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Obra de drenagem num templo tailandês esbarrou num pote a 1,3 metro de profundidade e revelou 33 peças de ouro, prata e bronze enterradas há 1.300 anos

Obra de drenagem num templo tailandês esbarrou num pote a 1,3 metro de profundidade e revelou 33 peças de ouro, prata e bronze enterradas há 1.300 anos

7 min de leitura

Obra de drenagem num templo tailandês esbarrou num pote a 1,3 metro de profundidade e revelou 33 peças de ouro, prata e bronze enterradas há 1.300 anos

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 31/07/2026 às 12:09

Atualizado em 31/07/2026 às 12:17

Ciência e Tecnologia

Obra de drenagem em templo tailandês achou pote com 33 peças de ouro, prata e bronze de 1.300 anos sob a estátua do Buda reclinado mais antiga do país.

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O achado aconteceu em abril de 2025 no templo tailandês Wat Thammachak Sema Ram, na província de Nakhon Ratchasima. Operários instalavam drenagem sob a estátua do Buda reclinado mais antiga da Tailândia quando encontraram um recipiente de cerâmica com anéis de ouro, brincos de prata e ornamentos de bronze.

Uma obra de infraestrutura banal produziu um dos achados arqueológicos mais comentados da Tailândia nos últimos anos. Em 21 de abril de 2025, operários que instalavam um sistema de drenagem subterrâneo no sítio arqueológico de Phra Non, dentro do complexo do templo tailandês Wat Thammachak Sema Ram, no distrito de Sung Noen, esbarraram em um recipiente de cerâmica danificado a cerca de 1,3 metro de profundidade, sob a estátua do Buda reclinado.

Dentro do pote havia 33 ornamentos antigos de ouro, prata e bronze, atribuídos ao período Dvaravati. O anúncio foi feito pelo Departamento de Belas Artes da Tailândia em maio de 2025, e a descoberta foi detalhada em reportagem de Dario Radley publicada pela Archaeology News Online Magazine em 9 de maio daquele ano. As peças estão desde então no Museu Nacional de Phimai.

O que os operários estavam fazendo ali

Obra de drenagem em templo tailandês achou pote com 33 peças de ouro, prata e bronze de 1.300 anos sob a estátua do Buda reclinado mais antiga do país.

O trabalho não tinha nada de arqueológico na origem. A intenção era reduzir a umidade subterrânea acumulada em torno da base da estátua de arenito, problema recorrente em monumentos expostos ao tempo e que compromete a conservação da pedra a longo prazo.

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Foi durante a preparação desse sistema de escoamento que a pá encontrou a cerâmica. Vale registrar o que isso significa em termos práticos: não houve prospecção prévia, não houve levantamento geofísico, não houve hipótese de trabalho. O achado foi resultado direto de uma obra de manutenção, o que explica por que o recipiente já apareceu danificado.

O que havia dentro do pote

O conjunto de 33 peças reúne joalheria pessoal. Entre os itens estão anéis de ouro, brincos de prata e ornamentos variados de bronze, todos de pequenas dimensões e trabalhados com técnicas compatíveis com o período.

A peça que mais interessou aos arqueólogos foi um par de brincos de argola espiral de bronze. Esse modelo específico já havia sido documentado em outros dois sítios Dvaravati do país, Phu Khao Thong, na província de Ranong, e Tha Chana, na província de Surat Thani. É por essa comparação de tipologia, e não por datação de laboratório, que o conjunto foi atribuído a cerca de 1.300 anos atrás. A correspondência entre sítios distantes também sugere circulação de objetos e de técnicas por longas distâncias no Sudeste Asiático da época.

A segunda escavação encontrou peças religiosas

Obra de drenagem em templo tailandês achou pote com 33 peças de ouro, prata e bronze de 1.300 anos sob a estátua do Buda reclinado mais antiga do país.

Com o primeiro achado em mãos, a equipe ampliou a busca. Em 30 de abril de 2025, uma nova intervenção no mesmo local revelou três itens de caráter religioso, feitos de lâminas de ouro trabalhado em repuxado e de liga de chumbo e estanho, material chamado localmente de chin.

O mais impressionante do grupo é uma lâmina retangular de ouro medindo 8 por 12,5 centímetros, em bom estado de conservação, que representa um Buda sentado no gesto Vitarka Mudra, associado à transmissão de ensinamentos. A figura reúne traços característicos da arte Dvaravati: cachos espiralados no cabelo, auréola ampla, lóbulos das orelhas alongados e túnica caindo sobre um dos ombros. Um pequeno furo no canto superior direito indica que a peça pode ter sido usada como pendente ou fixada em algum suporte para exibição.

