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Obra de moradias militares a 5 km de Stonehenge revela vestígios de dois postes separados por 120 metros que podem ter marcado os solstícios 500 anos antes das pedras gigantes
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/07/2026 às 11:27
Atualizado em 31/07/2026 às 11:28
Curiosidades
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Escavações realizadas antes da construção de moradias militares encontraram 48 fossas neolíticas e vestígios de dois postes separados por 120 metros, que podem ter formado um monumento solar alinhado aos solstícios aproximadamente 500 anos antes das famosas pedras de Stonehenge.
Vestígios encontrados durante a construção de acomodações militares em Bulford, na Inglaterra, revelaram uma possível estrutura solar erguida por comunidades neolíticas há aproximadamente cinco mil anos, apenas cinco quilômetros a leste de Stonehenge.
O conjunto teria sido formado por dois grandes postes de madeira, instalados sobre uma colina e separados por aproximadamente 120 metros. A linha entre eles coincide com o nascer do sol no solstício de verão e, no sentido contrário, com o pôr do sol no solstício de inverno.
As fossas nas quais os postes teriam sido fixados foram encontradas durante escavações realizadas entre 2015 e 2017 pela Wessex Archaeology. Os trabalhos antecederam um empreendimento do Ministério da Defesa britânico destinado a alojar militares e suas famílias na região de Salisbury Plain.
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A estrutura foi datada de aproximadamente 2950 a.C. e pertence ao mesmo período da primeira fase de Stonehenge. Entretanto, é cerca de 450 a 500 anos anterior à instalação dos grandes blocos de arenito que formam a imagem mais conhecida do monumento britânico.
Dois postes formavam uma linha de 120 metros
Segundo o comunicado oficial da Wessex Archaeology, as duas fossas maiores teriam sustentado postes de madeira colocados a 120 metros um do outro.
Os arqueólogos estimam que cada poste poderia ter entre três e quatro metros de altura. A estimativa considera a profundidade das fossas, que chegavam a aproximadamente um metro, e os fragmentos de giz utilizados para sustentar as estruturas verticais.
Nenhuma parte dos postes permanece preservada. O material orgânico desapareceu ao longo dos milênios, deixando no terreno somente as fossas e o preenchimento empregado para fixar a madeira.
A equipe acredita que os postes funcionavam como pontos de referência no horizonte. Observados de determinada posição, eles formariam uma espécie de mira direcionada para o local em que o Sol surgia durante o solstício de verão.
Vista no sentido oposto, a mesma linha apontaria para o pôr do sol no solstício de inverno. Os solstícios correspondem aos momentos do ano com maior e menor duração da luz do dia no Hemisfério Norte.
A orientação foi estudada pelo arqueólogo de paisagens celestes Fabio Silva. A análise reconstruiu a posição do Sol, o relevo e o horizonte de Bulford por volta de 2950 a.C. e encontrou uma correspondência com os solstícios dentro de uma margem aproximada de um grau.
Datação coloca estrutura no início da história de Stonehenge
A área de Bulford apresentou 48 fossas neolíticas espalhadas pelo topo e pela encosta da colina. Datações obtidas a partir de materiais orgânicos associados a esse conjunto ficaram concentradas em torno de 2950 a.C.
Um estudo publicado na revista acadêmica Internet Archaeology, de autoria do arqueólogo Matt Leivers, registra que as análises foram realizadas principalmente em ossos de animais e cascas de avelã carbonizadas encontradas nas estruturas.
A cronologia posiciona a ocupação de Bulford no começo do terceiro milênio antes de Cristo, simultaneamente à primeira etapa da construção de Stonehenge.
Naquele momento, Stonehenge ainda não apresentava o conjunto de pedras monumentais existente atualmente. Sua primeira fase era composta principalmente por um fosso circular, um talude e cavidades abertas no terreno.
As grandes pedras de arenito conhecidas como sarsens foram instaladas posteriormente, aproximadamente em 2500 a.C. A possível estrutura solar de Bulford, portanto, pode indicar que comunidades da região já acompanhavam os solstícios vários séculos antes dessa transformação.
Os pesquisadores consideram possível que os habitantes de Bulford conhecessem Stonehenge. Também existe a hipótese de que integrantes da mesma comunidade tenham participado das atividades nos dois lugares, embora essa ligação não possa ser demonstrada diretamente.
