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Obras para transformar uma mansão do século XVIII em museu atravessaram o pátio e revelaram um castelo de 640 anos, com paredes de 5,6 metros, escadarias, fosso, joias e chaves preservadas sob a construção

Obras para transformar uma mansão do século XVIII em museu atravessaram o pátio e revelaram um castelo de 640 anos, com paredes de 5,6 metros, escadarias, fosso, joias e chaves preservadas sob a construção

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Obras para transformar uma mansão do século XVIII em museu atravessaram o pátio e revelaram um castelo de 640 anos, com paredes de 5,6 metros, escadarias, fosso, joias e chaves preservadas sob a construção

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 01/08/2026 às 00:24

Construção

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Fotografia tirada em meio às escavações do castelo na França / Crédito: Divulgação/Inrap/Emmanuelle Collado

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Escavações sob uma mansão francesa revelaram um castelo medieval de 42 metros, com paredes gigantes, fosso, moinho, joias, moedas e objetos de madeira.

Uma intervenção planejada para transformar uma antiga mansão de Vannes, no oeste da França, em um novo museu de belas-artes acabou expondo uma construção muito maior e mais antiga escondida sob o imóvel. As escavações realizadas no pátio e nas adegas do Hôtel Lagorce revelaram partes extensas do Château de l’Hermine, residência fortificada erguida pelo duque João IV da Bretanha durante a década de 1380.

O conjunto medieval permaneceu soterrado durante séculos sob edificações posteriores. Quando o solo foi aberto, apareceram paredes com até 5,6 metros de espessura, escadarias, latrinas, tubulações, um moinho hidráulico e o fosso que cercava o castelo.

A umidade do terreno também preservou moedas, joias, utensílios de cozinha, peças de roupas, fivelas, chaves, cadeados e objetos de madeira ligados à rotina de quem ocupou a fortaleza há mais de seis séculos.

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Reforma do Hôtel Lagorce revelou o Château de l’Hermine

O Hôtel Lagorce ocupa uma área diretamente ligada à antiga residência dos duques da Bretanha. O edifício atual foi levantado no fim do século XVIII sobre partes do castelo medieval que já estavam arruinadas.

Fotografia tirada em meio a escavação de castelo sob hotel na França – Divulgação/Inrap/Emmanuelle Collado

Antes da reforma para instalar o museu, uma investigação realizada em 2021 confirmou que estruturas medievais ainda existiam sob a mansão. A constatação levou à abertura de uma escavação arqueológica mais ampla.

Os trabalhos avançaram pelo pátio e pelas adegas em uma área total de aproximadamente 2.320 metros quadrados. O que inicialmente parecia formado por fragmentos isolados revelou parte substancial da antiga fortaleza.

Castelo medieval tinha 42 metros de comprimento e quatro andares

As escavações permitiram reconstruir o desenho do pavimento térreo da residência ducal. O edifício principal media aproximadamente 42 metros de comprimento por 17 metros de largura.

As paredes apresentavam espessura excepcional, chegando a cerca de 5,6 metros em determinados pontos. A construção era ladeada por um fosso e possuía ao menos uma grande torre de planta quadrada.

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A posição das tubulações e das estruturas sanitárias indica que o castelo provavelmente tinha três ou quatro pavimentos. Sua escala mostra que não se tratava apenas de uma fortificação, mas de um complexo residencial de grande porte.

Escadaria medieval permaneceu preservada sob a mansão

Entre as estruturas encontradas estavam diferentes escadas usadas para circular entre os ambientes. Uma delas dava acesso ao setor onde funcionava o moinho incorporado ao próprio castelo.

Outra escadaria, associada aos espaços de representação do duque, permaneceu em estado de conservação incomum. Parte do núcleo decorado e dos primeiros degraus ainda podia ser reconhecida.

O projeto incluía até um espaço junto à janela onde uma pessoa poderia se sentar. O detalhe indica que a arquitetura conciliava defesa, circulação interna e conforto dentro da residência ducal.

Moinho hidráulico funcionava dentro do Château de l’Hermine

Uma das estruturas mais surpreendentes era um moinho integrado ao edifício residencial. Um canal ligado ao rio Marle conduzia água por baixo da construção e movimentava o equipamento.

A roda de madeira não sobreviveu, mas os arqueólogos identificaram o local onde o mecanismo girava. Também foi localizada uma abertura protegida por grade por onde a água saía em direção ao fosso.

A presença do moinho mostra que o castelo possuía infraestrutura própria para atender necessidades cotidianas. A residência não dependia apenas das áreas externas da cidade para processar produtos e manter suas atividades.

Fosso medieval escondia chaves, cadeados, joias e moedas

O fosso que cercava a fortaleza funcionou como uma cápsula arqueológica. Materiais perdidos, descartados ou levados pela água permaneceram acumulados em um ambiente úmido durante séculos.

Entre os objetos recuperados estavam moedas, joias, alfinetes, fivelas de sapatos, recipientes metálicos, chaves e cadeados. Também apareceram fragmentos de roupas e utensílios relacionados ao preparo de alimentos.