A placa em que Brahma aparece ao lado do Buda

O segundo item é uma placa decorativa de 11,5 por 15,5 centímetros com um Buda em pé emoldurado por um arco. Está danificada de um dos lados, mas preserva bastante detalhe. O Buda aparece ladeado por duas figuras auxiliares, e uma delas é interpretada como Phra Phrom, o nome tailandês do deus hindu Brahma.

Esse detalhe é mais relevante do que parece. A presença de uma divindade hindu ao lado do Buda em uma peça budista mostra o grau de mistura religiosa que existia na região no primeiro milênio. A placa guarda forte semelhança com outros trabalhos em repuxado do período Dvaravati, incluindo uma peça exposta na sala dedicada a essa arte no Museu Nacional de Bangkok, o que reforça a atribuição estilística.

O bloco de terra atrás da cabeça do Buda

Obra de drenagem em templo tailandês achou pote com 33 peças de ouro, prata e bronze de 1.300 anos sob a estátua do Buda reclinado mais antiga do país.

O terceiro item é o mais enigmático e também o mais frágil. Trata se de um pedaço de solo endurecido com três chapas de metal empilhadas embutidas, separadas por finas camadas de argamassa. Ele foi encontrado atrás da cabeça da estátua do Buda reclinado.

A posição é o que chama atenção. Chapas empilhadas e separadas por argamassa, depositadas em um ponto específico da estrutura, sugerem colocação ritual intencional, e não descarte ou perda. A hipótese levantada pelos arqueólogos é de que a área possa ter funcionado como esconderijo ou depósito cerimonial. O objeto seguia em estudo por causa do estado de conservação delicado.

A estátua que estava por cima de tudo

O Buda reclinado de Wat Thammachak Sema Ram é a peça central do sítio e um monumento nacional. Esculpido em arenito, mede cerca de 13 metros de comprimento e é apontado como o mais antigo e o mais longo do gênero na Tailândia.

A criação da escultura é situada em torno do ano 657, durante o reinado do rei Ramaraj de Ramburi, identificado por parte dos pesquisadores com Ayodhyapura. O sítio registra atividade desde o século VI, o que faz dele um dos pontos mais antigos de presença budista organizada naquela parte do país. Se a datação da estátua e a das peças forem próximas, o conjunto encontrado pode ter sido depositado como oferenda na própria construção do monumento, prática documentada em outros sítios Dvaravati como U Thong e Si Thep.

Quem foram os Dvaravati

O período Dvaravati se estende aproximadamente do século VI ao XI e corresponde a um conjunto de comunidades budistas que ocupavam boa parte do território da atual Tailândia antes da ascensão do Império Khmer e, muito depois, do Reino de Ayutthaya. Não era um império centralizado, e sim uma rede de centros urbanos que compartilhavam língua, religião e repertório artístico.

Justamente por ter sido ofuscada pelos vizinhos mais bem documentados, essa cultura recebeu menos atenção acadêmica do que merece. O Departamento de Belas Artes avaliou que o achado pode ampliar o entendimento sobre a arte budista antiga no planalto de Khorat, região do nordeste tailandês historicamente tratada como periférica em relação aos grandes sítios Dvaravati do centro do país.

Onde as peças estão agora

Thotsaphon Srisaman, diretor do 10º Escritório Regional de Belas Artes em Nakhon Ratchasima, encaminhou os objetos ao Museu Nacional de Phimai, onde passaram por catalogação e conservação. As lâminas em repuxado são especialmente frágeis e exigem tratamento cuidadoso antes de qualquer manuseio ou exposição.

Convém marcar o calendário desta história com clareza: o achado é de abril de 2025 e o anúncio oficial é de maio de 2025. O material continua em estudo, e não localizei registro público mais recente sobre conclusões de análise, datação absoluta ou entrada das peças em exposição permanente. Qualquer novidade sobre o conjunto dependerá da publicação de novos resultados pelo próprio Departamento de Belas Artes.

E você, imagina abrir uma vala para instalar um cano e esbarrar em um pote com anéis de ouro de mil e trezentos anos? Conta aqui nos comentários se você já ouviu falar de algum achado parecido em obra no Brasil, e o que acha que deveria acontecer com peças encontradas assim por acaso.

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obra


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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