Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

País de 633 mil habitantes prepara a segunda etapa de sua primeira autoestrada depois de vencer 41,5 quilômetros de montanhas com 16 túneis de duas galerias, 20 pontes na rota principal e um traçado tão extremo que quase metade do percurso precisou desaparecer dentro da rocha para superar o relevo local

País de 633 mil habitantes prepara a segunda etapa de sua primeira autoestrada depois de vencer 41,5 quilômetros de montanhas com 16 túneis de duas galerias, 20 pontes na rota principal e um traçado tão extremo que quase metade do percurso precisou desaparecer dentro da rocha para superar o relevo local

6 min de leitura

País de 633 mil habitantes prepara a segunda etapa de sua primeira autoestrada depois de vencer 41,5 quilômetros de montanhas com 16 túneis de duas galerias, 20 pontes na rota principal e um traçado tão extremo que quase metade do percurso precisou desaparecer dentro da rocha para superar o relevo local

Escrito por Carla Teles

Publicado em 24/07/2026 às 16:18

Curiosidades

Assista o vídeo
Autoestrada em Montenegro avança com túneis, pontes e engenharia para vencer o relevo montanhoso e ampliar a ligação Bar–Boljare.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Montenegro avança para o trecho Mateševo–Andrijevica da autoestrada Bar–Boljare, com contrato de € 693,9 milhões, financiamento europeu e um histórico de engenharia marcado por túneis de duas galerias, dezenas de pontes e soluções criadas para atravessar um dos relevos mais difíceis dos Bálcãs em sua infraestrutura rodoviária nacional em expansão.

Montenegro, pequeno país dos Bálcãs com aproximadamente 633 mil habitantes, prepara uma nova etapa de sua primeira autoestrada depois de executar um trecho de 41,5 quilômetros marcado por 16 túneis de duas galerias, 20 pontes na rota principal e sucessivas intervenções necessárias para atravessar um território dominado por montanhas.

A nova fase envolve o trecho Mateševo–Andrijevica da autoestrada Bar–Boljare. Segundo comunicado publicado pelo Governo de Montenegro em 15 de janeiro de 2026, a estatal Monteput selecionou um consórcio liderado pela POWERCHINA para elaborar o projeto principal e executar as obras, em um contrato de € 693.969.668,88.

Nova etapa da autoestrada terá projeto e construção integrados

A decisão foi tomada depois da abertura das propostas financeiras apresentadas no processo de licitação. Três grupos empresariais avançaram até essa etapa: o consórcio Cengiz–Azvirt, a China Communications Construction Company Limited e o consórcio POWERCHINA Ltd.–STECOL–PCCD.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A oferta vencedora foi a de menor valor entre as propostas classificadas. O consórcio POWERCHINA Ltd.–STECOL–PCCD apresentou preço de € 693,9 milhões, enquanto a China Communications Construction Company Limited propôs € 724,6 milhões e o grupo Cengiz–Azvirt apresentou uma oferta de € 735 milhões.

Uma quarta concorrente, formada pela Shandong Foreign Economic & Technical Cooperation e pela Shandong Luqiao Group, não teve a proposta financeira aberta. De acordo com o governo montenegrino, o grupo não cumpriu os requisitos necessários para avançar à fase de análise dos valores.

Após a assinatura do contrato, a empresa selecionada deverá iniciar as atividades de projeto e os trabalhos preparatórios. O modelo reúne em uma mesma contratação a elaboração do projeto principal e a execução das intervenções no trecho entre Mateševo e Andrijevica.

Financiamento combina empréstimo europeu e recursos não reembolsáveis

A construção da nova seção será apoiada por duas fontes internacionais de financiamento. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, conhecido pela sigla EBRD, concederá um empréstimo de € 200 milhões para o empreendimento.

Além do financiamento bancário, a União Europeia disponibilizará uma subvenção de € 150 milhões. Somados, os dois aportes europeus chegam a € 350 milhões, embora o valor integral do contrato de projeto e construção seja de aproximadamente € 693,9 milhões.

O processo licitatório foi conduzido conforme os padrões do EBRD. Antes da abertura das propostas financeiras, as empresas tiveram a documentação técnica avaliada a partir dos materiais apresentados em 31 de outubro de 2025.

