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Objeto próximo da Terra foi tratado como asteroide por quase 30 anos, mas telescópios detectaram uma cauda fraca e revelaram que o 1998 SH2 é, na verdade, um cometa ativo cuja liberação de gás altera a órbita e pode ajudar cientistas a calcular com mais precisão riscos futuros de impacto
Escrito por Carla Teles
Publicado em 24/07/2026 às 17:48
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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Observações feitas em 2025 mostraram que o cometa 1998 SH2 não estava onde modelos gravitacionais indicavam, levando astrônomos a localizar uma cauda tênue e identificar jatos de gás capazes de modificar seu movimento, corrigir uma classificação mantida por décadas e refinar avaliações sobre objetos próximos da Terra e riscos futuros.
O cometa 1998 SH2 foi considerado um asteroide próximo da Terra desde sua identificação, mas observações realizadas em 28 de agosto de 2025 revelaram que o objeto estava fora da posição prevista. Astrônomos o procuravam a cerca de 3,2 milhões de quilômetros do planeta quando perceberam que uma força não gravitacional alterava sua órbita.
As informações foram publicadas pela Popular Science em 17 de julho de 2026, com base em observações feitas por telescópios no Havaí e no Chile e em um estudo divulgado na revista Nature Astronomy. As imagens mostraram uma cauda fraca, confirmando que o objeto libera gás e deve ser classificado como cometa.
Objeto não apareceu onde os cálculos indicavam
Os pesquisadores utilizaram o sistema de radar planetário da Rede de Espaço Profundo da NASA para procurar o objeto na região em que deveria estar. A previsão considerava dados gravitacionais reunidos durante órbitas anteriores ao redor do Sol.
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O radar foi direcionado para o ponto calculado, mas o 1998 SH2 não apareceu. A ausência indicou que seu movimento havia sido afetado por alguma força que não estava adequadamente representada no modelo orbital utilizado pelos astrônomos.
Órbita já apresentava alterações inesperadas
Antes da aproximação de 2025, os pesquisadores sabiam que a trajetória do objeto acumulava perturbações difíceis de explicar somente pela atração gravitacional do Sol, dos planetas e de outros corpos próximos.
Essas alterações levaram a equipe a reconsiderar a natureza do objeto. Caso ele estivesse expelindo gás, pequenos jatos poderiam atuar como propulsores naturais, produzindo mudanças discretas, mas mensuráveis, em sua velocidade e direção.
Telescópios ópticos localizaram o corpo celeste
Como o radar não encontrou o objeto na posição prevista, os astrônomos recorreram a telescópios ópticos para determinar sua localização real. Essa busca permitiu corrigir a direção dos instrumentos e acompanhar o corpo celeste durante sua aproximação.
A comparação entre a posição observada e a esperada ajudou a medir as forças não gravitacionais. Os resultados mostraram que o comportamento orbital não era compatível com um asteroide completamente inativo.
Cauda tênue revelou a verdadeira natureza do objeto
Astrônomos do Telescópio Canadá-França-Havaí, perto de Mauna Kea, participaram das observações, assim como equipes que utilizaram o Telescópio Dinamarquês, em La Silla, e o Very Large Telescope, no Cerro Paranal, ambos no Chile.
As imagens obtidas por esses observatórios revelaram uma estrutura fraca, porém definida, estendendo-se a partir do objeto. A cauda quase invisível confirmou que o cometa 1998 SH2 estava liberando material para o espaço.
Liberação de gás funciona como pequena propulsão
Cometas possuem gelo e poeira em sua composição. Quando se aproximam do Sol, a radiação aquece o material congelado, que pode passar diretamente para o estado gasoso e escapar da superfície.
Esse processo produz jatos capazes de exercer força sobre o núcleo. Embora a propulsão seja pequena, sua atuação repetida ao longo do tempo pode deslocar o cometa da trajetória prevista apenas por cálculos gravitacionais.
Sinais de atividade eram difíceis de observar
Cometas maiores ou mais ativos costumam desenvolver caudas brilhantes e uma coma facilmente identificável ao redor do núcleo. No caso do 1998 SH2, esses sinais permaneceram extremamente discretos.
O baixo nível de atividade contribuiu para a classificação equivocada. Sem uma cauda claramente visível, o objeto apresentava aparência semelhante à de um asteroide, apesar de liberar gás suficiente para alterar seu movimento.
