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Multinacional catarinense lucrou R$ 3 bilhões em apenas seis meses e vai abrir o bolso e depositar bônus extra na conta dos funcionários no dia 12 de agosto, sem informar quanto cada trabalhador vai receber

Multinacional catarinense lucrou R$ 3 bilhões em apenas seis meses e vai abrir o bolso e depositar bônus extra na conta dos funcionários no dia 12 de agosto, sem informar quanto cada trabalhador vai receber

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Multinacional catarinense lucrou R$ 3 bilhões em apenas seis meses e vai abrir o bolso e depositar bônus extra na conta dos funcionários no dia 12 de agosto, sem informar quanto cada trabalhador vai receber

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 30/07/2026 às 20:06

Economia

Multinacional catarinense WEG lucrou R$ 3 bilhões no semestre e paga participação nos lucros aos funcionários em 12 de agosto, sem informar o valor.

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A WEG somou R$ 3 bilhões de lucro líquido nos dois primeiros trimestres do ano e confirmou o pagamento da participação nos lucros para agosto. Na mesma data, os acionistas recebem a primeira parcela de um bilionário programa de dividendos aprovado em assembleia no fim de 2025.

A multinacional com sede em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, vai depositar o pagamento da participação nos lucros referente ao primeiro semestre em 12 de agosto. A informação é da NSC Total, que apurou o anúncio da WEG e destacou o valor que sustenta o repasse: R$ 3 bilhões de lucro líquido acumulados nos seis primeiros meses do ano. O que não veio a público foi a fatia destinada aos trabalhadores.

A conta somada pela empresa reúne dois resultados trimestrais. Foram R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre e R$ 1,55 bilhão no segundo, e o desempenho do intervalo mais recente superou o do começo do ano. A data de 12 de agosto de 2026 concentra dois pagamentos diferentes, porque na mesma quarta feira os acionistas recebem a primeira cota de um programa de dividendos aprovado meses antes em Assembleia Geral Extraordinária.

O que a empresa informou e o que ficou de fora

Empresa tem sede em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense (Foto: Arquivo NSC Total)

O anúncio confirma o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados, o PPR, ligado ao desempenho do primeiro semestre. A data está definida e o resultado que embasa o repasse foi divulgado, mas a parcela do lucro que vai efetivamente para a folha não apareceu na comunicação registrada pela NSC Total.

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Essa omissão não é incomum no mercado. Programas de participação costumam variar conforme cargo, tempo de casa, metas individuais e indicadores de área, o que dificulta anunciar um número único aplicável a todo mundo. Sem o percentual divulgado, é impossível calcular quanto sobra por trabalhador, ainda que o volume total do lucro seja conhecido.

Os R$ 3 bilhões em seis meses, trimestre a trimestre

O número que virou manchete não veio de um único balanço. Ele é a soma de dois trimestres consecutivos: R$ 1,45 bilhão entre janeiro e março, mais R$ 1,55 bilhão entre abril e junho. A leitura trimestre a trimestre mostra crescimento de um período para o outro, com diferença de R$ 100 milhões entre eles.

Vale um alerta de leitura sobre esse valor. Lucro líquido não é faturamento, e os dois termos costumam ser confundidos quando aparecem em manchete. O primeiro é o que sobra depois de custos, despesas, impostos e demais deduções. O segundo é o total que entra em receita. Como o material da NSC Total apresenta o dado ora como lucro líquido, ora como faturamento, a distinção importa: o que a apuração detalha nos dois trimestres, com valores discriminados, é o lucro líquido da companhia.

Acionistas recebem R$ 1,7 bilhão no mesmo dia

O pagamento aos funcionários não é o único evento marcado para 12 de agosto. Na mesma data, a multinacional distribui a primeira das três parcelas anuais de um programa de dividendos aprovado em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 19 de dezembro de 2025. O cálculo foi feito sobre o saldo das Reservas de Lucros registradas no Patrimônio Líquido das Demonstrações Financeiras Intermediárias.

A primeira cota soma aproximadamente R$ 1,7 bilhão, com valor equivalente a R$ 0,41 por ação. Têm direito ao pagamento os titulares de ações escriturais em 19 de dezembro de 2025, data em que os valores foram auditados. As parcelas seguintes seguem o mesmo calendário, sempre no oitavo mês do ano, ou seja, agosto de 2027 e agosto de 2028.

