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Obras para transformar imóveis antigos em um hotel no centro histórico de Toledo revelaram 35 painéis de madeira pintados há cerca de 700 anos, reutilizados como piso e cobertos por reis, cavaleiros e sábios da corte medieval

Obras para transformar imóveis antigos em um hotel no centro histórico de Toledo revelaram 35 painéis de madeira pintados há cerca de 700 anos, reutilizados como piso e cobertos por reis, cavaleiros e sábios da corte medieval

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Obras para transformar imóveis antigos em um hotel no centro histórico de Toledo revelaram 35 painéis de madeira pintados há cerca de 700 anos, reutilizados como piso e cobertos por reis, cavaleiros e sábios da corte medieval

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 31/07/2026 às 19:48

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Encontrados durante obras realizadas em 2018 no centro histórico de Toledo, 35 painéis medievais ganharam nova visibilidade após restauração e exposição em Madri, revelando pinturas ligadas ao poder, à guerra e ao conhecimento que permaneceram escondidas na estrutura de um imóvel.

Encontrados em 2018 durante uma obra destinada a transformar imóveis antigos em um hotel, no centro histórico de Toledo, 35 painéis de madeira policromada escondidos na estrutura do edifício voltaram a chamar atenção após serem restaurados e apresentados ao público em Madri.

Embora conservassem pinturas ligadas à corte medieval, as peças haviam sido reaproveitadas como elementos de sustentação do piso, permanecendo fora de vista até que o acompanhamento arqueológico das intervenções identificasse que aquelas tábuas não eram simples materiais de construção.

O conjunto surgiu em um prédio próximo à Catedral de Toledo, na área da Bajada del Pozo Amargo, onde os trabalhos expuseram figuras humanas, símbolos de poder, cenas relacionadas à guerra e personagens associados ao conhecimento medieval.

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Segundo o Museu Arqueológico Nacional da Espanha, as 35 tábuas foram recuperadas durante a reabilitação do imóvel e datadas entre a segunda metade do século XIII e os primeiros anos do século XIV, período de intensa atividade cortesã em Castela.

Para a instituição, o conjunto representa um achado excepcional da arqueologia urbana de Toledo, tanto pela quantidade de peças preservadas quanto pela variedade de imagens, inscrições e símbolos que permaneceram protegidos dentro da estrutura do edifício ao longo do tempo.

Painéis medievais ficaram escondidos sob o piso

Obras em Toledo revelam 35 painéis medievais de 700 anos, reutilizados como piso e pintados com reis, cavaleiros e sábios da corte espanhola.

Descobertas em 2018, as pinturas chamaram atenção sobretudo pela forma como sobreviveram, já que, depois de perderem sua função decorativa original, as tábuas foram incorporadas à construção e passaram a sustentar parte do piso durante vários séculos.

Ao serem retiradas da estrutura, as superfícies ainda conservavam cores, traços, inscrições e elementos figurativos, permitindo observar detalhes de personagens, roupas, objetos, armas e emblemas que acompanharam as sucessivas transformações do imóvel sem desaparecer completamente.

Diferentemente de peças decoradas apenas com padrões geométricos, os painéis de Toledo reúnem personagens coroados, integrantes do ambiente cortesão, figuras armadas e referências ao universo intelectual da Idade Média, compondo uma sequência visual sobre prestígio, guerra e conhecimento.

Reis, cavaleiros e estudiosos aparecem nas pinturas

Entre os motivos reconhecidos aparecem figuras associadas à monarquia e à elite da época, além de cavaleiros, armamentos, emblemas e personagens ligados ao estudo, elementos que organizam a leitura das obras em torno da corte, da guerra e do saber.

A datação divulgada pelo museu aproxima as pinturas dos reinados de Afonso X, conhecido como o Sábio, Sancho IV e Fernando IV, fase marcada por manuscritos ilustrados, circulação de especialistas e uso intenso de imagens para representar autoridade.

Nesse ambiente, coroas distinguiam personagens de alta posição, equipamentos militares remetiam ao prestígio dos guerreiros e figuras ligadas ao saber demonstravam o espaço ocupado pela escrita e pelo conhecimento no cotidiano das elites castelhanas medievais.

Obras em Toledo revelam 35 painéis medievais de 700 anos, reutilizados como piso e pintados com reis, cavaleiros e sábios da corte espanhola.

Também se percebe uma proximidade visual com o universo das Cantigas de Santa Maria, coleção produzida durante o reinado de Afonso X e conhecida por retratar personagens, vestimentas e elementos simbólicos relacionados à sociedade medieval.

Centro histórico de Toledo preserva séculos de ocupação

Por reunir comunidades, tradições artísticas e atividades políticas ao longo da Idade Média, Toledo acumulou camadas de ocupação em seu centro histórico, onde construções foram adaptadas repetidamente e ainda escondem elementos incorporados a paredes, coberturas e pisos.

A proximidade com a catedral ajuda a contextualizar a origem das peças, pois a Bajada del Pozo Amargo integra o antigo bairro dos Canónigos, área historicamente ligada à vida religiosa, administrativa e intelectual da cidade medieval espanhola.

Foi justamente o acompanhamento arqueológico da obra que permitiu reconhecer o valor das pinturas antes que fossem tratadas apenas como madeira antiga, etapa decisiva para documentar, retirar e conservar um material sensível à umidade, à luz e ao contato físico.

Restauração revelou detalhes preservados por séculos

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Depois da recuperação e dos trabalhos de restauração, 26 das 35 peças foram apresentadas em 2026 pelo Museu Arqueológico Nacional, em Madri, na mostra dedicada às imagens da corte medieval de Toledo e à trajetória desses objetos.

Mais do que obras de arte, as tábuas funcionam como documentos históricos, porque preservam roupas, gestos, armas, símbolos e formas de representação capazes de ampliar o conhecimento sobre uma época normalmente estudada por textos, edifícios religiosos e coleções dispersas.

Cada painel corresponde a um fragmento de uma composição mais ampla e, mesmo sem formar uma narrativa contínua em todas as partes, reúne referências visuais que permitem comparar estilos, técnicas e símbolos usados por artistas ligados ao ambiente urbano e cortesão.

Inscrições e sinais heráldicos ampliam o interesse do conjunto ao relacionar personagens, famílias, cargos e instituições ao contexto das pinturas, enquanto detalhes de vestuário e equipamento fornecem informações adicionais sobre a cultura material daquele período.

Em centros históricos ocupados continuamente durante séculos, achados importantes nem sempre surgem em grandes escavações subterrâneas, pois também podem permanecer incorporados a paredes, coberturas e pisos de imóveis que mudaram de função repetidas vezes.

Você imaginaria que reis, cavaleiros, estudiosos e outros personagens ligados à corte medieval pudessem permanecer durante séculos escondidos sob o piso de um imóvel comum, enquanto moradores e trabalhadores passavam diariamente sobre as pinturas sem conhecer sua existência?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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