Classificação permaneceu errada por 27 anos
O objeto recebeu a designação 1998 SH2 quando foi identificado no fim da década de 1990. Durante os 27 anos seguintes, permaneceu registrado e estudado como um asteroide próximo da Terra.
As últimas observações anteriores haviam ocorrido em 2016, e o corpo completou duas órbitas solares antes da aproximação de 2025. A longa distância entre as campanhas dificultou perceber que pequenas forças estavam modificando sua trajetória.
Asteroides e cometas possuem diferenças essenciais
Asteroides são geralmente corpos rochosos ou metálicos que orbitam o Sol e preservam materiais antigos da formação do Sistema Solar. Eles não costumam liberar gás de maneira comparável à atividade cometária.
Cometas, por sua vez, contêm misturas de gelo e poeira que podem se transformar quando recebem radiação solar. Essa diferença física afeta não apenas a aparência, mas também a forma como suas órbitas precisam ser calculadas.
Descoberta aproxima objeto dos chamados cometas escuros
O caso ajuda a compreender uma categoria conhecida como cometas escuros. Esses corpos apresentam perturbações orbitais associadas à liberação de material, mas não exibem facilmente caudas, comas ou outros sinais tradicionais.
O primeiro objeto desse tipo foi reconhecido em 2016, e aproximadamente uma dúzia já havia sido identificada. O cometa 1998 SH2 mostra que outros asteroides catalogados podem esconder níveis muito baixos de atividade.
Outros objetos podem precisar de reclassificação
Os autores do estudo defendem que corpos próximos da Terra com movimentos inesperados sejam examinados por telescópios suficientemente potentes. Imagens profundas podem revelar caudas ou comas fracas que escaparam de observações anteriores.
Essa abordagem pode levar a novas correções nos catálogos astronômicos. Um objeto classificado como asteroide pode exigir um modelo orbital diferente caso esteja liberando gás de forma quase imperceptível.
Erro de classificação afeta previsões orbitais
Prever a posição futura de um corpo depende de conhecer as forças que agem sobre ele. Quando os cálculos consideram apenas a gravidade, qualquer impulso causado por desgaseificação pode gerar diferenças progressivas entre a órbita calculada e a observada.
Em escalas curtas, o desvio pode parecer pequeno. Ao longo de anos ou décadas, porém, essas alterações podem modificar significativamente a região pela qual o objeto deverá passar.
Defesa planetária depende de trajetórias precisas
Programas de defesa planetária acompanham asteroides e cometas próximos da Terra para avaliar aproximações e possíveis riscos de impacto. Quanto mais precisa for a classificação, melhor será a estimativa sobre a evolução da órbita.
Detectar forças não gravitacionais permite atualizar os modelos antes que os desvios aumentem. Reconhecer um cometa disfarçado de asteroide pode impedir que previsões futuras sejam construídas sobre premissas incompletas.
Aproximação não significava impacto com a Terra
A passagem a cerca de 3,2 milhões de quilômetros foi suficientemente próxima para permitir observações detalhadas, mas a fonte não indicou que o objeto estivesse em rota de colisão com o planeta.
O interesse estava na diferença entre sua posição real e a prevista. O caso é relevante para a segurança planetária porque demonstra como atividades quase invisíveis podem interferir em cálculos de longo prazo.
Ciência corrigiu hipótese com novas observações
Os pesquisadores partiram da hipótese de que a perturbação orbital poderia ser provocada por atividade cometária. Em seguida, reuniram observações independentes realizadas por diferentes telescópios para procurar evidências visuais.
A cauda tênue forneceu a confirmação necessária. O episódio mostra como classificações científicas podem ser revistas quando dados novos contradizem uma explicação mantida durante décadas.
Cauda quase invisível mudou uma história de 27 anos
O cometa 1998 SH2 permaneceu conhecido como asteroide porque sua atividade era fraca demais para aparecer nas observações disponíveis. Somente quando deixou de estar no ponto previsto, os astrônomos buscaram com mais atenção os sinais responsáveis pelo desvio.
A descoberta corrige a identidade do objeto e oferece uma ferramenta para analisar outros corpos com trajetórias incomuns. Você imaginava que a liberação de pequenas quantidades de gás poderia alterar uma órbita e influenciar os cálculos usados na defesa planetária? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

