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O fim da era do tijolo já começou: painéis gigantes de poliestireno expandido preenchidos com concreto aceleram obras, substituem a alvenaria tradicional e prometem cortar em até 60% a conta de energia de casas e prédios
Escrito por Ana Alice
Publicado em 31/07/2026 às 21:24
Curiosidades
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Tecnologia que combina concreto e isolamento térmico avança em diferentes mercados e entra no debate sobre eficiência energética, desempenho estrutural e novos métodos construtivos, em meio a exigências ambientais mais rigorosas e mudanças no padrão das obras residenciais.
Os painéis de poliestireno expandido preenchidos com concreto, conhecidos internacionalmente como ICF na sigla em inglês para Insulated Concrete Forms, vêm sendo adotados em diferentes mercados como alternativa a sistemas tradicionais de construção.
A tecnologia combina isolamento térmico e estrutura em um único conjunto construtivo, com potencial para reduzir etapas de obra e melhorar o desempenho energético das edificações.
Entre os fabricantes que atuam nesse segmento está a empresa Nudura.
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De acordo com materiais técnicos divulgados pela marca e por entidades do setor, o sistema pode contribuir para uma redução de até 60% no consumo de energia destinado à climatização, quando comparado a determinadas paredes estruturais de madeira utilizadas como referência em estudos experimentais.
Como funciona o sistema de painéis com concreto
O método utiliza blocos compostos por duas placas paralelas de poliestireno expandido unidas por espaçadores internos.
Essas peças são empilhadas no canteiro de obras e formam uma espécie de molde permanente.
Após a montagem, o espaço central recebe concreto usinado.
Quando o material endurece, forma-se uma parede estrutural contínua, enquanto o EPS permanece nas faces externas funcionando como isolamento térmico.
Segundo documentação técnica da Nudura, o conjunto passa a atuar simultaneamente como estrutura, isolamento e base para revestimentos.
Esse arranjo permite reduzir algumas etapas tradicionais do processo construtivo, nas quais estrutura, vedação e isolamento são instalados separadamente.
A eficiência energética frequentemente associada ao sistema está relacionada à combinação entre a massa térmica do concreto e o isolamento proporcionado pelo poliestireno expandido.
Em estudos divulgados pela associação norte-americana Insulating Concrete Forms Manufacturers Association, paredes com núcleo de concreto e camadas de EPS registraram consumo energético menor em comparação com paredes de madeira do tipo wood frame utilizadas como referência no experimento.
De acordo com essa análise, a redução pode alcançar até 60% no consumo energético relacionado à climatização, dependendo do projeto, da localização da obra e das condições climáticas analisadas.
Tecnologias construtivas associadas ao sistema ICF
A fabricante Nudura atribui parte da eficiência logística do sistema a soluções patenteadas presentes em seus blocos estruturais.
Uma delas é o mecanismo DURAFOLD, que permite transportar as peças dobradas durante o envio para o canteiro.
Segundo o catálogo técnico da empresa, essa característica possibilita acomodar maior quantidade de material por caminhão em comparação com sistemas que não possuem mecanismo de dobramento.
Outra tecnologia descrita pela fabricante é o DURALOK, um sistema de encaixe mecânico que conecta os blocos durante a montagem das paredes.
O objetivo é manter as peças alinhadas durante o processo de concretagem, reduzindo a necessidade de fixações adicionais.
Há ainda o bloco DURAMAX, cuja dimensão padrão de aproximadamente 2.438 milímetros por 457 milímetros permite elevar paredes com menos peças.
Conforme especificações da empresa, o tamanho maior reduz o número de juntas durante a montagem.
Além disso, o sistema foi projetado para operar em quatro direções de encaixe.
Segundo o fabricante, esse recurso elimina a necessidade de peças específicas para cantos esquerdo ou direito, o que pode simplificar a logística de estoque no canteiro.
