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No século XIX, um comerciante rico de Liverpool empregou centenas de homens por mais de 20 anos para cavar um labirinto de túneis sob a cidade e morreu sem nunca revelar para que aquilo servia

No século XIX, um comerciante rico de Liverpool empregou centenas de homens por mais de 20 anos para cavar um labirinto de túneis sob a cidade e morreu sem nunca revelar para que aquilo servia

5 min de leitura

No século XIX, um comerciante rico de Liverpool empregou centenas de homens por mais de 20 anos para cavar um labirinto de túneis sob a cidade e morreu sem nunca revelar para que aquilo servia

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 27/07/2026 às 19:21

Atualizado em 27/07/2026 às 19:38

Curiosidades

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Sob um bairro inteiro da Inglaterra existe uma teia de galerias de tijolo e pedra que consumiu uma fortuna e décadas de trabalho, e ninguém até hoje sabe explicar com certeza por que ela foi construída.

No começo do século XIX, um homem rico começou a mandar cavar buracos debaixo de Liverpool. Ele pagava, dava as ordens e acompanhava a obra de perto, mas jamais dizia o que pretendia com ela.

Duas décadas depois, havia sob o bairro de Edge Hill um emaranhado de túneis, arcos e câmaras que descia vários metros no subsolo. Seu criador levou o segredo do propósito para o túmulo, e o mistério continua de pé até hoje.

O comerciante que virou o Toupeira de Edge Hill

Joseph Williamson enriqueceu no comércio de tabaco e se tornou uma figura conhecida e excêntrica de Liverpool. Comprou terras na área de Edge Hill, então nos limites da cidade, e passou a construir casas sobre um terreno acidentado, cheio de antigas pedreiras de arenito.

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Foi a partir dali que a obsessão tomou forma. Por volta de 1810, Williamson começou a financiar a escavação de galerias subterrâneas que iam muito além do que qualquer porão ou fundação exigiria.

O volume e a estranheza do trabalho renderam a ele o apelido de Toupeira de Edge Hill, e também o de Rei de Edge Hill, pela forma como comandava um pequeno exército de operários sob a terra.

Centenas de homens, nenhuma explicação

O que mais impressiona nos relatos da época é a escala de mão de obra. Williamson empregou centenas de trabalhadores ao longo de mais de vinte anos, muitos deles homens pobres e desempregados no período que se seguiu às guerras napoleônicas.

Ele pagava por semana, exigia presença e mantinha as frentes de escavação abertas de forma contínua. O que ninguém obtinha dele era uma resposta clara sobre o objetivo de tanto esforço.

Não havia planta divulgada, não havia destino anunciado. Homens cavavam, erguiam arcos de tijolo, abriam salas e seguiam adiante, sem que a finalidade da obra fosse dita a quem a executava.

Caridade, mania ou medo do fim do mundo

Na falta de uma explicação oficial, sobraram as teorias, e elas variam do prosaico ao delirante.

A versão mais simpática é a da caridade disfarçada. Segundo essa leitura, Williamson queria dar trabalho e dignidade aos pobres do bairro sem simplesmente distribuir esmola, e inventou uma obra sem fim para manter todos ocupados e pagos.

Outra corrente vê ali pura excentricidade de um homem rico e teimoso, que cavava porque podia. E há ainda a hipótese religiosa, ligada a crenças apocalípticas da época, segundo a qual as galerias seriam abrigos para sobreviver ao fim do mundo.

Tijolo, arenito e câmaras sob o bairro

Por baixo das explicações, existe uma obra física concreta. Boa parte da rede aproveitou pedreiras de arenito já existentes, que foram cobertas por abóbadas e arcos de tijolo, criando salões e corredores escondidos sob as ruas.

Algumas câmaras são amplas o suficiente para impressionar quem desce até elas, com pé-direito alto e paredes cuidadosamente assentadas. Não é o tipo de escavação bruta feita apenas para tirar pedra, e sim uma construção deliberada.

Esse acabamento é justamente o que alimenta o debate. Se a intenção fosse só extrair material, não haveria razão para revestir tudo com tanto capricho, num trabalho que se aproxima mais de uma obra subterrânea planejada do que de um simples buraco.

Depois da morte, o esquecimento e o entulho

Williamson morreu em 1840, e com ele acabou o dinheiro e o comando que sustentavam a escavação. As galerias foram abandonadas.

Nas décadas seguintes, boa parte da rede virou depósito. A administração da cidade e os moradores usaram os túneis para despejar entulho e lixo, que foram enchendo os vãos e apagando o traçado original da vista.

Com o tempo, o labirinto sumiu da memória prática de Liverpool. Continuava ali embaixo, mas coberto, bloqueado e transformado em pouco mais que uma lenda local sobre um velho excêntrico.

A redescoberta a partir dos anos 1990

O interesse voltou décadas depois. A partir dos anos 1990, grupos de voluntários passaram a limpar e mapear trechos da rede, retirando toneladas de material que a entupiam.

Esse trabalho foi tocado por organizações dedicadas ao tema, entre elas a Sociedade Joseph Williamson, que reuniu pesquisadores e curiosos em torno da obra. Em 2002, foi aberto ao público um centro de visitação, o Williamson Tunnels Heritage Centre, que hoje é a principal fonte de informação sobre o assunto.

À medida que os corredores eram desobstruídos, aparecia também o cotidiano soterrado ali. Escavações encontraram cerâmica, garrafas de vidro e objetos domésticos que ajudam a entender a vida de Liverpool no século XIX, um efeito parecido com o de outras passagens escondidas que só reaparecem por acaso.

Um segredo que virou atração

Duzentos anos depois do início da obra, o labirinto de Williamson ainda não tem uma resposta definitiva. Cada teoria explica uma parte e esbarra em outra, e nenhuma se impôs sobre as demais.

Quem visita os trechos abertos percorre corredores de tijolo e câmaras de arenito que exigiram planejamento, dinheiro e um enorme volume de trabalho manual, tudo dedicado a um fim que segue desconhecido.

É esse vazio de explicação, mais do que o tamanho da rede, que mantém os túneis de Williamson entre os mistérios de engenharia mais comentados da Inglaterra.

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Fonte

Williamson Tunnels Herita


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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