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Novo método imprime cobre resistente à água do mar, ao calor e a ambientes corrosivos, abrindo caminho para uma nova geração de dispositivos eletrônicos mais baratos

Novo método imprime cobre resistente à água do mar, ao calor e a ambientes corrosivos, abrindo caminho para uma nova geração de dispositivos eletrônicos mais baratos

6 min de leitura

Novo método imprime cobre resistente à água do mar, ao calor e a ambientes corrosivos, abrindo caminho para uma nova geração de dispositivos eletrônicos mais baratos

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 24/07/2026 às 21:37

Ciência e Tecnologia

Tinta de cobre desenvolvida por pesquisadores cria superfícies condutoras, suporta ambientes agressivos e pode baratear a fabricação de eletrônicos. Fonte: Maryland Engineering.

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Tinta de cobre desenvolvida por pesquisadores cria superfícies condutoras, suporta ambientes agressivos e pode baratear a fabricação de eletrônicos.

Uma camada de cobre produzida por impressão permaneceu preservada depois de passar seis meses submersa em água do mar. O resultado foi obtido com uma tinta de cobre reativa desenvolvida por Jun Zhang e pesquisadores de diferentes instituições.

A técnica permite criar desenhos condutores diretamente sobre diversos materiais, sem depender das formas tradicionais de processamento do metal. O revestimento também apresentou resistência a condições que normalmente favorecem oxidação, corrosão e deterioração.

O trabalho pode ter impacto principalmente na indústria eletrônica, que utiliza o cobre para conduzir eletricidade em circuitos, baterias, painéis solares, centros de dados e equipamentos ligados à inteligência artificial.

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O que os pesquisadores conseguiram fazer?

A equipe partiu de uma solução líquida de coloração azul. Depois da aplicação e do aquecimento, o material forma uma superfície composta por cobre com baixa resistência elétrica. O processo precisa ocorrer em uma faixa de temperatura entre 100 °C e 150 °C.

Apesar dessa exigência, o nível térmico é inferior ao necessário em tentativas anteriores de produzir revestimentos semelhantes. A tinta de cobre também permite a união das partículas metálicas durante essa etapa. Ao mesmo tempo, cria uma proteção na superfície, o que ajuda a impedir a rápida degradação do material.

Tinta de cobre desenvolvida por pesquisadores cria superfícies condutoras, suporta ambientes agressivos e pode baratear a fabricação de eletrônicos. Fonte: Maryland Engineering.

O funcionamento depende de ligantes produzidos a partir de catecol. Essas substâncias participam da transformação dos compostos presentes na tinta até a formação do cobre metálico. Os ligantes também favorecem a fusão entre as partículas em temperaturas relativamente baixas. Depois dessa união, a própria composição ajuda a proteger a camada contra reações com o ambiente.

O resultado é um revestimento flexível, condutor e mais estável. Essa combinação era difícil de obter porque camadas muito finas de cobre costumam ficar especialmente expostas ao contato com substâncias corrosivas.

Material enfrentou ácido, sulfeto e calor

Os pesquisadores submeteram as amostras a diferentes condições para observar quanto tempo o cobre permaneceria funcional. Os testes envolveram substâncias corrosivas e exposição prolongada a temperaturas elevadas.

A camada produzida resistiu por:

A permanência no ambiente marinho foi um dos ensaios mais severos. Mesmo após esse período, o cobre impresso continuou intacto, segundo os resultados apresentados pela equipe.

Tinta de cobre foi usada para imprimir circuitos

Para demonstrar que o método não funcionava apenas em pequenas amostras de laboratório, os pesquisadores produziram estruturas com formatos e finalidades diferentes. Entre elas estavam trilhas responsáveis pela passagem de corrente elétrica.

A técnica foi aplicada em:

As demonstrações também mostraram que a aplicação pode acompanhar desenhos mais complexos. Isso amplia a possibilidade de uso da tinta de cobre em peças com formatos variados.

Tecnologia pode mudar produção de eletrônicos

Dentro de uma placa eletrônica, as trilhas metálicas fazem a conexão entre componentes e transportam a corrente. O cobre é amplamente empregado nessa função por sua capacidade de condução. Segundo Shenqiang Ren, professor da Universidade de Maryland, o material impresso poderá desempenhar o papel da fiação em uma nova geração de equipamentos.

