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Na periferia de São Paulo, alunos da EJA juntaram tubos de PVC, rodas de bicicleta, motor, bateria e Arduino, construíram do zero uma cadeira de rodas inteligente e transformaram a sala de aula em esperança de autonomia e dignidade a quem enfrenta limitações físicas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 24/07/2026 às 23:33
Ciência e Tecnologia
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Com tubos de PVC, peças de bicicleta e componentes eletrônicos, estudantes da EJA transformaram uma necessidade da comunidade escolar em um protótipo que uniu robótica, acessibilidade, reaproveitamento de materiais e aprendizagem prática.
Tubos de PVC formaram a estrutura, rodas de bicicleta deram sustentação e peças reaproveitadas de veículos ajudaram na motorização.
A combinação resultou em um protótipo de cadeira de rodas desenvolvido por estudantes da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de São Paulo.
O projeto foi realizado em 2025 na EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, instalada no CEU Parelheiros, no extremo sul da capital.
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A construção envolveu conceitos de programação, elétrica, mecânica, sustentabilidade e acessibilidade, aplicados a uma necessidade identificada dentro da própria comunidade escolar.
Mais do que montar uma cadeira com motor, os participantes precisaram descobrir como distribuir o peso, movimentar as rodas, transmitir a força dos motores e transformar os comandos de um joystick em deslocamento.
O resultado foi apresentado pela escola como uma cadeira de rodas inteligente com modo autônomo.
Necessidade da escola virou projeto de robótica inclusiva
A ideia surgiu depois de conversas entre estudantes e educadores sobre as dificuldades de locomoção observadas no território.
Naquele período, cerca de 140 dos aproximadamente 1.200 alunos matriculados na unidade eram identificados como público-alvo da educação especial, segundo a Secretaria Municipal de Educação.
A professora orientadora de Educação Digital Selma Jacome incentivou a turma a desenvolver uma solução ligada à inclusão.
“Pensando nas necessidades do território, incentivamos os estudantes a criarem um projeto de robótica inclusiva. O objetivo foi garantir oportunidades iguais de locomoção para pessoas com deficiência, independentemente de suas condições físicas”, afirmou.
O trabalho foi inserido nas atividades de Tecnologias para Aprendizagem da rede municipal.
Em vez de receber um equipamento pronto para desmontar ou copiar, o grupo discutiu o problema, criou versões preliminares e selecionou os materiais que poderiam ser cortados, unidos e modificados dentro da escola.
A proposta também se relacionou aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, usados no projeto como referência para tratar de educação, redução de desigualdades, inovação e reaproveitamento de materiais.
Tubos de PVC formaram a estrutura da cadeira
A montagem começou pela base da cadeira.
Os estudantes escolheram tubos e conexões de PVC porque o material podia ser cortado e encaixado com ferramentas acessíveis, facilitando os testes de formato durante as aulas.
As rodas traseiras vieram de bicicletas, enquanto rodas menores foram instaladas na parte dianteira.
Madeira, tecido e material estofado formaram o assento e o encosto, e um cinto de segurança também apareceu entre os itens registrados pelos responsáveis pelo projeto.
O PVC não desempenhava apenas uma função visual.
A estrutura precisava manter o assento, os apoios e os componentes eletrônicos conectados enquanto a cadeira se movimentava pelos corredores da escola.
A documentação mostra que o grupo realizou experimentações antes de chegar ao modelo apresentado.
Rodas, estofado, motores e bateria foram discutidos em etapas diferentes, e o protótipo passou por testes de funcionamento dentro da unidade.
Não foram divulgadas medidas como capacidade máxima de carga, resistência da estrutura, velocidade, distância percorrida por carga ou desempenho em rampas.
Também não há informação pública sobre testes prolongados com usuários.
Essas ausências impedem comparar o protótipo com uma cadeira de rodas motorizada produzida para uso cotidiano.
O valor do projeto documentado pela escola está principalmente no processo de aprendizagem e na demonstração prática de uma solução construída pelos alunos.
Motores de carro e bateria de moto movimentaram o protótipo
A lista de materiais apresenta uma combinação pouco comum.
Para movimentar a cadeira, os estudantes utilizaram motores empregados em sistemas de vidro elétrico de automóveis, além de uma bateria de motocicleta.
Catracas e correntes de bicicleta participaram da transmissão mecânica.
Esse conjunto permitia levar o movimento produzido pelos motores até as rodas, seguindo um princípio semelhante ao encontrado em bicicletas: a corrente transfere a rotação entre peças posicionadas em pontos diferentes.