Estrutura encontrada nas escavações / Crédito: Divulgação/Inrap/Emmanuelle Collado

Essas peças ajudam a reconstruir aspectos da vida cotidiana que não aparecem apenas nas grandes paredes. Elas revelam como as pessoas se vestiam, guardavam seus pertences, cozinhavam e circulavam pelo castelo.

Água preservou objetos de madeira durante centenas de anos

A umidade que dificultou parte das escavações também criou condições especiais de conservação. Materiais orgânicos que normalmente desapareceriam permaneceram protegidos pela falta de oxigênio no solo encharcado.

Os pesquisadores recuperaram tigelas, fragmentos de barris e outras peças de madeira. Esses materiais são especialmente importantes porque raramente sobrevivem por períodos tão longos em sítios arqueológicos.

O conjunto permite estudar não apenas a arquitetura monumental, mas os objetos comuns usados diariamente. A descoberta aproxima a pesquisa da rotina real dos moradores, funcionários e trabalhadores da residência.

Ponte de madeira atravessava o fosso do castelo medieval

Vestígios encontrados no fosso indicaram a existência de uma ponte de madeira usada para acessar a fortaleza. A estrutura era essencial para atravessar a área alagada que protegia o edifício.

Partes do sistema de passagem permaneceram enterradas próximas às paredes revestidas de pedra. O achado ajuda a explicar como o acesso era controlado entre a cidade e os espaços reservados ao duque.

O castelo foi construído como residência e estrutura defensiva. Torres, paredes espessas, água e acessos controlados formavam um conjunto capaz de proteger seus ocupantes sem eliminar o caráter palaciano.

Construção do castelo mobilizou engenheiros e artesãos de elite

A análise das paredes mostrou grande uniformidade entre os materiais e os blocos utilizados. As dimensões padronizadas indicam controle rigoroso desde a extração das pedras até a colocação no edifício.

Parte do castelo descoberto em Vannes, na França / Crédito: Divulgação/Inrap/Rozenn Battais

A maior parte da residência parece ter sido construída em uma única grande fase. Isso exigiria enorme concentração de trabalhadores, recursos financeiros, transporte e conhecimento de engenharia.

A qualidade das estruturas indica que João IV reuniu profissionais altamente especializados. Mesmo depois de séculos de abandono, partes essenciais permaneceram reconhecíveis sob o edifício construído posteriormente.

João IV construiu a fortaleza na década de 1380

O Château de l’Hermine foi encomendado por João IV, duque da Bretanha, em uma área integrada às muralhas de Vannes. A construção ocorreu principalmente entre 1380 e 1385.

A posição permitia controlar uma parte estratégica da cidade e, ao mesmo tempo, estabelecer uma residência ducal. O complexo incluía o edifício principal, torres, pátios, dependências, estábulos e outras instalações.

O nome fazia referência ao arminho, símbolo associado à Bretanha e às insígnias do duque. Durante décadas, o lugar recebeu acontecimentos políticos e familiares ligados à casa ducal.

Mudança para Nantes iniciou o abandono do castelo

A importância política do Château de l’Hermine diminuiu depois que a administração ducal foi transferida para Nantes, por volta de 1460. Partes de projetos planejados para a área deixaram de ser executadas.

Nas décadas seguintes, a residência perdeu gradualmente sua função central. O complexo entrou em processo de abandono, alteração e reaproveitamento de suas estruturas.

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Em 1697, pedras das ruínas foram destinadas a reparos nas muralhas de Vannes e a obras na região portuária. A antiga fortaleza passou a funcionar como fonte de material para novas construções.

Mansão foi construída sobre as ruínas em 1798

Julien Lagorce comprou a área onde permaneciam duas torres parcialmente demolidas. Em 1798, ele destruiu as estruturas restantes e construiu no terreno um estabelecimento conhecido posteriormente como Hôtel Lagorce.

O prédio sofreu modificações ao longo dos séculos XIX e XX. Já recebeu atividades ligadas ao Exército, órgãos públicos, uma escola de Direito e instituições culturais.

A construção permaneceu sobre o castelo sem que toda a dimensão das ruínas fosse conhecida. Somente as investigações recentes mostraram quanto da estrutura medieval continuava preservado no subsolo.

Projeto de museu revelou uma cidade escondida sob Vannes

A descoberta ocorreu porque o imóvel precisava ser estudado antes da adaptação para uso museológico. A arqueologia preventiva permitiu investigar o terreno antes das intervenções definitivas.

As escavações mudaram a compreensão sobre o Château de l’Hermine. Em vez de poucos fragmentos dispersos, surgiu uma construção extensa, tecnicamente sofisticada e ligada diretamente ao poder dos duques da Bretanha.

O projeto que pretendia dar uma nova função cultural à mansão revelou que o próprio terreno já guardava um patrimônio monumental. Sob o edifício do século XVIII havia paredes, máquinas, passagens e objetos de um castelo medieval praticamente apagado da superfície.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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