Colocando lado a lado, o desenho do dia fica claro: os acionistas têm cifra pública e valor por ação divulgado, enquanto o repasse aos funcionários tem data confirmada e montante em aberto.

Três profissões e uma fábrica de motores em 1961

A história da companhia começa em 16 de setembro de 1961, em Jaraguá do Sul, com um trio que reunia competências complementares. Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus somaram, respectivamente, formação em eletricidade, administração e mecânica para abrir a Eletromotores Jaraguá.

O nome atual nasceu depois. WEG é a sigla formada pelas iniciais dos três fundadores, e a mudança consolidou a marca que hoje aparece em mais de 30 países. Nos primeiros anos, a produção se restringiu a motores elétricos, e essa concentração durou até a virada para a década de 1980.

Um detalhe do período mostra como a empresa lidava com a falta de estrutura da região. Ainda nos anos 1960, sem oferta local de treinamento técnico, os empresários criaram o CENTROWEG para capacitar os próprios colaboradores. Formar mão de obra virou parte da operação antes mesmo de a companhia diversificar produtos.

De motores elétricos a aerogeradores

A ampliação do portfólio começou cerca de vinte anos após a fundação. A multinacional passou a fabricar componentes eletroeletrônicos, equipamentos para automação industrial, transformadores de força e distribuição, tintas líquidas e em pó e vernizes eletroisolantes. A base de motores permaneceu, mas deixou de ser o negócio único.

A internacionalização seguiu trilha própria. As exportações começaram em 1970, com envios para Guatemala, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia. Na mesma década vieram a entrada na bolsa de valores, a abertura de escritório na Alemanha, em 1976, com a parceira local Motores Jara, e a inauguração de um segundo parque fabril, em 1977, cujo terreno havia sido comprado em 1973.

Nos anos 1980 surgiram a WEG Química, a WEG Transformadores, a WEG Energia e, em 1988, a WEG Automação. A década de 1990 trouxe expansão regional e internacional ao mesmo tempo: filial em Guaramirim, onde em 1992 foi inaugurada uma fundição descrita pela própria empresa como uma das mais modernas da América Latina, além de unidades nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Suécia. Nos anos 2000 vieram as primeiras aquisições de fábricas no exterior, na Argentina e no México, uma fábrica de transformadores em território mexicano em 2000 e a primeira unidade na China, em 2005.

O capítulo mais recente é a energia eólica. A fabricação de aerogeradores começou em 2011, e no ano seguinte veio o primeiro fornecimento em geração eólica, com equipamentos de 90 MW instalados em um parque no Nordeste brasileiro.

O recorde de 2025 que contextualiza o bônus

O pagamento de agosto não chega em ano fraco. Em 2025, entre janeiro e dezembro, a receita operacional líquida bateu recorde e ultrapassou pela primeira vez a marca dos R$ 40 bilhões, chegando a R$ 40,8 bilhões, alta de 7,4% frente a 2024. O lucro líquido do mesmo período avançou 5,5% e ficou em R$ 6,37 bilhões.

Comparar esse fechamento com os R$ 3 bilhões do primeiro semestre ajuda a dimensionar o ritmo atual. Metade do ano já entregou quase metade do lucro anual anterior, o que indica manutenção do patamar. Como a companhia não divulgou o percentual repassado aos funcionários, porém, o crescimento do resultado não permite deduzir automaticamente aumento no valor individual do PPR.

O que ainda falta saber

O quadro público está montado pela metade. Data de pagamento, resultado semestral, valor destinado aos acionistas e histórico de crescimento são informações disponíveis. O tamanho do bolo que vai para quem trabalha na fábrica, não.

Essa assimetria é o ponto que mais chama atenção no anúncio. Para o mercado, o número por ação é obrigatório e sai auditado. Para o trabalhador, o valor aparece no contracheque no dia do depósito. Quem está na linha de produção descobre o próprio bônus depois que o mercado já sabe o dele.

Agora é com você: empresa que lucra bilhões deveria divulgar quanto do resultado vai para os funcionários, ou isso é assunto interno que só interessa a quem trabalha lá? Já recebeu PPR sem saber como o cálculo foi feito? Conta nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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