Desempenho estrutural e eficiência térmica das edificações
Fabricantes do setor também associam o uso de ICF a parâmetros específicos de resistência estrutural.
Materiais técnicos da Nudura indicam que paredes construídas com o sistema podem suportar ventos de até 402 quilômetros por hora, valor baseado em testes de desempenho estrutural realizados com o produto.
Os documentos também mencionam resistência ao fogo de até quatro horas, dependendo da configuração da parede e do tipo de revestimento utilizado.
Especialistas em eficiência energética apontam que paredes com isolamento contínuo tendem a reduzir infiltrações de ar e variações bruscas de temperatura interna.
Esse tipo de desempenho térmico está entre os fatores que explicam o interesse crescente por sistemas construtivos com isolamento integrado.
Outro ponto frequentemente citado pelo setor é a possibilidade de reduzir desperdícios no canteiro.
Como os blocos funcionam simultaneamente como molde e isolamento, o processo tende a gerar menos resíduos de corte em comparação com sistemas que exigem múltiplos materiais aplicados separadamente.
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Projeto na França mostra uso residencial da tecnologia
Um exemplo citado em reportagens internacionais sobre o uso do sistema está localizado em Taupont, na França.
O projeto envolve uma residência de aproximadamente 135 metros quadrados, distribuída em dois pavimentos.
De acordo com publicações francesas sobre inovação em construção, o investidor imobiliário Thomas Kerzerho optou pelo sistema ICF ao desenvolver a casa.
A escolha esteve associada à busca por atender requisitos da regulamentação ambiental francesa RE2020, que estabelece padrões mais rigorosos de desempenho energético para novas edificações.
A norma entrou em vigor em 2022 e determina limites mais restritivos para emissões de carbono e consumo energético no setor habitacional.
Segundo reportagem do portal francês NeozOne, o uso do sistema construtivo foi considerado no projeto como estratégia para melhorar a eficiência térmica da residência.
O material isolante e o concreto estrutural contribuem para reduzir trocas de calor com o ambiente externo, fator relevante para cumprir os parâmetros da regulamentação.
Os dados divulgados sobre essa obra descrevem que a residência apresenta estabilidade térmica ao longo do ano.
Contudo, especialistas destacam que o desempenho de qualquer edificação depende de fatores adicionais, como orientação solar, ventilação natural, projeto arquitetônico e clima local.
Economia de energia e impacto operacional nas obras
A economia de energia é frequentemente apontada como um dos principais argumentos utilizados por fabricantes e associações do setor.
Ainda assim, especialistas em eficiência energética ressaltam que os resultados variam conforme as características do projeto e o padrão de uso da edificação.
Estudos de desempenho térmico geralmente comparam sistemas construtivos em condições controladas de laboratório.
Quando o cálculo envolve edificações reais, entram variáveis como área de vidro, exposição solar, hábitos de uso de climatização e tarifas locais de energia.
Por essa razão, o percentual de economia divulgado em estudos técnicos não representa necessariamente um valor universal para todas as construções.
O desempenho energético final depende da combinação entre projeto arquitetônico, clima e execução da obra.
Mesmo assim, o avanço de sistemas como o ICF reflete uma mudança gradual nas prioridades do setor da construção civil.
Normas ambientais mais exigentes e a busca por edificações com menor consumo energético têm ampliado o interesse por métodos construtivos industrializados.
Esse movimento ocorre em diferentes países, especialmente em mercados onde regulações ambientais passaram a exigir maior eficiência térmica nas edificações.
No contexto dessas transformações, tecnologias que integram estrutura e isolamento em um único componente vêm sendo analisadas por construtoras e projetistas como uma alternativa dentro do conjunto de sistemas disponíveis no mercado.
A adoção desse tipo de solução ainda varia conforme o país, os custos locais e a disponibilidade de fornecedores.
Mesmo assim, a discussão sobre eficiência energética, desempenho térmico e redução de resíduos no canteiro tende a ganhar espaço no debate sobre o futuro da construção civil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

