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Para sustentar duas torres de 452 metros sobre solo com calcário cárstico e cavidades subterrâneas, engenheiros removeram mais de 500 caminhões de terra por noite, cravaram 104 elementos de fundação por torre e despejaram 13,2 mil metros cúbicos de concreto em 54 horas

Para sustentar duas torres de 452 metros sobre solo com calcário cárstico e cavidades subterrâneas, engenheiros removeram mais de 500 caminhões de terra por noite, cravaram 104 elementos de fundação por torre e despejaram 13,2 mil metros cúbicos de concreto em 54 horas

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Para sustentar duas torres de 452 metros sobre solo com calcário cárstico e cavidades subterrâneas, engenheiros removeram mais de 500 caminhões de terra por noite, cravaram 104 elementos de fundação por torre e despejaram 13,2 mil metros cúbicos de concreto em 54 horas

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 24/07/2026 às 00:40

Construção

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Petronas Twin Towers obras a noite

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As Petronas Twin Towers, em Kuala Lumpur, exigiram uma fundação extrema sobre solo complexo, com calcário cárstico, cavidades subterrâneas, 104 elementos de fundação por torre e uma concretagem contínua de 13,2 mil m³ por torre durante 54 horas.

Antes de se tornarem um dos cartões-postais mais conhecidos da Ásia, as Petronas Twin Towers, em Kuala Lumpur, precisaram vencer um desafio escondido abaixo do chão: o solo onde as torres seriam erguidas tinha camadas complexas, rocha irregular e presença de calcário cárstico em profundidade. As torres têm 451,9 metros de altura, 88 pavimentos acima do solo e foram concluídas em 1998, segundo o banco de dados do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, CTBUH. O projeto arquitetônico é associado à Cesar Pelli & Associates, enquanto a engenharia estrutural aparece vinculada à Thornton Tomasetti.

A parte mais pesada da obra, porém, não estava no brilho da fachada ou na ponte suspensa entre os edifícios. Estava na fundação que precisou sustentar duas torres gigantes sobre um subsolo difícil, com escavações massivas, concretagem contínua e tratamento geotécnico para lidar com cavidades no calcário.

O desafio começava abaixo do chão

O estudo técnico Foundation Design and Performance of the World’s Tallest Building, Petronas Towers, publicado nos anais da International Conference on Case Histories in Geotechnical Engineering, descreve que as torres foram apoiadas em uma fundação tipo mat sobre barrettes, atravessando solo residual, silte e arenito alterado acima de calcário cárstico.

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Petronas Twin Towers obras a noite

Esse tipo de terreno é sensível porque o calcário cárstico pode apresentar cavidades, variações bruscas e zonas de comportamento irregular. Para uma casa comum, isso já exigiria atenção; para duas torres de quase 452 metros, o risco geotécnico se tornava decisivo.

O mesmo estudo informa que o calcário aparecia em profundidades que variavam de 80 metros a mais de 200 metros, exigindo um programa de investigação do solo, testes in situ e análise de recalques antes da construção avançar.

Cavidades no calcário precisaram ser tratadas

O problema não era apenas profundidade. O estudo técnico registra um programa extensivo de grauteamento para preencher grandes cavidades no calcário localizado abaixo das fundações das torres.

Esse grauteamento consiste na injeção de material cimentício em vazios subterrâneos, com o objetivo de melhorar o comportamento do maciço e reduzir incertezas de suporte. Em uma obra desse porte, vazios não tratados poderiam provocar recalques diferenciais.

O risco mais crítico não era uma torre descer uniformemente alguns milímetros. O problema seria uma parte da base ceder mais do que outra, gerando inclinação, tensões adicionais e deformações incompatíveis com um arranha-céu desse tamanho.

Fundação usou 104 elementos por torre

A página oficial das Petronas Twin Towers informa que a fundação de cada torre envolveu 104 elementos de concreto na base que sustenta os edifícios atuais. A mesma página registra a concretagem de aproximadamente 13.200 metros cúbicos por torre em uma operação contínua de 54 horas.

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Esses elementos funcionavam como parte de um sistema profundo de transferência de carga. Em vez de depender apenas de uma laje superficial, a engenharia precisou levar os esforços para camadas capazes de resistir ao peso das torres.

A solução combinou massa, profundidade e controle. Cada torre exigia uma base capaz de suportar cargas verticais enormes e, ao mesmo tempo, resistir aos efeitos do vento, das deformações do solo e dos recalques ao longo da construção.

Mais de 500 caminhões de terra por noite

Antes da concretagem, a escavação já impressionava pela escala. O site oficial das Petronas Twin Towers informa que a obra exigiu a remoção de mais de 500 caminhões de terra por noite.

Esse volume mostra que a fundação das torres não foi uma etapa discreta. O canteiro precisou retirar grandes massas de solo para abrir espaço à estrutura subterrânea, aos elementos de fundação e às áreas técnicas do complexo.

