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O que aconteceu com o AirPower da Apple, a base sem fio que prometia carregar iPhone, Apple Watch e AirPods em qualquer posição, mas foi cancelada antes de chegar às lojas por não atingir o padrão técnico da própria empresa

O que aconteceu com o AirPower da Apple, a base sem fio que prometia carregar iPhone, Apple Watch e AirPods em qualquer posição, mas foi cancelada antes de chegar às lojas por não atingir o padrão técnico da própria empresa

7 min de leitura

O que aconteceu com o AirPower da Apple, a base sem fio que prometia carregar iPhone, Apple Watch e AirPods em qualquer posição, mas foi cancelada antes de chegar às lojas por não atingir o padrão técnico da própria empresa

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 25/07/2026 às 00:25

Ciência e Tecnologia

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AirPower Apple/Divulgação

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AirPower prometia carregar iPhone, Apple Watch e AirPods ao mesmo tempo, mas a Apple cancelou o produto antes do lançamento oficial.

Em setembro de 2017, a Apple mostrou ao mundo um acessório que parecia simples, elegante e inevitável: uma base sem fio capaz de carregar iPhone, Apple Watch e AirPods ao mesmo tempo. O produto se chamava AirPower.

A promessa era eliminar a bagunça de cabos e bases separadas. Bastaria colocar os dispositivos sobre uma única superfície para que todos começassem a carregar.

Segundo o comunicado oficial da Apple sobre o iPhone X, o AirPower seria um acessório de carregamento sem fio desenvolvido pela própria empresa, com lançamento previsto para 2018. A base permitiria carregar simultaneamente até três dispositivos, incluindo iPhone 8, iPhone 8 Plus, iPhone X, Apple Watch Series 3 e um novo estojo sem fio para AirPods.

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Mas o produto nunca chegou às lojas. Em março de 2019, depois de mais de um ano de espera, a Apple cancelou oficialmente o AirPower. O motivo declarado foi direto: o produto não alcançaria os altos padrões de hardware da empresa.

A promessa era uma base única para três produtos da Apple

O AirPower nasceu em um momento estratégico. Em 2017, a Apple apresentava o iPhone X, o iPhone 8, o iPhone 8 Plus e a nova geração do Apple Watch. Ao mesmo tempo, a empresa começava a abraçar com mais força o carregamento sem fio nos seus principais dispositivos.

A ideia do AirPower era dar ao ecossistema da Apple uma solução integrada. Em vez de usar um carregador para o iPhone, outro para o Apple Watch e outro para os AirPods, o usuário teria uma única base sobre a mesa, no criado-mudo ou no escritório.

O diferencial não era apenas carregar três aparelhos. O grande atrativo era permitir que o usuário colocasse os dispositivos em diferentes pontos da base, sem depender de alinhamento rígido em uma posição específica.

O grande diferencial era carregar em qualquer posição

A maioria dos carregadores sem fio funciona com uma lógica simples: o aparelho precisa ficar alinhado sobre uma bobina interna.

Se o celular fica fora do ponto correto, o carregamento pode falhar, ficar lento ou sequer começar. O AirPower tentava resolver esse problema.

AirPower Apple

A Apple prometia uma área de carregamento mais ampla, onde o usuário poderia apoiar até três dispositivos sem ficar procurando o “ponto certo” da bobina.

Na teoria, isso parecia uma evolução natural. Na prática, exigia uma engenharia muito mais complexa. Para permitir carregamento em diferentes posições, a base precisaria reconhecer onde cada aparelho estava, ativar as bobinas corretas, controlar energia, evitar interferência e lidar com calor.

O produto virou símbolo de uma promessa rara na Apple

O AirPower chamou atenção porque a Apple raramente anuncia um produto de hardware e depois cancela antes de vender.

Normalmente, a empresa mantém seus projetos sob sigilo até que estejam perto do lançamento. Com o AirPower, o caminho foi diferente.

A base foi mostrada publicamente em 2017, prometida para 2018 e depois desapareceu do calendário. A expectativa continuou crescendo porque o produto já havia sido anunciado oficialmente. Quando o cancelamento veio em 2019, o caso ganhou peso justamente por quebrar o padrão de controle da Apple.

A mensagem não era apenas “um acessório atrasou”. Era algo mais raro: um produto apresentado no palco não conseguiu chegar ao consumidor.

Apple cancelou o AirPower em 2019

O cancelamento foi confirmado em 29 de março de 2019. Segundo a TechCrunch, a Apple informou que, após muito esforço, concluiu que o AirPower não atingiria seus altos padrões e, por isso, o projeto havia sido cancelado.

AirPower Apple/Divulgação

A Axios também registrou a decisão e informou que a Apple pediu desculpas aos consumidores que aguardavam o lançamento, afirmando que continuava acreditando no futuro sem fio. A empresa, porém, não detalhou publicamente qual falha técnica específica levou ao cancelamento.

