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Mosaico romano de mais de 150 m² e cerca de 1.700 anos é desenterrado por acaso durante a ampliação de uma rodovia em Israel, revelando animais exóticos, peixes, navios mercantes e monstros marinhos no caminho das máquinas
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/07/2026 às 17:36
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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Descoberta feita durante uma obra viária revelou um enorme piso romano escondido sob a cidade de Lod, onde cenas coloridas preservadas por séculos registram animais, embarcações, criaturas marinhas e referências artísticas ligadas à circulação de culturas pelo antigo Império Romano.
Operários que ampliavam uma rodovia na cidade de Lod, em Israel, encontraram por acaso um dos maiores e mais bem preservados mosaicos romanos já identificados no país, oculto sob uma área atravessada diariamente pelo movimento da cidade moderna.
Logo abaixo do terreno atingido pelas máquinas, surgiu um piso com mais de 150 metros quadrados, coberto por imagens coloridas de animais exóticos, aves, peixes, navios mercantes e criaturas marinhas distribuídas em diferentes painéis geométricos.
Diante da dimensão do achado, o trabalho viário foi interrompido e arqueólogos assumiram a área, onde uma escavação de salvamento conduzida por Miriam Avissar, em nome da Autoridade de Antiguidades de Israel, revelou toda a extensão da superfície decorada.
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Durante aproximadamente 1.700 anos, o mosaico permaneceu escondido sob as transformações urbanas de Lod, preservando figuras reconhecíveis, divisões geométricas e detalhes produzidos com pequenas peças coloridas assentadas cuidadosamente sobre camadas resistentes de argamassa.
A descoberta veio à tona em 1996, quando a ampliação da rodovia que liga Jerusalém a Tel Aviv alcançou uma área da antiga cidade de Lod. Depois que o mosaico foi identificado, arqueólogos realizaram uma escavação de salvamento para documentar e preservar a obra, que mais tarde foi removida para conservação antes de ser apresentada ao público.
Mosaico romano de Lod supera 150 metros quadrados
De acordo com o Penn Museum, o chamado Mosaico de Lod mede mais de 17 metros de comprimento por 9 metros de largura, dimensões que correspondem a uma área superior a 153 metros quadrados em uma composição praticamente contínua.
Formado por diferentes painéis conectados, o piso foi produzido entre o fim do século III e o início do século IV, período em que Lod integrava o mundo romano e ocupava uma posição importante nas rotas regionais.
Datada por volta do ano 300, a obra pertence a uma época em que mosaicos elaborados decoravam residências e outros ambientes associados a proprietários capazes de contratar artesãos especializados para executar composições extensas e tecnicamente complexas.
Desde a retirada das primeiras camadas de terra, o estado de conservação chamou atenção, pois as figuras permaneceram nítidas, as bordas geométricas continuaram visíveis e grande parte das cores resistiu às mudanças ocorridas acima do antigo pavimento.
Animais exóticos ocupam diferentes painéis do piso
Em vez de apresentar apenas padrões abstratos, o mosaico reúne animais terrestres, aves e espécies marinhas dentro de espaços delimitados por formas geométricas, criando pequenas cenas independentes que, juntas, mantêm a unidade visual de toda a composição.
Entre as figuras preservadas aparecem animais associados a regiões distantes do Mediterrâneo oriental, detalhe que demonstra como referências artísticas, modelos visuais e conhecimentos sobre espécies exóticas circulavam por diferentes partes do Império Romano.
Ao combinar criaturas conhecidas com imagens de territórios afastados, os responsáveis pela obra produziram um repertório visual amplo, capaz de representar tanto a fauna observada no cotidiano quanto animais incorporados à arte por meio de relatos e modelos anteriores.
Também surgem cenas relacionadas aos jogos com animais conhecidos no mundo romano como venationes, espetáculos realizados em arenas que envolviam a exibição ou o confronto de espécies selvagens diante de grandes públicos.
Muito além de uma escolha decorativa, a presença dessas cenas conecta o piso aos hábitos culturais do período, quando representações de animais em movimento apareciam em mosaicos, esculturas e outras formas de arte espalhadas pelo território romano.
Navios mercantes dominam a cena marinha
Em outra parte do mosaico, a paisagem terrestre dá lugar ao ambiente marítimo, onde peixes de diferentes formatos dividem espaço com aves, criaturas fantásticas e dois grandes navios mercantes, formando uma das áreas mais detalhadas de toda a obra.
Posicionadas entre animais marinhos e elementos fantásticos, as embarcações ocupam um papel central na composição, enquanto seus cascos, mastros e velas preservam características atribuídas a navios comerciais usados em antigas rotas mediterrâneas.
Segundo o Penn Museum, os barcos representados pertencem a tipos comuns no Mediterrâneo ocidental, empregados no transporte de mercadorias, pessoas e referências culturais entre portos ligados por uma extensa rede de comércio e circulação.
