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Operários reformam antiga mansão no sul da França e, ao retirar papel de parede e gesso, encontram mural de Paul Cézanne com mastros, bandeirolas e edifícios portuários, escondido por mais de um século e reconhecido como a décima pintura do grande salão da propriedade de 12,3 acres

Operários reformam antiga mansão no sul da França e, ao retirar papel de parede e gesso, encontram mural de Paul Cézanne com mastros, bandeirolas e edifícios portuários, escondido por mais de um século e reconhecido como a décima pintura do grande salão da propriedade de 12,3 acres

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Operários reformam antiga mansão no sul da França e, ao retirar papel de parede e gesso, encontram mural de Paul Cézanne com mastros, bandeirolas e edifícios portuários, escondido por mais de um século e reconhecido como a décima pintura do grande salão da propriedade de 12,3 acres

Escrito por Carla Teles

Publicado em 24/07/2026 às 15:01

Curiosidades

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Mural de Paul Cézanne na Bastide du Jas de Bouffan, em Aix-en-Provence, revela Entrada do Porto no grande salão.

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Obra marítima de cerca de seis metros quadrados apareceu sob papel de parede e gesso na Bastide du Jas de Bouffan, em Aix-en-Provence, enquanto especialistas autenticaram o mural de Paul Cézanne e revisaram a sequência das pinturas feitas pelo artista nas paredes da residência familiar comprada em 1859 pelo pai.

Operários encontraram um mural de Paul Cézanne durante a reforma da Bastide du Jas de Bouffan, mansão ligada à família do pintor em Aix-en-Provence, no sul da França. Descoberta em agosto de 2023 sob papel de parede e gesso, a obra preserva mastros, bandeirolas, céu e elementos de uma paisagem portuária.

As informações foram publicadas pela Smithsonian Magazine em 27 de fevereiro de 2024 e pela Artnet News em 20 de fevereiro de 2024. Especialistas da Société Paul Cézanne autenticaram os fragmentos e reconheceram a composição como a décima pintura realizada diretamente nas paredes do grande salão da propriedade.

Reforma revelou cores sob camadas antigas

Imagem: Reprodução/IA.

A descoberta ocorreu enquanto trabalhadores removiam revestimentos acumulados ao longo da história da mansão. Sob o papel de parede e o gesso, começaram a aparecer áreas pintadas que não correspondiam à decoração mais recente do imóvel.

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Os fragmentos revelaram uma cena marítima parcialmente preservada, com mastros atravessando o céu, bandeirolas ao vento e formas arquitetônicas nas laterais. O conjunto indicava que não se tratava de uma simples pintura ornamental adicionada por antigos moradores.

Mural ocupa cerca de seis metros quadrados

A área original atribuída à obra mede aproximadamente 64 pés quadrados, equivalentes a cerca de seis metros quadrados. As partes laterais e a faixa superior permaneceram na parede, mas grandes trechos centrais e inferiores já não estavam presentes.

As bordas irregulares mostram que segmentos foram removidos em algum momento anterior. Mesmo incompleto, o mural de Paul Cézanne conserva elementos suficientes para permitir sua identificação, autenticação e estudo dentro da produção inicial do artista.

Cena recebeu o nome de Entrada do Porto

Imagem: Reprodução/IA.

A pintura passou a ser chamada de Entrée du port, ou Entrada do Porto. O título decorre da composição visível, formada por elementos associados a navios e construções situadas junto a uma área portuária.

Não há uma representação completa que permita reconstruir todos os detalhes com certeza. Ainda assim, mastros, flâmulas e edifícios sugerem uma paisagem marítima inspirada em modelos pictóricos conhecidos pelo jovem Cézanne.

Mansão pertenceu à família do pintor

Louis-Auguste Cézanne, pai do artista, comprou a Bastide du Jas de Bouffan em 1859. A residência ficava em uma propriedade de aproximadamente 12,3 acres, cercada por áreas verdes, vinhedos e pomares.

Paul Cézanne utilizou o local como ambiente de experimentação e trabalho. A propriedade funcionou como uma espécie de laboratório artístico, onde ele produziu pinturas a óleo, aquarelas e composições diretamente sobre as paredes.

Historiadores conheciam apenas nove murais

Antes da reforma, acreditava-se que Cézanne havia produzido nove pinturas murais no grande salão. Essas obras estavam registradas no catálogo especializado publicado pelo historiador da arte John Rewald em 1996.

Quando Cézanne e suas irmãs venderam a propriedade em 1899, os nove murais conhecidos foram retirados das paredes e transferidos para telas. Posteriormente, acabaram distribuídos por museus de diferentes países.

Décima pintura permaneceu escondida

Ao contrário das outras obras, partes da cena portuária continuaram presas à estrutura do salão. As bordas foram cobertas com gesso e permaneceram invisíveis por mais de um século.

