7 min de leitura
Para dormir a cerca de 419 metros sob uma montanha no País de Gales, hóspedes vestem capacetes, atravessam túneis de uma antiga mina de ardósia e chegam a quatro cabanas e uma gruta iluminada no fundo da terra
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/07/2026 às 20:12
Indústria, Mineração
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A experiência Deep Sleep leva visitantes por cavernas e túneis de uma antiga mina de ardósia até uma hospedagem subterrânea a cerca de 419 metros de profundidade, onde quatro cabanas isoladas do frio e uma gruta iluminada funcionam com energia, água e comunicação instaladas dentro da montanha.
Para dormir num hotel a cerca de 419 metros sob uma montanha no País de Gales, os hóspedes precisam vestir capacetes, acender lanternas e atravessar os corredores de uma antiga mina de ardósia. O quarto aparece apenas no fim de uma descida guiada por túneis, cavernas e passagens abertas na rocha.
A experiência recebeu o nome de Deep Sleep, expressão que pode ser traduzida como sono profundo. No ponto mais baixo do percurso, os visitantes encontram quatro cabanas e uma acomodação montada dentro de uma gruta, todas cercadas pelas paredes escuras da mina.
A informação foi publicada em 21 de março de 2024 pela Architectural Digest, revista internacional de arquitetura, design e viagens. A publicação registrou o acesso subterrâneo, os equipamentos fornecidos e a estrutura preparada para receber visitantes durante a noite.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A hospedagem começa com uma descida por túneis escuros
O acesso ao Deep Sleep está longe de uma chegada comum a um hotel. Antes de entrar na mina, cada visitante recebe capacete, lanterna e botas próprias para caminhada, além dos equipamentos necessários para percorrer a rota com segurança.
Um guia conduz o grupo por uma sequência de túneis e cavernas formados durante a antiga extração de ardósia. Essas passagens foram abertas por trabalhadores ao longo de mais de 200 anos e avançam por diferentes pontos no interior da montanha.
O caminho inclui trechos estreitos, superfícies irregulares e áreas onde os participantes precisam atravessar a cavidade com mais cuidado. Em algumas partes, o percurso pode envolver até uma tirolesa subterrânea.
A travessia pela mina leva aproximadamente uma hora. Dessa forma, alcançar o quarto deixa de ser apenas uma etapa da viagem e passa a fazer parte da própria experiência oferecida aos hóspedes.
Os 419 metros equivalem a colocar um arranha-céu de cabeça para baixo
A distância entre a superfície e o hotel chega a cerca de 419 metros. Para imaginar essa profundidade, basta pensar em um dos grandes arranha-céus brasileiros colocado de cabeça para baixo dentro da montanha, com a parte mais alta apontada para o fundo.
Não existe elevador, estrada interna ou recepção ligada diretamente ao lado de fora. Pessoas, equipamentos e materiais precisam seguir os caminhos disponíveis na antiga área de mineração.
Essa limitação torna mais difícil levar camas, iluminação, revestimentos, baterias e sistemas de comunicação até o local. Qualquer instalação precisa funcionar dentro de uma cavidade fria, úmida e distante das redes comuns encontradas nas cidades.
A profundidade também explica por que os visitantes não podem entrar ou sair livremente. O deslocamento depende de guias, equipamentos adequados e condições controladas ao longo de toda a rota.
Quatro cabanas e uma gruta ocupam o fundo da antiga mina
Depois da descida, o visitante encontra uma área organizada como um pequeno acampamento subterrâneo. O espaço possui quatro cabanas de madeira e uma acomodação construída dentro de uma gruta cercada pela própria rocha.
As cabanas comuns possuem duas camas individuais, piso de madeira e iluminação ao lado das camas. As paredes formam uma barreira entre os hóspedes e o ambiente natural da mina.
Assista o vídeo
A gruta oferece uma configuração diferente. Parte da acomodação permanece visualmente ligada às paredes rochosas, o que deixa mais evidente a profundidade e o passado industrial do local.
Apesar de ser divulgado como hotel, o espaço também é tratado como acampamento subterrâneo pela própria operação. A estrutura não possui o funcionamento livre de um hotel urbano e depende de uma programação guiada para receber pessoas.
