Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Não é problema apenas do Brasil: furto de cabos derruba carregadores elétricos, provoca prejuízo milionário na Alemanha e leva agência dos Estados Unidos a emitir alerta nacional sobre os riscos à infraestrutura

Não é problema apenas do Brasil: furto de cabos derruba carregadores elétricos, provoca prejuízo milionário na Alemanha e leva agência dos Estados Unidos a emitir alerta nacional sobre os riscos à infraestrutura

6 min de leitura

Não é problema apenas do Brasil: furto de cabos derruba carregadores elétricos, provoca prejuízo milionário na Alemanha e leva agência dos Estados Unidos a emitir alerta nacional sobre os riscos à infraestrutura

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 24/07/2026 às 23:57

Economia

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Com cerca de 1.400 cabos levados apenas de uma operadora alemã, criminosos transformam cobre avaliado em poucos euros em reparos de até €8 mil e deixam carregadores elétricos indisponíveis por até duas semanas.

O avanço dos furtos de cabos em estações de recarga de veículos elétricos transformou um crime de baixo retorno financeiro em uma ameaça à infraestrutura de transporte. Na Alemanha, somente uma operadora contabilizou aproximadamente 1.400 cabos levados. Nos Estados Unidos, o problema motivou um alerta federal.

Os criminosos procuram principalmente o cobre instalado dentro dos cabos de carregamento rápido. Embora o metal retirado possa render apenas algumas dezenas de euros, os reparos custam milhares, exigem técnicos especializados e podem deixar cada carregador indisponível por dias ou semanas.

A situação ganhou reconhecimento oficial em 12 de maio de 2026, quando a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos, a CISA, publicou um alerta intersetorial sobre o furto de cobre em estações de recarga.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O documento trata o problema não apenas como crime contra o patrimônio, mas como uma ameaça capaz de afetar a segurança pública, o transporte, os sistemas de energia e o funcionamento de outras estruturas consideradas críticas.

Carregadores públicos viraram alvos acessíveis

Os carregadores rápidos normalmente ficam instalados em estacionamentos de supermercados, centros comerciais, garagens, áreas próximas a rodovias e outros espaços de acesso público. Essa disponibilidade facilita a vida dos motoristas, mas também deixa os equipamentos expostos durante períodos de pouco movimento.

De acordo com o documento da CISA, muitas estações permanecem destrancadas, sem vigilância constante e em locais nos quais os criminosos conseguem chegar diretamente aos cabos.

O material elétrico é atraente porque os carregadores rápidos precisam transportar grande quantidade de energia. Por isso, empregam cabos mais grossos e com quantidade significativa de cobre, metal que pode ser negociado em depósitos de sucata ou por canais ilegais.

O problema é que o prejuízo não termina no material levado. O corte pode danificar componentes internos, comprometer a instalação elétrica e exigir inspeções antes que o equipamento volte a ser liberado para uso.

A CISA também alerta que fios expostos podem representar risco de choque ou incêndio. Por essa razão, carregadores encontrados com cabos cortados, conectores quebrados ou isolamento danificado devem ser tratados como equipamentos potencialmente perigosos.

Estados Unidos citam caso que atingiu oito de 13 estações

Para demonstrar a dimensão do problema, o alerta americano apresenta o caso de Seattle. Entre março de 2023 e janeiro de 2024, criminosos atingiram oito das 13 estações de recarga rápida operadas pela Seattle City Light, concessionária pública de energia da cidade.

Segundo a CISA, reparar e instalar um único cabo de carregamento rápido da empresa custava, em média, aproximadamente US$ 2.500. Além da despesa, os ataques diminuíram a quantidade de carregadores disponíveis para os motoristas.

Quando vários equipamentos de uma mesma região ficam inoperantes, os condutores precisam procurar estações mais distantes. A agência chama essas áreas com pouca ou nenhuma infraestrutura funcional de “desertos de recarga”.

A concentração dos usuários nos pontos restantes também pode provocar filas, pressionar a infraestrutura disponível e aumentar a preocupação dos motoristas sobre a possibilidade de concluir suas viagens.

O alerta foi preparado especialmente para policiais, bombeiros, equipes de manutenção, operadores de carregadores e centros de reciclagem. Entre as recomendações estão preservar o local, comunicar o proprietário da estação e impedir que pessoas não autorizadas se aproximem de componentes danificados.

