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Para não fincar um único pilar dentro do rio, engenheiros começaram a avançar a ponte de Joinville sobre a água a partir das margens, concretando a base que vai sustentar o vão principal
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/07/2026 às 21:30
Atualizado em 25/07/2026 às 21:31
Construção
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A construção da ponte de Joinville chegou ao seu marco mais visível. Sem cravar nenhum pilar dentro do rio Cachoeira, as equipes começaram a concretar a base que vai sustentar o vão principal, iniciando a fase em que as pistas avançam suspensas sobre a água a partir das duas margens até se encontrarem no meio.
A construção da ponte de Joinville alcançou seu marco visual mais importante com o início da concretagem da primeira estrutura que servirá de base para o vão principal sobre o rio Cachoeira. As equipes começaram o trabalho na quarta-feira, 15 de julho de 2026, conforme divulgado pelo portal ND Mais, dando início oficial à fase suspensa que passará a projetar as pistas sobre a água.
Essa etapa marca a transição definitiva das fundações enterradas para a chamada superestrutura, considerada o momento mais complexo de toda a engenharia do projeto. Para não afetar o meio ambiente nem o leito do rio Cachoeira, a obra não vai fincar um único pilar dentro da água, e é justamente essa escolha técnica que define o método usado dali para frente.
Uma ponte que avança no ar
Foto: Prefeitura de Joinville
A solução adotada em Joinville se apoia numa técnica minuciosa de construção suspensa. Em vez de erguer apoios no meio do rio, os segmentos de concreto serão executados de forma sucessiva, partindo das margens e avançando aos poucos sobre o espelho d’água até se encontrarem em equilíbrio no centro do curso do rio.
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É um método que preserva o leito e evita a interferência que pilares dentro da água causariam ao meio ambiente. A estrutura, na prática, cresce no ar, apoiada apenas no que já foi construído em terra firme, num avanço progressivo que exige precisão a cada trecho concretado. Cada novo segmento se sustenta sobre o anterior, e o conjunto vai ganhando forma até vencer toda a largura do rio Cachoeira.
As aduelas de arranque
Foto: Prefeitura de Joinville
A peça que começou a ser concretada é chamada de aduela de arranque, e ela é o ponto de partida de toda a fase suspensa. Essa estrutura funciona como a viga principal que vai suportar o peso das pistas à medida que elas avançam sobre a água, sendo a base a partir da qual os segmentos seguintes serão erguidos.
Ao todo, serão quatro dessas estruturas, duas no lado do bairro Boa Vista e duas no lado do bairro Adhemar Garcia. A primeira aduela de arranque tem nove metros de altura e consome 150 metros cúbicos de concreto, volume equivalente a 15 caminhões betoneira trabalhando ao mesmo tempo. É esse bloco robusto que dá início ao braço de concreto que vai se projetar sobre o rio.
Trabalho simultâneo nas duas margens
Enquanto o primeiro braço de concreto ganha forma, o canteiro opera em ritmo acelerado em outras frentes para manter o cronograma simultâneo nas duas margens. No lado do Boa Vista, os operários trabalham na preparação da armadura da segunda aduela e avançam com a escavação e a cravação de estacas terrestres.
No lado do Adhemar Garcia, os trabalhos se concentram na consolidação dos blocos de apoio em terra. Esses blocos funcionam como um contrapeso, garantindo que a estrutura avance sobre a água de forma segura e equilibrada, sem tombar para o lado do rio conforme o braço de concreto fica mais comprido. É o equilíbrio entre os dois lados que permite que a ponte cresça suspensa até o encontro no meio.
Uma obra de quase um quilômetro
Quando estiver concluída, a ponte de Joinville terá 980 metros de extensão por 26 metros de largura, o que a consolida como a maior estrutura de ligação física da história recente do município. O valor atualizado da obra passou para R$ 393,2 milhões, cifra que dimensiona o porte do projeto.
A nova estrutura vai ligar as regiões Sul e Leste da cidade. O traçado parte da avenida Alwino Hansen, no bairro Adhemar Garcia, segue sobre o rio Cachoeira e se conecta ao sistema viário do bairro Boa Vista, nas ruas São Leopoldo e São Borja, criando uma nova travessia entre pontos hoje separados pelo rio.
Uma ponte erguida sem tocar o rio
O que a obra de Joinville começou a mostrar nesta etapa é uma engenharia pensada para vencer o rio Cachoeira sem invadir a água. As pistas vão avançar suspensas a partir das duas margens, apoiadas nas aduelas de arranque e equilibradas por blocos de contrapeso em terra, até se encontrarem no meio, numa ponte de 980 metros que deve se tornar a maior ligação da história recente da cidade.
E aí fica a pergunta para quem vive em Joinville e acompanha a obra. Você acha que essa nova travessia sobre o rio Cachoeira vai melhorar de verdade o trânsito entre as regiões Sul e Leste, ou a cidade precisa de outras soluções junto com ela? Comenta aqui embaixo por onde você passa hoje e quanto tempo espera economizar quando a ponte ficar pronta.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