Por causa desses detalhes, a cena ultrapassa o valor puramente artístico e fornece informações relevantes sobre a aparência das embarcações, oferecendo aos pesquisadores elementos visuais associados à navegação e ao intercâmbio econômico daquele período.
Ao redor dos navios, criaturas descritas como monstros marinhos aparecem misturadas aos peixes reais, combinação coerente com um repertório antigo que não separava rigidamente natureza, fantasia, tradição oral e convenções artísticas.
Influências romanas aparecem em toda a composição
Numa das áreas do piso, uma cesta cheia de peixes acrescenta outra referência ao conjunto, motivo relacionado pelo Penn Museum à arte romana produzida no norte da África e difundida por diferentes regiões do império.
Essa influência não se restringe à cena marítima, pois a própria organização do mosaico apresenta características próximas de modelos artísticos usados no lado ocidental do Império Romano, combinadas a técnicas observadas no Mediterrâneo oriental.
Em lugar de concentrar toda a narrativa numa imagem única, os artesãos distribuíram animais, plantas e objetos por uma grade geométrica, permitindo que cada compartimento funcionasse de maneira independente sem romper a continuidade visual do piso.
Mesmo repleto de movimento, o conjunto não apresenta personagens humanos, característica que chama atenção porque nenhuma figura humana ocupa o centro da narrativa, embora animais, navios e elementos associados à vida romana dominem todos os painéis.
Marcas dos construtores sobreviveram na argamassa
Produzido com milhares de pequenas peças assentadas sobre uma base resistente, o mosaico preservou não apenas as imagens visíveis, mas também sinais deixados pelos trabalhadores durante as etapas iniciais de preparação do piso.
Nos trabalhos de conservação, especialistas identificaram impressões de mãos e pés registradas na argamassa, marcas que permaneceram ocultas desde o momento em que os construtores organizaram a base destinada a receber as peças coloridas.
Embora nenhum artista tenha deixado uma assinatura formal, esses vestígios aproximam a descoberta das pessoas responsáveis pela execução da obra, transformando movimentos comuns de uma construção antiga em evidências diretas preservadas por cerca de 17 séculos.
Conforme a análise apresentada pelo Penn Museum, diferentes características estilísticas indicam a atuação de artistas locais, que combinaram modelos trazidos de outras partes do mundo romano com soluções técnicas e visuais utilizadas na própria região.
Lod ocupava posição estratégica no mundo romano
Conhecida na Antiguidade pelo nome de Lydda, Lod estava situada no cruzamento de rotas importantes, condição que facilitava o contato com centros comerciais e culturais e favorecia a chegada constante de viajantes, mercadorias e referências artísticas.
Além da circulação regional, a produção têxtil tinha papel relevante na economia local, fortalecendo uma cidade que, já incorporada ao domínio romano, recebeu o nome de Diospolis ao alcançar a condição de colônia.
Essa posição ajuda a explicar a variedade de influências observadas no mosaico, cuja composição reúne elementos ligados ao Mediterrâneo oriental, ao norte da África e a modelos artísticos difundidos por áreas ocidentais do império.
Sob esse contexto urbano e econômico, o piso pode ser compreendido como parte de uma cidade conectada a redes amplas de comércio, deslocamento e intercâmbio cultural, preservadas visualmente nas imagens de animais e embarcações.
Mosaico foi removido para conservação
Depois da escavação inicial, o mosaico voltou a ser coberto como medida temporária de proteção, permanecendo preservado até que as equipes responsáveis reunissem condições adequadas para realizar sua retirada e conservação.
Mais tarde, a superfície foi novamente exposta, permitindo que especialistas separassem os painéis do terreno e preparassem a peça para ser estudada e apresentada em um ambiente capaz de controlar os fatores de deterioração.
Por se tratar de um conjunto formado por milhares de pequenas peças sustentadas por uma estrutura antiga, a remoção exigiu técnicas cuidadosas para impedir que as figuras, as bordas geométricas e as cenas marítimas fossem danificadas.
Preservados após a retirada, os painéis continuaram disponíveis para estudos sobre arte, navegação, fauna e circulação cultural, agora protegidos da pressão das obras viárias e das mudanças constantes provocadas pelo crescimento urbano.
Ao atingir uma camada arqueológica sem qualquer sinal visível na superfície, a ampliação da rodovia acabou revelando uma conexão muito mais antiga, criada por uma cidade integrada às rotas comerciais e culturais do Império Romano.
Quantas outras obras monumentais ainda podem permanecer escondidas sob ruas movimentadas e construções modernas, aguardando que uma intervenção comum revele imagens, técnicas e histórias preservadas por centenas ou milhares de anos?
Fonte
https://www.penn.museum/s
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