Cerâmicas, ferramentas e ossos indicam grandes encontros
As fossas de Bulford continham uma concentração expressiva de objetos e resíduos. Entre os materiais recuperados estavam cerâmicas, ossos de animais, carvão, ferramentas de sílex, restos da produção dessas ferramentas, machados, chifres e contas.
Em 38 das fossas, os arqueólogos contabilizaram mais de 1.300 fragmentos de cerâmica do estilo Woodlands Grooved Ware. Esse tipo de cerâmica pertence ao Neolítico tardio e ajuda a relacionar a ocupação ao período inicial de Stonehenge.
Os depósitos também continham ossos de auroques, espécie extinta de bovino selvagem, além de outros restos de animais. A quantidade de materiais e a maneira como alguns objetos foram colocados indicam atividades domésticas, refeições coletivas e possíveis práticas cerimoniais.
A Wessex Archaeology interpreta o local como um provável ponto de encontro usado durante um período relativamente curto. Para a instituição, grupos numerosos podem ter se reunido na colina para compartilhar alimentos e acompanhar o ciclo anual do Sol.
Essa possível função cerimonial, entretanto, é uma interpretação baseada na combinação entre os depósitos, a paisagem e o alinhamento. Não existem registros escritos capazes de revelar exatamente o significado religioso ou social atribuído ao local.
Raro objeto circular foi encontrado sobre a linha solar
Uma das fossas menores situadas aproximadamente sobre a linha dos postes continha uma rara ferramenta discoidal de sílex. O objeto foi cuidadosamente trabalhado para apresentar formato circular.
Os arqueólogos levantaram a possibilidade de que a peça representasse o disco solar. Sua forma e posição reforçariam, segundo essa interpretação, a relação do conjunto com a observação do Sol.
O significado do objeto, porém, não está comprovado. A ferramenta pode ter sido depositada por razões simbólicas, práticas ou cerimoniais que já não podem ser determinadas.
Outros materiais encontrados nas fossas também parecem ter sido colocados de maneira organizada. O estudo arqueológico observa que alguns depósitos apresentavam quantidade incomum de objetos especiais em comparação com resíduos cotidianos.
Essa característica apoia a possibilidade de atividades cerimoniais, mas não permite afirmar quais ritos eram realizados ou quais divindades poderiam ter sido reverenciadas.
Intencionalidade do alinhamento ainda é discutida
Embora a linha entre as fossas coincida com as posições do Sol nos solstícios, especialistas independentes recomendam cautela antes de considerar o local um observatório ou monumento solar confirmado.
Jim Leary, professor de arqueologia de campo da Universidade de York, declarou à National Geographic que dois buracos não constituem, isoladamente, uma evidência particularmente convincente. Para ele, uma fileira maior de postes fortaleceria a interpretação.
O arqueólogo Vince Gaffney, da Universidade de Bradford, apresentou avaliação semelhante. Como dois pontos sempre podem ser ligados por uma linha, permanece difícil demonstrar que a orientação foi deliberada e não uma coincidência.
Os especialistas reconhecem, contudo, que uma estrutura desse tipo seria compatível com o período. Comunidades neolíticas da Grã-Bretanha e da Irlanda construíram outros monumentos relacionados aos movimentos anuais do Sol.
Por isso, a interpretação considerada mais segura é que Bulford contém duas antigas fossas de postes cuja orientação corresponde aos solstícios. A utilização consciente dessa linha para celebrações solares é uma hipótese relevante, apoiada pelo contexto arqueológico, mas ainda não comprovada definitivamente.
Paisagem permaneceu ocupada por milhares de anos
A área destinada às moradias militares apresentou vestígios de diferentes períodos históricos. Além das fossas neolíticas, as escavações identificaram estruturas circulares pré-históricas, enterramentos anglo-saxões e instalações militares dos séculos XX.
Essa sucessão mostra que a colina de Bulford foi utilizada e transformada repetidamente por diferentes populações. Para os pesquisadores, os achados ampliam a compreensão de Stonehenge como parte de uma paisagem cerimonial extensa, e não como uma construção isolada.
Se a orientação dos postes tiver sido intencional, o conjunto representará a evidência mais antiga conhecida de um alinhamento preciso com os solstícios na paisagem de Stonehenge. Nesse cenário, as ideias posteriormente expressas pelas grandes pedras já estariam sendo experimentadas com madeira cerca de cinco séculos antes.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