Operadora alemã chegou a 1.400 cabos furtados

Dependendo de sua espessura e capacidade, os cabos de carregamento rápido contêm entre quatro e dez quilos de cobre. (Foto: picture alliance/dpa)

Na Alemanha, os números cresceram rapidamente ao longo de 2025. Em outubro daquele ano, a EnBW, responsável por uma das maiores redes de carregamento rápido do país, havia registrado mais de 900 cabos furtados em mais de 130 locais.

Os dados foram fornecidos pela empresa à agência de notícias dpa e publicados pela ntv em 13 de outubro de 2025. Naquele momento, o prejuízo acumulado já estava na faixa dos milhões de euros.

A quantidade continuou aumentando. Em dezembro de 2025, o total da EnBW havia passado para mais de 1.200 cabos em mais de 170 locais, segundo informações apresentadas pela ZDF.

Em abril de 2026, uma atualização fornecida pela operadora à RBB24 elevou o número para aproximadamente 1.400 cabos furtados na Alemanha.

Os principais focos identificados pela companhia estavam no Vale do Ruhr, na Baixa Saxônia e na Saxônia-Anhalt. Em comparação, a EnBW contabilizava cerca de 30 cabos levados em Berlim e Brandemburgo.

Esses números não representam todos os furtos ocorridos no país. São somente os casos envolvendo equipamentos da EnBW. O Departamento Federal de Polícia Criminal e autoridades estaduais informaram que as estatísticas policiais não separavam de maneira específica os furtos praticados em carregadores elétricos.

Outras empresas também foram atingidas. Em outubro de 2025, a EWE Go relatava uma quantidade entre média e alta na casa das dezenas. A Ionity contabilizava cerca de 30 cabos na Alemanha e pouco mais de 100 em toda a Europa, segundo a Tagesschau.

Cobre rende pouco, mas reparo pode chegar a €8 mil

Um cabo de carregamento rápido pode conter entre quatro e dez quilos de cobre, dependendo de sua espessura e capacidade. Apesar desse volume, o retorno obtido pelos criminosos é pequeno em comparação com o dano provocado.

Em um comunicado publicado pela EnBW, a empresa calculou que o metal poderia render aproximadamente €50 por cabo no comércio de sucata. No mercado ilegal, o valor recebido poderia ser ainda menor.

Para a operadora, entretanto, o custo total de cada ocorrência ficava entre €5 mil e €8 mil. Essa conta incluía um cabo novo, o deslocamento e o trabalho dos técnicos, a correção de outros danos e as verificações obrigatórias antes da reativação.

Uma apuração da emissora pública NDR encontrou estimativas de €30 a €50 pelo cobre retirado. Somente o fornecimento e a instalação de um cabo novo poderiam custar entre €3 mil e €5 mil, sem considerar a receita perdida durante a paralisação.

Na EnBW, os carregadores afetados normalmente precisavam de uma a duas semanas para voltar ao funcionamento. O prazo incluía a retirada dos restos do cabo, instalação da peça nova, reparo da estação e realização dos testes técnicos exigidos na Alemanha.

Operadoras adotam alarmes, iluminação e cabos reforçados

A repetição dos furtos levou fabricantes e operadoras a ampliar as medidas de proteção. A EnBW passou a utilizar iluminação mais forte e câmeras em parte de seus pontos, além de trabalhar com proprietários de supermercados e outros terrenos onde os carregadores estão instalados.

Sistemas de monitoramento conseguem identificar quando uma estação deixa de funcionar. A empresa também trabalha com soluções capazes de reconhecer o corte do cabo em tempo real, gerar um alerta e acelerar o acionamento das equipes responsáveis.

Outras medidas em desenvolvimento incluem cabos com revestimentos resistentes a cortes e dispositivos que liberam tinta permanente quando são violados. A marcação pode atingir o material furtado e dificultar sua comercialização.

A Ionity informou que começou a instalar cartuchos de tinta em determinados cabos. Segundo a empresa, algumas tentativas foram interrompidas em locais protegidos dessa maneira. Sistemas de rastreamento e maior uso de câmeras também estão em avaliação.

Mesmo com o baixo valor do cobre, cada cabo levado reduz a disponibilidade de uma rede construída para apoiar o crescimento dos veículos elétricos. A diferença entre algumas dezenas de euros obtidas com a sucata e milhares gastos no reparo explica por que o furto passou a ser tratado como um problema de infraestrutura nos dois lados do Atlântico.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

Sair da versão mobile