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Para impedir que um navio encalhado destruísse ainda mais um recife protegido nas Filipinas, Marinha dos EUA retirou 15.000 galões de combustível, cortou o casco em grandes blocos e içou uma seção de cerca de 250 toneladas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 23/07/2026 às 18:57
Indústria, Indústria Naval
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O USS Guardian encalhou no Recife de Tubbataha em 2013 e transformou sua retirada em uma complexa operação marítima, com remoção de combustível, cortes no casco e uso de guindastes para limitar novos danos aos corais protegidos.
A Marinha dos EUA precisou destruir o próprio navio para impedir que a embarcação causasse ainda mais danos ao recife protegido onde havia encalhado. O USS Guardian, um navio caça minas, não poderia ser simplesmente puxado de volta para águas profundas.
O acidente ocorreu em 17 de janeiro de 2013, dentro do Parque Natural dos Recifes de Tubbataha, nas Filipinas. Os detalhes da retirada foram publicados pela NOAA, agência científica do governo dos Estados Unidos.
Antes de iniciar os cortes, as equipes retiraram 15.000 galões de combustível, óleos, equipamentos e materiais perigosos. Depois, o casco foi separado em grandes blocos, içados por guindastes e colocados em barcaças.
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O USS Guardian ficou preso dentro de um parque marinho protegido
O USS Guardian navegava pelo Mar de Sulu quando atingiu o Recife de Tubbataha. A área pertence a um parque natural marinho e possui reconhecimento da UNESCO por sua riqueza ambiental.
Depois do primeiro contato, ventos e ondas empurraram o navio ainda mais sobre os corais. A embarcação ficou atravessada no recife, sofreu aberturas no casco e começou a receber água em compartimentos internos.
As ondas continuavam movimentando o navio sobre a formação de coral. Cada impacto aumentava o risco de ampliar o dano ambiental e comprometer ainda mais a estrutura da embarcação.
Retirar o Guardian rapidamente era necessário, mas qualquer movimento precisava ser calculado. Uma operação mal executada poderia arrastar o peso do casco sobre uma área maior do recife.
O casco de madeira ajudava o navio a procurar minas no mar
O Guardian era um navio caça minas, tipo de embarcação militar usado para localizar e neutralizar minas instaladas na água. Por causa dessa missão, seu casco principal era construído com madeira.
Algumas minas marítimas podem ser acionadas por alterações magnéticas provocadas pela passagem de grandes estruturas metálicas. A madeira ajuda a reduzir essa interferência e diminui a presença magnética do navio.
Essa característica não tornou a embarcação resistente ao impacto contínuo contra o recife. O fundo do casco permaneceu apoiado sobre formações rígidas enquanto as ondas movimentavam toda a estrutura.
Partes inferiores foram perfuradas e diferentes compartimentos ficaram alagados. O movimento também provocou rachaduras, deformações e perda de resistência em pontos importantes do casco.
Rebocar o navio inteiro poderia destruir ainda mais corais
A solução mais rápida parecia ser prender cabos ao USS Guardian e usar rebocadores para levar a embarcação até águas profundas. O estado do casco, porém, tornou essa possibilidade arriscada.
O navio estava parcialmente alagado, danificado e apoiado diretamente sobre os corais. Arrastar a estrutura poderia raspar o recife por uma distância maior e quebrar novas formações durante o deslocamento.
Também existia o risco de o casco se partir sem controle durante o reboque. Nesse caso, combustível, máquinas, peças e outros materiais poderiam cair no mar.
O Naval Sea Systems Command, comando técnico da Marinha dos Estados Unidos, registrou que os danos no fundo, as rachaduras e a posição do navio impediram uma retirada segura da embarcação inteira.
A prioridade deixou de ser recuperar o Guardian. O objetivo passou a ser limitar novos danos ao Recife de Tubbataha, ainda que isso exigisse desmontar completamente o navio.
Combustível e materiais perigosos saíram antes dos primeiros cortes
A desmontagem somente começou depois da retirada dos materiais que poderiam contaminar o ambiente. As equipes esvaziaram tanques e recolheram óleos lubrificantes, óleo hidráulico, resíduos humanos, munições e objetos soltos.
A NOAA, agência científica do governo dos Estados Unidos, registrou a remoção segura de aproximadamente 15.000 galões de combustível. Não houve vazamento desse combustível após o encalhe.
Equipamentos que ainda poderiam ser utilizados também foram retirados. A medida reduziu o peso da embarcação e evitou que peças soltas caíssem sobre o recife durante os cortes.
O trabalho era dificultado pelas ondas e pelo estado dos compartimentos internos. As equipes precisavam entrar em áreas danificadas enquanto a estrutura continuava sofrendo pressão do mar.
Guindastes ergueram grandes blocos diretamente do recife
A primeira fase da desmontagem retirou o mastro, a chaminé, equipamentos do convés e partes da estrutura localizada acima do casco. Máquinas pesadas também foram içadas separadamente.
Esse cuidado evitou que motores e outros componentes atravessassem a madeira enfraquecida durante o levantamento. Somente depois dessa redução de peso o casco começou a ser dividido em grandes seções.
Uma embarcação equipada com guindaste pesado permaneceu próxima ao Guardian. Ela utilizava posicionamento dinâmico, sistema que controla motores para manter o navio no mesmo ponto sem lançar âncoras sobre os corais.
Cabos de içamento foram presos às partes cortadas. Os guindastes levantaram cada bloco verticalmente e transferiram o material para barcaças preparadas para receber as seções.
A proa, estimada naquele momento em cerca de 250 toneladas, foi uma das partes retiradas dessa maneira. O levantamento evitou que o bloco fosse puxado horizontalmente sobre o recife.
O USS Guardian saiu em pedaços e nunca voltou ao mar
Depois que as partes superiores foram retiradas, as equipes continuaram cortando o restante do casco. Cada nova seção exigia cálculos para impedir que a estrutura remanescente tombasse ou se partisse antes do momento planejado.
Os blocos seguiram em barcaças até uma instalação em terra. O Guardian havia sido retirado de serviço durante a operação e não foi reconstruído.
A retirada foi encerrada em 3 de abril de 2013, depois que as grandes seções e os fragmentos restantes deixaram o local. Equipes ainda permaneceram na área para verificar o recife e procurar possíveis destroços.
A desmontagem controlada reduziu o risco de uma contaminação maior e evitou que o casco inteiro fosse arrastado. Entretanto, o dano ambiental provocado pelo encalhe não desapareceu.
O peso do navio, o impacto inicial e o movimento causado pelas ondas já haviam quebrado partes dos corais. Desmontar o Guardian foi uma tentativa de impedir que uma situação grave se tornasse ainda pior.
A Marinha dos EUA perdeu o navio, mas conseguiu retirar combustível, máquinas e grandes blocos sem puxar toda a embarcação sobre Tubbataha. A operação mostrou como a proteção ambiental pode exigir o abandono completo de um bem militar.
Se o reboque poderia salvar o navio, mas destruir uma área maior do recife, você também escolheria desmontar toda a embarcação? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
NOAA
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

