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Para fugir do escritório de laje única, arquitetos ergueram em São Paulo, um prédio pixelado de 21 andares com volumes que saltam da fachada formando varandas de pé-direito duplo, escritórios em triplex e jardineiras que vão receber árvores de grande porte no alto
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 27/07/2026 às 00:21
Construção
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Em Pinheiros, em São Paulo, o escritório FGMF Arquitetos entregou o Valente, um prédio pixelado de 21 andares que foge da laje corporativa tradicional. Da fachada saltam volumes que viram varandas de pé-direito duplo, os escritórios são em triplex e jardineiras no alto foram feitas para receber árvores de grande porte.
Para fugir do modelo do escritório de laje única, os arquitetos do escritório FGMF Arquitetos ergueram no bairro de Pinheiros, em São Paulo, um prédio pixelado de 21 andares batizado de Valente. A torre chama atenção pelos volumes retangulares que saltam da fachada, formando varandas de pé-direito duplo, e por um interior organizado em unidades triplex e duplex, conforme reportagem publicada pelo site de arquitetura Dezeen.
O projeto foi desenvolvido para o incorporador Idea!Zarvos e ocupa uma esquina de destaque no cruzamento das ruas Cardeal Arcoverde e Capote Valente, em um terreno de 1.400 metros quadrados. A fachada, feita de blocos empilhados que lembram uma torre de Jenga no meio de uma partida, foi comparada a uma composição pixelada, e é o que dá identidade ao edifício. Além dos escritórios em triplex, o alto do prédio conta com jardineiras projetadas para abrigar árvores de grande porte, levando vegetação para os andares superiores.
Um prédio pixelado no coração de Pinheiros
A localização é parte importante do projeto. O Valente se ergue em uma esquina movimentada de Pinheiros, um dos bairros mais procurados de São Paulo, conhecido pelo caráter histórico e pela vida cultural intensa, com restaurantes e vida noturna. Colocar ali um edifício ousado exigia equilíbrio, para que a construção marcasse presença sem atropelar quem vive e circula pela região.
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A estrutura é de uso misto e distribui as funções ao longo da altura. São 21 pavimentos acima do solo e quatro subsolos, que abrigam escritórios nos andares intermediários, apartamentos nos níveis mais altos e uma seleção de lojas e restaurantes no térreo, pensados para criar uma base ativa e conectada com o restante do bairro. Essa mistura de moradia, trabalho e comércio no mesmo endereço é o que sustenta a proposta de facilitar a vida de quem usa o prédio.
Projetado de dentro para fora
O que diferencia o Valente de uma torre comum é a lógica que guiou o projeto. Segundo o sócio da FGMF, Fernando Forte, o edifício foi concebido de dentro para fora, partindo da forma como os espaços internos seriam ocupados, e não de uma fachada imposta ao volume. A ideia central, trazida pelo incorporador, foi a de uma ocupação tridimensional do espaço corporativo.
Na prática, isso significou abandonar a laje corrida tradicional. Em vez de andares iguais e empilhados, o interior é organizado em unidades triplex e duplex, que permitem arranjos espaciais muito diferentes dos encontrados no mercado e altamente adaptáveis às necessidades de cada ocupante. Foi essa recusa ao escritório de pavimento único que definiu tanto o interior quanto a aparência externa da torre, já que a variação dos espaços por dentro aparece diretamente na forma por fora.
Volumes que saltam e viram varanda
A fachada pixelada não é um enfeite aplicado, e sim a tradução direta do que acontece dentro do prédio. Os volumes retangulares que se projetam para fora têm profundidades variadas, e é essa diferença que cria o efeito de blocos empilhados de maneira irregular. Alguns têm pé-direito simples, enquanto outros se abrem em vãos de pé-direito duplo.
