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Para prender câmeras minúsculas em pombos, pesquisadores costuraram à mão capuzes e mochilinhas de 27 gramas e descobriram algo que ninguém esperava, os olhos das aves não ficam parados durante o voo, e essa pista pode deixar os drones do futuro bem mais inteligentes

Para prender câmeras minúsculas em pombos, pesquisadores costuraram à mão capuzes e mochilinhas de 27 gramas e descobriram algo que ninguém esperava, os olhos das aves não ficam parados durante o voo, e essa pista pode deixar os drones do futuro bem mais inteligentes

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Para prender câmeras minúsculas em pombos, pesquisadores costuraram à mão capuzes e mochilinhas de 27 gramas e descobriram algo que ninguém esperava, os olhos das aves não ficam parados durante o voo, e essa pista pode deixar os drones do futuro bem mais inteligentes

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 25/07/2026 às 21:39

Ciência e Tecnologia

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Pombo com câmera acoplada à cabeça. Crédito: Anthony Lapsansky

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Para entender como os pombos enxergam enquanto voam, pesquisadores no Canadá costuraram à mão capuzes no estilo da falcoaria e mochilas em miniatura de 27 gramas para carregar câmeras. As imagens revelaram que os olhos das aves se mexem em pleno voo, uma descoberta que pode inspirar drones autônomos mais inteligentes.

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, costuraram à mão capuzes personalizados e mochilas em miniatura para prender câmeras e computadores minúsculos em pombos-correio e estudar como as aves enxergam durante o voo. A pesquisa foi divulgada em julho de 2026 pela própria universidade, a UBC, e revelou movimentos oculares inesperados que podem servir de inspiração para o desenvolvimento de drones autônomos.

O achado contraria o que se imaginava sobre a visão dessas aves. Ao contrário do que se pensava, os pombos não mantêm os olhos fixos durante o voo, e sim fazem movimentos oculares lentos e sutis que podem ajudá los a captar mais informações sobre o ambiente ao redor. Essa é a principal conclusão do estudo liderado pelo pesquisador Anthony Lapsansky, que conduziu o trabalho como pós-doutorando na UBC, e pelo professor Doug Altshuler, do departamento de zoologia.

Por que estudar pombos-correio

Imagem: Anthony B. Lapsansky, Douglas R. Wylie, Douglas L. Altshuler

A escolha do pombo como objeto de estudo não foi por acaso, e tem a ver com a anatomia da ave. Segundo os pesquisadores, os pombos são um bom modelo porque representam bem muitas outras aves, já que têm os olhos posicionados nas laterais da cabeça, o que lhes dá uma visão quase panorâmica do mundo ao redor.

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Há ainda uma vantagem prática que facilita esse tipo de experimento. Os pombos-correio são fáceis de manejar e treinar, e voltam voando para casa, o que elimina o risco de perder os animais durante os testes. Essa combinação de visão lateral típica das aves e comportamento previsível de retorno fez do pombo o candidato ideal para carregar as câmeras e revelar como enxerga em movimento.

Capuzes de falcoaria e mochilas de 27 gramas

O sistema usado para filmar o voo nasceu da experiência pessoal de um dos pesquisadores. Anthony Lapsansky trabalhava como falcoeiro antes da pós-graduação e já conhecia os capuzes usados na falcoaria, então costurou capuzes de vários tamanhos para manter a câmera firme na cabeça do pombo, além de pequenas mochilas para o restante do equipamento, testando nas aves até acertar o ajuste perfeito.

O conjunto inteiro é surpreendentemente leve. O sistema pesa apenas 27 gramas e reúne um computador em miniatura, com cerca de metade do tamanho de um cartão de crédito, uma pequena câmera comercial modificada e uma unidade de medição de movimento e orientação, além de cabos e fita isolante para reduzir a estática durante o voo. A montagem precisava ser leve e discreta o bastante para não atrapalhar o comportamento natural da ave no ar.