Na parte eletrônica, o projeto usou um Arduino Nano, uma ponte H L298N, um joystick analógico de três eixos e fios de conexão conhecidos como jumpers.
O controle foi instalado no apoio de braço da cadeira.
O Arduino é uma pequena placa programável capaz de receber sinais e executar instruções.
Nesse tipo de montagem, o movimento do joystick é convertido em comandos elétricos, enquanto a ponte H permite controlar o acionamento e o sentido de rotação dos motores.
A escolha desses componentes tornou possível estudar programação e eletrônica em um objeto que se movia de verdade.
Erros no código, na ligação dos fios ou na montagem mecânica deixavam de ser apenas resultados em uma tela e apareciam no comportamento da cadeira.
Cadeira de rodas funcionou nos corredores da escola
O site elaborado pela professora e pelos estudantes registra o funcionamento da cadeira no corredor da unidade.
Também reúne imagens, vídeos, lista de materiais e as etapas seguidas durante a construção.
O material informa que o protótipo foi apresentado à comunidade escolar, incluindo alunos, professores, gestores, funcionários e familiares.
A demonstração permitiu que o grupo explicasse tanto a montagem quanto os conceitos trabalhados durante as aulas.
A Secretaria Municipal de Educação descreveu a cadeira como funcional, prática, sustentável e responsiva.
Essas classificações foram divulgadas pela própria rede de ensino e não correspondem a uma certificação técnica independente.
Selma Jacome também afirmou que o projeto ajudou a reduzir a evasão escolar e ampliou autonomia, responsabilidade, cooperação e confiança entre os participantes.
Assista o vídeo
Arduino transformou o joystick em comandos para os motores
Sem o sistema eletrônico, a estrutura poderia ser empurrada ou movimentada manualmente, mas não responderia aos comandos instalados no apoio de braço.
O Arduino permitiu inserir uma camada programável entre o joystick e os motores.
Essa característica diferencia um projeto puramente mecânico de uma experiência de robótica.
Os alunos não precisaram apenas descobrir como montar a estrutura, mas também como organizar uma sequência lógica para transformar a intenção de movimento em ação.
Ao deslocar o joystick, o usuário envia um sinal ao circuito.
A programação interpreta o comando e define como os motores devem reagir, permitindo controlar movimentos como avanço, recuo e mudança de direção, conforme a configuração construída.
@educaprefsp
🦽 Os estudantes da EJA da EMEF Manoel Vieira de Queiroz, no CEU Parelheiros, pensaram na iniciativa de construir uma cadeira de rodas inteligente na aula de robótica a partir da observação das necessidades do território, onde 140 dos 1200 estudantes são público-alvo da educação especial. Unindo, então, robótica, inclusão e sustentabilidade, a cadeira de rodas foi construída do zero com materiais reutilizados ou reciclados. Assista ao vídeo! :)) Para ler mais sobre clique em https://tinyurl.com/3yvw998y ou clique no link da bio e acesse todas as notícias da educação municipal.smesp sme foryou fy setembroverde acessibilidade
♬ Espresso – On Vacation Version – Sabrina Carpenter
Projeto de tecnologia foi apresentado em eventos municipais
A cadeira foi exibida em 20 de setembro de 2025 no Seminário de Educação Especial Juntos Pela Aprendizagem, realizado no CEU Carrão.
O encontro discutiu atendimento, acessibilidade e aprendizagem de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades ou superdotação.
A documentação elaborada pela escola também registra a apresentação no 12º Seminário e Mostra de Tecnologias da Secretaria Municipal de Educação, realizado nos dias 5 e 6 de novembro de 2025 no CEU Rei Pelé.
O evento reuniu projetos de cultura maker, reutilização de materiais e robótica desenvolvidos na rede.
Entre as atividades estavam exposições de protótipos, desafios com equipamentos programáveis e debates sobre o uso de tecnologias na educação.
Construção reuniu programação, mecânica e sustentabilidade
A cadeira concentrou tarefas que normalmente aparecem separadas no currículo.
A medição e o encaixe dos tubos envolveram noções de geometria, enquanto motores, bateria e circuitos exigiram conhecimentos básicos de eletricidade.
A programação acrescentou raciocínio lógico.
Já a escolha de componentes reaproveitados colocou em discussão custo, disponibilidade de materiais e sustentabilidade.
O trabalho em grupo também fazia parte da proposta pedagógica registrada pela escola.
Os estudantes precisaram distribuir tarefas, testar soluções e corrigir problemas encontrados durante a construção.
Como integrantes da EJA possuem idades, trajetórias profissionais e experiências diferentes, o projeto também criou espaço para que conhecimentos adquiridos fora da sala fossem utilizados na montagem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

