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O rover Perseverance deixou a Cratera Jezero, explorou um terreno formado há mais de 3,9 bilhões de anos e encontrou impactos de asteroides registrados em rochas marcianas que preservam uma parte da história geológica apagada na Terra

O rover Perseverance deixou a Cratera Jezero, explorou um terreno formado há mais de 3,9 bilhões de anos e encontrou impactos de asteroides registrados em rochas marcianas que preservam uma parte da história geológica apagada na Terra

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O rover Perseverance deixou a Cratera Jezero, explorou um terreno formado há mais de 3,9 bilhões de anos e encontrou impactos de asteroides registrados em rochas marcianas que preservam uma parte da história geológica apagada na Terra

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 28/07/2026 às 11:03

Atualizado em 28/07/2026 às 11:10

Ciência e Tecnologia

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Rover da NASA identificou formação de 75 metros com camadas criadas por colisões sucessivas, preservando vestígios de uma era geológica apagada na Terra e coletando amostras para análise em laboratório, caso sejam trazidas à Terra.

O rover Perseverance identificou, nos arredores da Cratera Jezero, rochas formadas há mais de 3,9 bilhões de anos que preservam camadas produzidas por sucessivos impactos de asteroides durante um período violento da história de Marte.

Impactos de asteroides formaram camadas de 75 metros

As evidências foram encontradas no membro Broom Point, formação composta por uma pilha de rochas antigas com aproximadamente 75 metros de espessura. As camadas se acumularam durante um período extenso, antes mesmo da formação da Cratera Jezero.

O Perseverance chegou à área depois de descer a borda oeste da cratera no início de 2025. Com seus instrumentos científicos, o veículo identificou seis tipos diferentes de rochas na formação.

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Entre elas estão brechas compostas por fragmentos de rochas quebradas, misturados a camadas de pó fino. Alguns fragmentos possuem pequenas cavidades deixadas por bolhas de gás, indicando que o material esteve fundido no passado.

Os pesquisadores também encontraram numerosas esferas escuras e vítreas distribuídas pelas camadas. Vulcões conseguem produzir estruturas semelhantes, mas, segundo a pesquisa, normalmente não em quantidades tão grandes.

Por isso, os impactos de asteroides são considerados a explicação mais provável. As maiores partículas observadas possuem dimensões comparáveis às do material lançado pelo impacto de Chicxulub, associado à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos.

Sequência aponta colisões de diferentes tamanhos

O padrão repetitivo das rochas mostra que Broom Point não foi formado por uma única catástrofe. Diferentes colisões teriam acrescentado, gradualmente, novos depósitos à sequência que hoje alcança dezenas de metros.

Alex Jones, do Imperial College London, afirmou que as camadas registram impactos de tamanhos variados, ocorridos a diferentes distâncias do local onde os detritos estavam se acumulando.

“Alguns impactos grandes aconteceram muito longe, outros pequenos, nas proximidades. Todos os seus detritos acabaram caindo aqui, construindo esta espessa seção de rocha”, disse Jones.

Algumas camadas também aparentam ter surgido a partir de fluxos de detritos rápidos, deslocados perto do solo. Na Terra, fenômenos parecidos podem ocorrer quando materiais extremamente quentes entram em contato com água ou gelo e produzem vapor instantaneamente.

A observação levanta a possibilidade de água ou gelo terem participado da formação dessas rochas marcianas. Essa hipótese, porém, ainda é apresentada como uma possibilidade, e não como uma conclusão confirmada.

Duas grandes colisões teriam transformado a região

Várias camadas estão atualmente inclinadas em ângulos superiores a 80 graus, ficando quase verticais. De acordo com os cientistas, o impacto responsável pela Cratera Jezero não explica sozinho uma inclinação tão acentuada.

Os pesquisadores acreditam que dois grandes asteroides atingiram a região em momentos distintos. A primeira colisão teria criado a Bacia de Isidis, com aproximadamente 1.930 quilômetros de diâmetro.

Esse impacto provavelmente inclinou e perturbou as camadas, que originalmente seriam planas. Posteriormente, outro asteroide criou a Cratera Jezero, com cerca de 45 quilômetros de extensão.

A segunda colisão teria fragmentado e elevado as rochas que já estavam inclinadas. Esse processo explicaria as estruturas observadas atualmente pelo Perseverance na borda da cratera.

Amostras podem revelar idade precisa das rochas

A equipe coletou duas amostras de núcleos de rocha, chamadas Bell Island e Main River. Caso uma missão futura consiga levá-las à Terra, instrumentos de laboratório poderão determinar com maior precisão a idade das formações.

As medições também poderão ajudar a estimar a frequência dos impactos de asteroides sobre o Marte primitivo e a Terra jovem. No planeta terrestre, grande parte desse registro desapareceu devido à constante remodelação provocada pela tectônica de placas.

Marte não possui tectônica de placas para reciclar sua crosta. Por isso, segundo Ken Farley, do Caltech, o planeta preservou um registro geológico antigo que já não existe de maneira equivalente na Terra.

Jones comparou a possível datação das camadas à leitura de “um boletim meteorológico cósmico de 4 bilhões de anos atrás”.

O estudo sobre as evidências encontradas pelo Perseverance foi publicado pela AGU.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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