Como o experimento foi feito

A logística dos testes exigiu organização e um bom método de coleta das imagens. Os pesquisadores colocavam câmeras e mochilas em dois pombos de cada vez, dentro de um bando de cerca de 16 aves, enquanto a outra metade usava mochilas falsas, o que permitia comparar o comportamento dos animais com e sem o equipamento de verdade.

O processo de recuperação das filmagens tinha até um toque artesanal. Os pombos eram soltos em uma rota conhecida, e o pesquisador corria de volta para casa de caminhonete para recolher as imagens quando as aves pousavam. Era essa corrida contra o voo dos pombos que garantia o acesso ao material gravado do ponto de vista da própria ave.

O que as câmeras revelaram

A descoberta central do estudo tem a ver com a forma como um animal em movimento percebe o mundo. Quando uma ave voa, a imagem do ambiente se desloca ao redor dela, e esse deslocamento é um sinal cheio de informação. É o mesmo princípio que permite a uma pessoa saber que caminha centralizada em um corredor, porque as duas paredes se movem na retina na mesma velocidade, e uma delas parece acelerar se ela se aproxima demais.

Muita gente presumia que aves com olhos nas laterais da cabeça manteriam os olhos imóveis durante o voo, para que o movimento dos próprios olhos não interferisse nesse fluxo visual causado pelo deslocamento. O estudo mostrou o contrário, com movimentos oculares muito sutis e lentos enquanto os pombos voam para a frente, possivelmente para distinguir detalhes mais finos ou perceber características do ambiente que ajudam na navegação.

Os olhos que se voltam para dentro no pouso

Além do movimento durante o voo, os pesquisadores notaram um comportamento específico no momento da aterrissagem. Ao pousarem em um poleiro, os pombos voltam os dois olhos para dentro, um movimento que pode viabilizar a chamada estereopsia, a capacidade de avaliar a profundidade comparando a imagem ligeiramente diferente captada por cada olho.

Esse detalhe chama atenção pela raridade. Até agora, essa habilidade de convergir os olhos só havia sido observada em algumas aves de rapina, o que torna o registro em pombos-correio um dado novo sobre como essas aves calculam distância na hora de pousar. É o tipo de percepção fina que só se revelou porque a câmera acompanhava o olhar da ave de dentro do voo.

Como isso pode deixar os drones mais inteligentes

A ponte entre o voo dos pombos e a robótica está justamente no movimento das câmeras. Muitos robôs e drones têm uma câmera rígida, e é o fluxo visual captado por ela que informa ao aparelho a velocidade, a direção do voo e o risco de colisão com algum objeto. As aves usam a visão para fazer tudo isso, mas vão além, movendo as próprias câmeras naturais para extrair ainda mais informação do ambiente.

Essa diferença aponta um caminho para a engenharia. Segundo os pesquisadores, seria possível usar essas estratégias das aves para tornar drones e robôs voadores mais parecidos com os animais, mais hábeis em navegar por ambientes complexos e mais próximos do voo verdadeiramente autônomo. O estudo revela estratégias básicas de extração de informação visual sobre movimento que aves e humanos têm em comum, e que agora podem inspirar máquinas.

Quando o pombo vira professor de robô

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O que os pesquisadores da UBC descobriram com capuzes de falcoaria, mochilas de 27 gramas e corridas de caminhonete é que a visão de um pombo em voo é mais sofisticada do que se imaginava. Em vez de olhos parados, há um jogo sutil de movimentos que ajuda a ave a entender o espaço, distinguir detalhes e calcular profundidade, e é exatamente esse tipo de truque que os drones do futuro podem aprender a copiar.

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E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acha que a natureza ainda tem muito a ensinar à tecnologia, a ponto de um pombo comum inspirar os drones do futuro, ou a engenharia já segue caminhos próprios que dispensam esse tipo de inspiração? Comenta aqui embaixo que outro animal você acha que poderia ensinar algo útil às máquinas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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