O mural de Paul Cézanne não aparecia no catálogo de 1996 porque sua existência era desconhecida. A descoberta obrigou especialistas a rever a quantidade de pinturas feitas no salão e a história das intervenções realizadas naquele espaço.

Outra obra cobriu parte da composição

Especialistas acreditam que Cézanne cobriu parcialmente a cena marítima em 1864 ao produzir Jeu de cache-cache, traduzida como Jogo de Esconde-Esconde. Essa pintura reinterpretava uma composição do artista francês Nicolas Lancret.

A sobreposição ajuda a explicar a perda de parte da imagem original. O artista aparentemente reutilizou a própria parede, substituindo ou cobrindo uma composição anterior enquanto desenvolvia novas experiências visuais.

Influências podem ter vindo de pintores de portos

A cena marítima pode ter recebido influência de Claude-Joseph Vernet ou Claude Lorrain, artistas conhecidos por representar portos, embarcações, arquitetura costeira e efeitos atmosféricos.

Essa interpretação ainda depende do estudo dos fragmentos preservados. As referências ajudam, porém, a compreender quais modelos artísticos estavam disponíveis durante a formação de Cézanne e como ele poderia ter adaptado essas imagens ao grande salão.

Autenticação envolveu especialistas em Cézanne

Um pequeno grupo de pesquisadores foi convidado a examinar a descoberta antes de sua divulgação pública. Entre eles estava Mary Tompkins Lewis, especialista na obra de Cézanne, que descreveu o impacto provocado pela primeira observação dos fragmentos.

A autenticação foi atribuída à Société Paul Cézanne. O reconhecimento institucional reduziu as dúvidas sobre a autoria e permitiu incorporar a obra à compreensão acadêmica da produção inicial do pintor.

Descoberta altera a cronologia do salão

Imagem: Reprodução/IA.

A existência de uma décima pintura torna mais complexa a sequência em que Cézanne decorou as paredes da residência. Agora, pesquisadores precisam determinar quando a cena portuária foi criada, modificada e parcialmente coberta.

Essa cronologia pode revelar mudanças técnicas e estéticas do artista. O salão registra uma passagem entre pinturas decorativas e obras nas quais Cézanne começava a afirmar uma linguagem mais pessoal.

Fragmentos são o último testemunho no local

Os nove murais conhecidos foram removidos e hoje estão dispersos em instituições como o Musée d’Orsay, o Petit Palais, o Chrysler Museum of Art e o Nakata Museum. A nova descoberta permaneceu ligada à parede original.

Por isso, autoridades locais classificaram o conjunto como um testemunho fundamental da presença artística de Cézanne na mansão. É uma obra que continua no mesmo ambiente em que foi concebida e executada.

Reforma preparava a propriedade para o público

A restauração da Bastide du Jas de Bouffan estava relacionada às celebrações dedicadas a Cézanne em Aix-en-Provence. O projeto pretendia recuperar a residência e apresentar ao público as ligações entre o imóvel, a juventude do artista e sua produção.

A descoberta aumentou o valor histórico e cultural do percurso. Além da arquitetura e das obras já documentadas, visitantes poderiam conhecer uma pintura que permaneceu desconhecida durante gerações.

Mansão funcionava como ateliê a céu aberto

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Cézanne não limitava sua atividade a um cômodo fechado. A propriedade, seus jardins, árvores, construções e paisagens ofereciam temas e espaços nos quais o pintor podia observar e experimentar.

A Bastide du Jas de Bouffan participou diretamente do desenvolvimento de sua obra. O mural reforça que até as paredes internas foram utilizadas como suporte para testes, referências históricas e composições de grande formato.

Obra incompleta ainda pode revelar novos detalhes

Análises técnicas podem identificar pigmentos, camadas, marcas de aplicação e relações entre a cena portuária e a pintura que a cobriu. Esses dados ajudam a reconstruir etapas do processo criativo sem restaurar artificialmente partes perdidas.

Os pesquisadores também podem comparar materiais e métodos com outras obras do mesmo período. Mesmo fragmentado, o mural de Paul Cézanne continua oferecendo informações sobre escolhas realizadas pelo artista no início de sua trajetória.

Parede escondia um capítulo desconhecido da arte

A descoberta mostra como reformas em edifícios históricos podem revelar obras que escaparam a catálogos, inventários e pesquisas anteriores. Neste caso, a remoção de revestimentos trouxe à luz uma composição de um dos nomes mais influentes da arte moderna.

O mural permaneceu dentro da casa familiar, silenciosamente coberto, enquanto as demais pinturas viajavam para museus ao redor do mundo. Você acredita que os fragmentos devem permanecer exatamente como foram encontrados ou receber uma intervenção de restauração mais visível? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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