Essa ausência de explicação abriu espaço para análises sobre superaquecimento, complexidade das bobinas, comunicação entre dispositivos e controle de energia.

O problema provável estava na ambição técnica

Relatos técnicos e análises posteriores apontaram para dificuldades ligadas ao desenho da base. Segundo a iFixit, a Apple tentava criar uma grande superfície de carregamento usando bobinas sobrepostas, permitindo que vários dispositivos fossem alimentados em diferentes posições sobre a base. A análise também relacionou essa abordagem a rumores de problemas de calor.

O MacRumors também registrou que o design pretendido exigia múltiplas bobinas sobrepostas, e que esse tipo de construção teria sido associado a superaquecimento em protótipos.

Portanto, a forma mais correta é dizer que a Apple cancelou oficialmente por não atingir seu padrão técnico, enquanto análises do setor apontaram o calor e a complexidade das bobinas como possíveis causas.

Carregar iPhone e Apple Watch juntos era mais difícil do que parecia

O AirPower precisava lidar com produtos muito diferentes. O iPhone usava carregamento sem fio padrão Qi. O Apple Watch, por sua vez, usa uma solução própria de carregamento magnético.

Colocar os dois em uma única base, permitindo posicionamento livre, elevava o desafio técnico. Não era apenas uma questão de entregar energia.

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A base precisava identificar o dispositivo, ajustar a potência, evitar aquecimento excessivo, impedir interferência e mostrar o estado de carregamento dos aparelhos conectados.

Quanto mais livre fosse o posicionamento, maior a necessidade de bobinas internas e controle eletrônico. Esse é o tipo de problema que parece pequeno para o usuário, mas vira uma dor de cabeça enorme para a engenharia.

A Apple nunca divulgou um preço oficial de lançamento para o AirPower. O produto foi anunciado, teve previsão de chegada para 2018, mas não chegou à fase de venda.

O MacRumors registra que a Apple nunca anunciou oficialmente o preço do AirPower, embora estimativas de mercado tenham circulado antes do cancelamento.

O cancelamento abriu caminho para soluções mais simples

Depois do AirPower, a Apple seguiu apostando em carregamento sem fio, mas com uma abordagem diferente.

Em vez de uma superfície livre para vários dispositivos em qualquer posição, a empresa passou a trabalhar com alinhamento magnético.

O exemplo mais conhecido é o MagSafe, apresentado posteriormente como sistema de encaixe magnético para iPhone. A diferença conceitual é clara.

O AirPower queria eliminar a necessidade de posicionamento preciso. O MagSafe resolve o problema pelo caminho oposto: usa ímãs para colocar o aparelho exatamente no ponto certo de carregamento.

Isso mostra como a indústria recuou de uma promessa mais livre e adotou uma solução mais controlada, mais simples de produzir e mais previsível no uso diário.

O fracasso do AirPower mostra o limite entre design e física

O AirPower parecia um produto muito “Apple” no conceito. Era limpo, minimalista, integrado ao ecossistema e prometia esconder complexidade atrás de uma experiência simples.

Mas a física não desaparece por causa do design. Carregamento sem fio gera calor. Bobinas precisam de alinhamento. Dispositivos diferentes exigem controle diferente. Energia precisa ser transferida com eficiência e segurança.

Quando a Apple tentou transformar tudo isso em uma superfície única, livre e elegante, o produto aparentemente ficou mais difícil do que o esperado.

O projeto virou lição para todo o mercado de tecnologia

O AirPower virou um caso estudado porque mostra o risco de anunciar cedo demais um produto de hardware complexo. Em software, falhas podem ser corrigidas com atualizações.

Em hardware, o problema é mais duro. Se a estrutura interna esquenta demais, se o controle eletrônico não é confiável ou se o produto não entrega a experiência prometida, não basta lançar e corrigir depois. O risco envolve segurança, reputação, recall e frustração do consumidor.

A Apple preferiu cancelar.

Essa decisão preservou o padrão técnico da marca, mas transformou o AirPower em um dos projetos mais lembrados justamente por nunca ter existido como produto final.

O que aconteceu com o AirPower

O AirPower foi uma promessa real. Ele foi anunciado oficialmente pela Apple em 2017, com previsão de lançamento em 2018, e deveria carregar até três dispositivos ao mesmo tempo em uma área ampla de carregamento.

Mas o projeto encontrou obstáculos técnicos e acabou cancelado em 2019. A explicação oficial foi que o produto não atingiria os altos padrões de hardware da Apple.

O resultado foi simbólico. A base que prometia acabar com a bagunça dos carregadores virou um dos raros exemplos de produto Apple anunciado publicamente e abandonado antes do lançamento.

No fim, o AirPower mostrou que até uma das empresas mais poderosas do mundo pode bater de frente com um limite simples: nem toda ideia elegante consegue virar produto seguro, confiável e fabricável em escala.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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