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Navio de madeira do século XVIII começa a ceder mesmo protegido em terra, engenheiros retiram 22 apoios e instalam 134 suportes inteligentes para recriar a pressão da água no casco
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 31/07/2026 às 17:51
Marítimo
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Sistema com 134 suportes ajustáveis distribui as 2.000 toneladas do HMS Victory, acompanha a pressão sobre a madeira e imita o apoio uniforme que o mar oferecia ao casco para reduzir novas deformações em terra
Um navio de madeira do século XVIII começou a ceder mesmo protegido em terra. O HMS Victory estava dentro de uma doca seca, longe das ondas e do desgaste da navegação, mas seu próprio peso continuava forçando o casco entre os poucos pontos que o sustentavam.
A Royal Navy, força naval oficial do Reino Unido, divulgou em 22 de agosto de 2017 que o navio permanecia na doca seca de Portsmouth desde 1922, apoiado por 22 berços de aço separados por 6 metros. Um programa de 18 meses começou a substituir essa estrutura por 134 suportes ajustáveis, instalados para imitar a forma como a água sustentava o casco.
O problema parece contraditório. Retirar um navio da água pode proteger sua estrutura de parte da umidade e facilitar a preservação, mas também elimina o apoio distribuído que existe durante a flutuação. Em terra, poucos apoios concentram grandes forças em regiões específicas da madeira.
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O mar funcionava como um grande berço para o casco
Quando um navio flutua, a água pressiona a parte submersa e cria uma força para cima. Essa força recebe o nome de empuxo e ajuda a sustentar o peso da embarcação por uma área ampla, em vez de concentrar tudo em poucos pontos.
O casco do HMS Victory foi construído para trabalhar nesse ambiente. A água acompanhava suas curvas e oferecia uma sustentação mais uniforme, como se todo o fundo do navio estivesse acomodado sobre um grande berço.
Na doca seca, essa sustentação desapareceu. O peso passou a seguir o caminho criado pelos apoios metálicos, fazendo com que algumas áreas recebessem muita pressão enquanto outras ficavam suspensas entre um berço e outro.
Por que 22 apoios não eram suficientes
Os 22 apoios de aço mantinham o navio de pé, mas não distribuíam a carga com a mesma uniformidade oferecida pela água. A distância entre eles deixava partes do casco sustentadas apenas pelas regiões vizinhas.
A madeira localizada entre os apoios continuava sob esforço. Com o passar dos anos, o casco começou a se mover e a formar saliências, sinal de que a sustentação concentrada não acompanhava bem sua estrutura.
Madeira antiga não se torna completamente rígida. Ela continua reagindo ao peso, à pressão e às condições ao redor. Quando uma estrutura tão grande permanece sustentada de maneira desigual, pequenas mudanças podem se acumular e causar danos difíceis de corrigir.
Os 134 suportes inteligentes repartem as 2.000 toneladas
A solução foi instalar 134 suportes ajustáveis de aço em dois níveis para alcançar uma área maior do casco. Em vez de manter o peso concentrado em poucos berços, o novo sistema forma uma rede de sustentação ao redor do navio.
A Royal Navy, força naval oficial do Reino Unido, detalhou que o casco se movia cerca de 0,5 centímetro por ano, acumulando 20 centímetros em 40 anos. Cada suporte possui 15 pés de altura, estrutura telescópica e uma célula que monitora a carga, enquanto o conjunto reparte as 2.000 toneladas da embarcação.
Esses suportes são chamados de inteligentes porque não funcionam apenas como colunas paradas. Eles podem ser regulados, e os sensores mostram quanta força cada ponto recebe durante a sustentação do casco.
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O sistema não coloca água sob o navio. Ele recria o efeito mais importante da flutuação, que é a distribuição ampla do peso. Os 134 suportes procuram oferecer uma sustentação mais próxima daquela que existia quando a embarcação estava no mar.
Um apoio sobrecarregado pode virar parte do problema
Quando um suporte recebe carga excessiva, ele pressiona demais uma região da madeira. O ponto que deveria proteger o navio pode repetir o problema criado pelos antigos berços, concentrando força em uma área pequena.
O monitoramento permite identificar esse desequilíbrio. Se um suporte estiver carregando peso demais, ele pode ser ajustado para que as peças próximas assumam uma parte maior da carga.
O mesmo cuidado vale para um apoio com pouca pressão. Isso pode indicar que aquela região do casco não está recebendo sustentação suficiente. A regulagem busca manter o conjunto equilibrado e reduzir o avanço da deformação.
Um laboratório para preservar outros navios museu
O sistema instalado no HMS Victory oferece uma referência para outros navios museu mantidos fora da água. Muitos pontos de apoio, sensores de carga e ajustes individuais permitem acompanhar o comportamento do casco sem depender apenas de inspeções visuais.
Cada embarcação histórica possui materiais, medidas e danos próprios. Por isso, a solução não deve ser copiada sem análise. O valor do projeto está no método usado para entender onde o peso atua e como a sustentação pode ser corrigida.
A preservação deixa de tratar o navio como um objeto completamente parado. O casco continua respondendo às forças ao redor, e o acompanhamento constante ajuda a identificar mudanças antes que elas se tornem permanentes.
A substituição de 22 apoios por 134 suportes inteligentes mostrou que colocar um navio histórico em terra não encerra os riscos estruturais. A ausência da água muda toda a forma como o peso chega à madeira.
O HMS Victory passou a contar com uma sustentação mais distribuída, ajustável e monitorada. A solução protege o casco e transforma a doca seca em um espaço de observação útil para a engenharia e para a preservação de embarcações antigas.
Você imaginava que retirar um navio da água para sua proteção poderia aumentar o risco de deformação do casco? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
Royal Navy
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

