade humana sob a cidade e poderia revelar a entrada do esconderijo.
Os canais foram ligados a construções que já existiam na superfície. Dessa maneira, a fumaça dos fornos surgia em pontos que não entregavam facilmente a presença de uma grande comunidade subterrânea.
Esse sistema simples tinha enorme importância prática. Ele permitia preparar alimentos e produzir calor sem transformar a fumaça em um sinal visível de que pessoas estavam escondidas a 22 metros de profundidade.
Pessoas, animais e alimentos dividiam as galerias
A cidade subterrânea precisava manter parte da rotina dos moradores enquanto o perigo continuava do lado de fora. O espaço reunia três capelas, praças, uma padaria, fornos e áreas destinadas aos animais.
As capelas permitiam a realização de práticas religiosas. A padaria ajudava no preparo dos alimentos, enquanto as praças internas criavam pontos de encontro e circulação entre as salas.
Levar animais para o subsolo também era uma questão de sobrevivência. Deixá los na superfície poderia causar a perda de uma fonte importante de alimento e sustento para as famílias.
A convivência exigia organização. Pessoas, animais, comida, fogo e circulação precisavam ocupar a mesma rede de galerias sem bloquear caminhos ou comprometer a segurança do refúgio.
O século XVII aumentou a procura pelo esconderijo
A função de refúgio ganhou importância durante os conflitos que atingiram o norte da França, especialmente no século XVII. A passagem de invasores e exércitos colocava moradores, alimentos e animais em risco.
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Quando o perigo se aproximava, famílias podiam abandonar temporariamente a superfície e entrar nas galerias. A estrutura oferecia proteção e ajudava a impedir que bens essenciais fossem encontrados.
France.fr, portal oficial de promoção turística da França, detalhou o uso das antigas pedreiras como abrigo para moradores durante esse período. A rede atravessou os séculos e preservou sinais de diferentes momentos de sua ocupação.
A estrutura acabou esquecida e foi redescoberta mais tarde
Quando os períodos de invasão perderam força, esconder uma população inteira sob a terra deixou de ser uma necessidade frequente. As galerias caíram no esquecimento e permaneceram afastadas da rotina da comunidade.
A redescoberta revelou uma estrutura muito maior do que um simples conjunto de túneis. As salas, os espaços religiosos e os locais destinados aos animais mostravam que Naours havia funcionado como um refúgio subterrâneo organizado.
O conjunto também preservou sinais deixados por pessoas que passaram por ali em outros períodos. Entre os registros mais conhecidos estão nomes, datas e mensagens gravadas nas paredes por soldados.
Essas marcas transformaram o local em um registro não apenas das famílias que buscavam proteção, mas também dos militares que conheceram as galerias muitos anos depois.
Soldados da Primeira Guerra Mundial deixaram cerca de 3 mil inscrições
Durante a Primeira Guerra Mundial, soldados que estavam afastados temporariamente das áreas de combate visitaram a cidade subterrânea de Naours. Muitos gravaram seus nomes e outras mensagens nas paredes.
O local reúne cerca de 3 mil inscrições militares. Há nomes, datas, locais de origem e pequenas mensagens que ajudam a identificar parte dos homens que circularam pelas galerias.
As 3 mil inscrições foram deixadas por soldados, enquanto a capacidade de até 3 mil pessoas é uma estimativa sobre o tamanho da população que poderia ser abrigada.
Os moradores utilizaram as galerias como proteção durante conflitos anteriores, enquanto os soldados da Primeira Guerra Mundial passaram pelo local e registraram seus nomes nas paredes.
Naours mostra como uma cidade inteira podia desaparecer sob o solo
A cidade subterrânea de Naours reuniu 300 salas, 28 galerias, três capelas, animais, praças, padaria e fornos dentro de antigas pedreiras. A estrutura permitia que famílias se escondessem sem abandonar tudo o que precisavam para sobreviver.
O sistema usado para conduzir a fumaça resume a inteligência do projeto. Não bastava permanecer a 22 metros do solo. Era necessário cozinhar, manter o calor e organizar a vida sem deixar sinais claros para quem procurava os moradores na superfície.
O que seria mais difícil para você nesse refúgio: dividir o espaço com milhares de pessoas ou cozinhar sem revelar sua presença? Comente e compartilhe.
Fonte
France.fr
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