Esses avanços cumprem mais de uma função ao mesmo tempo. As saliências funcionam como varandas e áreas externas privativas para os ocupantes, e ao mesmo tempo atuam como uma proteção ambiental, filtrando a incidência do sol sobre os ambientes internos. As fachadas de vidro podem ser abertas, o que dá aos usuários acesso ao ar livre, às vistas da cidade e a uma relação mais próxima com o entorno, algo raro em torres corporativas fechadas. O jogo de saliências e recuos ainda cria um ritmo de luz e sombra que muda ao longo do dia, sem precisar de nenhuma peça móvel.
Escritórios em triplex e apartamentos no topo
O programa do edifício foi montado para oferecer flexibilidade real a quem ocupa cada unidade. Os pavimentos de escritório são abertos e generosos, com escadas internas que conectam mezaninos e andares adicionais, conforme o tipo de unidade escolhido. Assim, uma mesma empresa pode ter um espaço que se desdobra em vários níveis, em vez de ficar presa a um único piso.
A variedade de usos se estende do térreo ao topo. Os escritórios ocupam a porção intermediária da torre, as residências ficam nos andares mais altos, e o térreo recebe comércio e serviços, com um recuo no nível da rua que valoriza a circulação das pessoas em um bairro denso como Pinheiros. Esse cuidado com a permeabilidade urbana, deixando o pavimento de acesso mais aberto à cidade, é parte da tentativa de integrar o prédio à vida do bairro, e não apenas ocupar a esquina com uma construção imponente.
Telha branca, madeira e árvores no alto
Apesar da geometria complexa, o acabamento do Valente aposta na simplicidade. A composição usa uma paleta de materiais enxuta, combinando revestimento de telha branca com montantes de madeira nas esquadrias, o que ajuda a organizar visualmente o emaranhado de volumes salientes. É um contraste interessante, já que a forma é ousada, mas os materiais são contidos.
A vegetação completa o conceito e reforça a ligação com a natureza. No alto do edifício, jardineiras foram projetadas para receber árvores de grande porte, levando verde para os pavimentos superiores e transformando as varandas em pequenos refúgios elevados. Somadas às áreas externas criadas pelos volumes salientes, essas jardineiras ajudam a trazer luz, ar e vegetação para dentro de uma torre em plena área urbana, o oposto da caixa de vidro hermética que costuma dominar esse tipo de construção.
A terceira parceria de uma dupla que gosta de arriscar
O Valente não nasceu de uma relação qualquer entre arquiteto e incorporador. Ele é a terceira colaboração entre a FGMF Arquitetos e a Idea!Zarvos, e bebe diretamente de um edifício anterior, de 2016, no qual a dupla já havia explorado layouts de escritório fora do padrão. Aquele projeto ajudou a moldar o pensamento por trás do Valente, numa parceria descrita como mais iterativa do que comercial, em que cada obra empurra um pouco mais os limites da anterior.
A FGMF, comandada pelos arquitetos Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz, tem um histórico de torres e casas que fogem do lugar-comum em São Paulo. No Valente, o estúdio transformou a pesquisa sobre espaços de trabalho atípicos em um edifício mais alto, mais denso e mais urbano, em que a forma responde ao programa, à regulação e ao clima, em vez de ser só uma imagem bonita. Recém-concluído, o prédio ganhou destaque internacional ao ser publicado pelo Dezeen em maio de 2026, entrando na lista de novos marcos da paisagem de Pinheiros.
Um edifício que virou paisagem
O que a FGMF Arquitetos entregou em Pinheiros não é apenas mais uma torre de escritórios, e sim uma tentativa de repensar como um prédio pixelado pode conciliar trabalho, moradia, comércio e natureza no mesmo endereço. Os volumes que saltam da fachada, as varandas de pé-direito duplo, os escritórios em triplex e as árvores planejadas para o alto são todos frutos de uma mesma decisão, a de fugir da laje única e ocupar o espaço em três dimensões.
E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acha que prédios ousados como o Valente deixam a cidade mais interessante e agradável de viver, ou prefere uma arquitetura mais discreta e tradicional na paisagem urbana? Comenta aqui embaixo o que você achou dessa fachada pixelada e se moraria ou trabalharia em um edifício assim.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