Camadas de isolamento protegem os quartos do frio da mina
A temperatura no interior da cavidade permanece baixa durante todo o ano. Por isso, as cabanas foram revestidas com camadas espessas de isolamento térmico, material que reduz a passagem do frio pelas paredes.
O isolamento não aquece toda a mina. Ele cria uma área mais protegida dentro de cada cabana, ajudando a conservar o calor e diminuindo o contato direto com o ar frio da cavidade.
A solução também protege camas, roupas e objetos da umidade presente no ambiente subterrâneo. Sem essa separação, os hóspedes ficariam expostos às condições naturais encontradas nas antigas áreas de trabalho.
A Architectural Digest, revista internacional de arquitetura, design e viagens, detalhou que as cabanas receberam revestimento térmico e permanecem mais aquecidas do que o espaço ao redor. A publicação também identificou iluminação elétrica, água corrente e internet sem fio no acampamento.
Água e energia foram instaladas dentro da montanha
A iluminação das cabanas e a comunicação não dependem apenas de uma tomada comum ligada à superfície. Baterias armazenam a energia utilizada no acampamento subterrâneo.
Essas baterias são carregadas por pequenas turbinas movimentadas pela água existente dentro da mina. O sistema aproveita o fluxo subterrâneo para gerar parte da eletricidade necessária ao funcionamento da estrutura.
A água utilizada nas torneiras vem de uma nascente localizada na própria mina. Assim, o espaço oferece água corrente mesmo estando a centenas de metros abaixo da superfície.
A presença desses serviços transforma uma cavidade abandonada em uma área capaz de receber pessoas durante uma noite. Mesmo assim, a infraestrutura continua limitada e precisa ser acompanhada pela equipe responsável pela experiência.
A operação ocorre apenas com guias e segurança controlada
Os hóspedes não podem caminhar sozinhos pelos túneis nem escolher outro caminho para chegar aos quartos. A rede subterrânea possui corredores extensos e semelhantes, o que aumenta o risco de uma pessoa perder a direção.
O uso de capacete, lanterna, botas e outros equipamentos não serve apenas para criar um clima de aventura. Esses itens protegem os visitantes durante a caminhada por superfícies irregulares, áreas escuras e passagens abertas na rocha.
O hotel também funciona apenas em períodos definidos pela operação. A programação registrada em 21 de março de 2024 ocorria uma vez por semana, entre a noite de sábado e a manhã de domingo. Tarifas não foram incluídas porque podem sofrer alterações.
A experiência depende da presença de guias, do funcionamento dos sistemas instalados e da avaliação das condições do percurso. Sem esse controle, a cavidade não poderia receber hóspedes como uma acomodação comum.
Título de hotel mais profundo do mundo é uma alegação da empresa
A empresa Go Below Underground Adventure, responsável pela experiência, apresenta o Deep Sleep como o hotel mais profundo do mundo. A frase destaca os cerca de 419 metros que separam as acomodações da superfície.
Esse título precisa ser entendido como uma alegação promocional da operação. Não se trata de uma certificação independente apresentada por uma entidade responsável por reconhecer recordes.
O próprio formato também se distancia de um hotel tradicional. O acesso exige esforço físico, equipamentos de segurança e acompanhamento profissional, enquanto a permanência ocorre em cabanas instaladas dentro de uma antiga área de mineração.
Por isso, a descrição mais precisa é a de uma experiência subterrânea de aventura com pernoite. O quarto representa apenas uma parte de uma atividade que começa antes da entrada na mina e termina depois do retorno à superfície.
Dormir no Deep Sleep significa passar a noite em um espaço que foi criado para a extração de ardósia, não para receber turistas. Isolamento, iluminação, água, energia e comunicação precisaram ser adaptados às limitações da cavidade.
As quatro cabanas e a gruta mostram como uma antiga estrutura industrial pode ganhar outra função sem esconder suas paredes de rocha, seus túneis escuros e as dificuldades impostas pela profundidade.
Você enfrentaria uma longa descida por uma mina escura para viver essa experiência ou a distância da superfície seria suficiente para fazê-lo desistir? Conte sua resposta nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
Architectural Digest
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