A expectativa é fabricar esses dispositivos com menor custo, maior rapidez e redução do desperdício. A possibilidade de depositar o metal somente nas áreas necessárias também pode simplificar etapas produtivas. Em processos convencionais, parte do material precisa ser removida depois da aplicação.

Tinta de cobre desenvolvida por pesquisadores cria superfícies condutoras, suporta ambientes agressivos e pode baratear a fabricação de eletrônicos. Fonte: Maryland Engineering.

Método pode substituir tratamentos tradicionais

A indústria utiliza procedimentos como galvanoplastia e corrosão química para criar revestimentos e circuitos de cobre. Essas técnicas podem exigir várias etapas, equipamentos específicos e uso de produtos químicos. A nova abordagem busca formar o desenho metálico diretamente sobre a superfície.

Com isso, os pesquisadores esperam diminuir o tempo de fabricação e a quantidade de resíduos gerados. O método também pode reduzir despesas relacionadas ao processamento. No entanto, sua adoção comercial dependerá da capacidade de ampliar a produção mantendo a mesma qualidade obtida nos experimentos.

Cobre pode ocupar lugar hoje reservado à prata

Algumas tintas condutoras utilizam metais mais caros para garantir estabilidade e passagem eficiente de corrente. A prata aparece entre os materiais empregados nessas aplicações. A equipe considera que a tinta de cobre poderá oferecer uma alternativa mais econômica.

O objetivo é aproveitar um metal amplamente utilizado na indústria sem enfrentar os problemas de oxidação que limitavam sua aplicação em camadas impressas.

Liangbing Hu, integrante do estudo, afirmou que a tecnologia possui potencial para ampliar o uso do cobre em aplicações eletrônicas, energéticas e ambientais atualmente atendidas por materiais de maior custo.

Uso vai além das placas de circuito

A condução elétrica está presente em diferentes tecnologias da vida cotidiana. Sistemas de comunicação, painéis fotovoltaicos e baterias dependem de conexões metálicas para funcionar. O cobre também é essencial em infraestruturas de inteligência artificial e centros de processamento de dados.

Nesses ambientes, grandes quantidades do metal são empregadas na distribuição de eletricidade e na ligação entre componentes. Uma técnica de impressão mais simples poderia atender peças pequenas e superfícies com geometrias específicas.

Tinta de cobre desenvolvida por pesquisadores cria superfícies condutoras, suporta ambientes agressivos e pode baratear a fabricação de eletrônicos. Fonte: Maryland Engineering.

A flexibilidade do material também abre espaço para dispositivos que não utilizem estruturas completamente rígidas. A pesquisa resolveu dois obstáculos importantes: permitir a impressão do cobre em condições ambientais e reduzir a exposição do metal à corrosão depois da aplicação. Ainda assim, o processo não ocorre sem aquecimento.

A superfície precisa suportar temperaturas de pelo menos 100 °C. Isso pode limitar o uso em materiais sensíveis ao calor ou exigir adaptações na fabricação. Por outro lado, a temperatura máxima de 150 °C é considerada baixa em comparação com métodos experimentais anteriores. Essa diferença pode facilitar a integração da técnica a algumas linhas de produção.

Tinta de cobre pode reduzir materiais desperdiçados

A impressão direta permite posicionar o condutor apenas no desenho definido pelo projeto. Dessa maneira, o fabricante não precisaria revestir uma grande área para remover posteriormente as partes desnecessárias.

Essa característica pode diminuir o consumo de metal e de substâncias utilizadas na retirada do excesso. Também pode encurtar a quantidade de etapas entre a preparação da superfície e a obtenção do circuito final.

A tinta de cobre ainda precisará avançar além dos testes de laboratório antes de substituir processos industriais em larga escala. Os resultados, contudo, mostram que o metal pode ser impresso, permanecer condutor e resistir por longos períodos mesmo em condições agressivas.

A pesquisa foi publicada na Science, veja aqui

Fonte

Inovação Tecnológica


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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