A contratação representa a continuidade de um projeto considerado estratégico pelo governo de Montenegro. A autoestrada Bar–Boljare pretende estabelecer uma ligação rodoviária de alta capacidade através do território montenegrino, onde a topografia transforma cada novo trecho em um desafio de engenharia.

Primeiro trecho enfrentou montanhas com 16 túneis de duas galerias

Assista o vídeo

A dimensão do desafio aparece nos números da seção prioritária entre Smokovac e Mateševo. O trecho possui 41,5 quilômetros e atravessa uma região na qual pontes, túneis e estruturas elevadas foram essenciais para manter o traçado.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério de Investimentos de Capital de Montenegro em 3 de agosto de 2021, foram construídos 16 túneis de duas galerias, com extensão acumulada de 35,6 quilômetros quando considerados os dois tubos.

Isso corresponde a aproximadamente 17,8 quilômetros de percurso em túnel. Em outras palavras, cerca de 43% dos 41,5 quilômetros da seção avançam dentro das montanhas, proporção que ajuda a explicar a complexidade e a escala da obra.

A parte executada em pista aberta alcançou aproximadamente 17,7 quilômetros. O restante do trajeto depende de túneis, pontes, viadutos e conexões projetadas para superar desníveis, vales e formações rochosas do relevo montenegrino.

Pontes e viadutos completaram uma rota de apenas 41,5 quilômetros

O trecho Smokovac–Mateševo também recebeu 20 pontes na rota principal, nove pontes nas rampas dos entroncamentos e dois viadutos. O comunicado oficial contabilizou 50 estruturas ao considerar os diferentes componentes construídos para atender as duas pistas e seus acessos.

A concentração de obras especiais em apenas 41,5 quilômetros mostra que a autoestrada não poderia ser implantada como uma estrada convencional. Em diversos pontos, foi necessário atravessar vales por estruturas elevadas ou perfurar maciços rochosos para evitar inclinações incompatíveis com uma via de alta velocidade.

A velocidade projetada para a seção foi estabelecida em 100 km/h. Na fase final das obras, o governo estimava que o tempo de viagem entre Podgorica e Kolašin cairia de aproximadamente uma hora e meia para cerca de 40 minutos.

Além da construção civil, a etapa exigiu instalações eletromecânicas, ventilação e iluminação nos túneis, sistemas de proteção contra incêndios, sinalização horizontal e vertical, paisagismo e aplicação de diferentes camadas de pavimento.

Próximo trecho levará a autoestrada em direção a Andrijevica

Com a escolha do novo consórcio, a expansão seguirá a partir de Mateševo em direção a Andrijevica, no nordeste do país. A fonte oficial não informa, no comunicado de janeiro de 2026, a extensão exata dessa nova seção nem apresenta um cronograma definitivo para a conclusão dos trabalhos.

Também não foram detalhadas no anúncio as quantidades de pontes, túneis ou viadutos previstas para o novo percurso. Esses elementos deverão ser definidos ou consolidados durante a preparação do projeto principal pelo consórcio contratado.

O que já está estabelecido é o valor da contratação, a composição do grupo responsável e a estrutura de financiamento. A assinatura do contrato abrirá caminho para os projetos executivos, a preparação do terreno e a mobilização das atividades necessárias à construção.

Para Montenegro, a continuidade da autoestrada representa mais do que a ampliação de uma via. O empreendimento coloca à prova a capacidade de um país pequeno de desenvolver infraestrutura de grande porte em uma das geografias mais acidentadas do sudeste europeu.

Uma obra pequena em extensão, mas monumental em complexidade

Os números da primeira seção ajudam a dimensionar o que significa construir uma autoestrada em Montenegro. Em um trajeto de apenas 41,5 quilômetros, quase metade da rota precisou atravessar o interior das montanhas, enquanto dezenas de estruturas foram erguidas para transpor vales e diferenças de altitude.

Agora, o avanço até Andrijevica inicia um novo capítulo de um projeto que depende de financiamento internacional, engenharia especializada e planejamento de longo prazo. A experiência acumulada com os 16 túneis e as 20 pontes da rota principal será uma referência direta para os próximos desafios.

Na sua opinião, investimentos desse porte são justificáveis para melhorar a integração e reduzir o isolamento de regiões montanhosas, ou países pequenos deveriam priorizar alternativas mais baratas? Deixe sua avaliação nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

Sair da versão mobile