A escavação também precisava ser controlada por contenções. Segundo a página oficial, a partir dessa base surgiu uma parede de contenção de 21 metros de altura, com perímetro superior a 1 quilômetro.

Concretagem durou 54 horas por torre

A etapa mais chamativa foi a concretagem contínua da base. O site oficial informa que aproximadamente 13.200 metros cúbicos de concreto foram despejados por torre durante 54 horas ininterruptas, no que foi descrito como a maior e mais longa concretagem da história da Malásia naquele contexto.

Petronas Twin Towers obras a noite

Esse tipo de operação não pode ser interrompido de qualquer maneira. Em uma fundação massiva, pausas mal planejadas podem criar juntas frias, reduzir desempenho estrutural e comprometer a continuidade da laje.

A logística precisava funcionar como uma linha industrial. Centrais de concreto, caminhões-betoneira, bombas, equipes de controle tecnológico e engenheiros tinham de manter ritmo constante por mais de dois dias.

Cada torre exigiu uma base própria

Embora pareçam uma única obra, as Petronas Twin Towers são duas estruturas independentes ligadas por uma ponte suspensa nos andares 41 e 42. O CTBUH registra que cada torre tem 451,9 metros de altura e 88 pavimentos acima do solo.

Por isso, cada torre precisava de uma fundação capaz de funcionar por conta própria. A base não podia depender da outra torre para garantir estabilidade global.

A ligação mais famosa entre os edifícios, a skybridge, não substitui a fundação. Ela é elemento arquitetônico e funcional, mas a sustentação real de cada torre nasce no conjunto de concreto, barrettes, contenções e tratamento do subsolo.

Barrette lengths foram ajustados ao terreno

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O estudo técnico sobre o desempenho das fundações informa que os comprimentos dos barrettes foram variados acima do calcário inclinado para reduzir recalques diferenciais calculados.

Isso significa que a fundação não foi simplesmente repetida de forma idêntica em todos os pontos. Os engenheiros ajustaram o sistema conforme as condições encontradas abaixo de cada área da base.

Esse detalhe é importante porque o subsolo não se comportava como uma camada plana e uniforme. A rocha cárstica tinha variações, e a solução precisou considerar diferenças de profundidade, rigidez e suporte.

Monitoramento confirmou recalques menores que o previsto

O mesmo estudo informa que medições feitas durante a construção indicaram recalques totais e diferenciais menores do que os valores previstos nas análises.

Esse resultado é relevante porque fundações de arranha-céus são projetadas com base em modelos, ensaios e hipóteses geotécnicas. O monitoramento em obra serve para verificar se o comportamento real confirma ou desafia o projeto.

No caso das Petronas, os dados preliminares de instrumentação indicaram desempenho favorável. A fundação respondeu melhor do que as estimativas conservadoras usadas na fase de projeto.

Torres exigiram concreto e aço em escala monumental

A estrutura das Petronas Twin Towers é classificada pelo CTBUH como concreto e aço composto, com função principal de escritórios. O banco de dados também registra cinco pavimentos abaixo do solo em cada torre.

A escolha por concreto de alta resistência teve papel importante na rigidez e no controle de deslocamentos. Para torres muito altas, a estrutura precisa lidar com cargas verticais e horizontais, especialmente vento.

A fundação, nesse contexto, é o ponto onde todas as forças chegam. Peso próprio, cargas de ocupação, vento e deformações estruturais acabam sendo transferidos para a base e, depois, para o solo tratado.

Projeto virou corrida entre consórcios

O CTBUH registra que, para acelerar o cronograma, dois consórcios de construção foram contratados, cada um responsável por uma das torres. A estratégia criou uma espécie de corrida entre equipes japonesa e sul-coreana.

Essa divisão ajudou a cumprir um prazo ambicioso. Segundo o CTBUH, o cronograma original esperado era de oito anos, mas o desenvolvimento foi comprimido para seis anos.

A fundação precisava acompanhar essa pressão de tempo sem comprometer segurança. A velocidade do projeto não eliminava a necessidade de investigação geotécnica, grauteamento, controle de recalque e concretagem contínua.

Torres foram as mais altas do mundo entre 1998 e 2004

As Petronas Twin Towers dividiram o título de edifícios mais altos do mundo entre 1998 e 2004, antes de serem superadas pelo Taipei 101, segundo o CTBUH.

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Ainda hoje, continuam entre os ícones globais da engenharia de arranha-céus. A fama costuma estar associada à fachada metálica, à altura e à ponte suspensa, mas a fundação é uma das partes mais impressionantes do conjunto.

Sem a solução subterrânea, a imagem das torres não existiria. A obra que aparece no horizonte de Kuala Lumpur depende de um sistema enterrado, calculado para enfrentar um dos grandes desafios de qualquer megatorre: transferir cargas colossais para um solo imperfeito.

Fundação transformou risco geológico em engenharia

O caso das Petronas mostra que construir alto não é apenas empilhar andares. Antes de erguer os 88 pavimentos, os engenheiros precisaram entender o subsolo, tratar cavidades, variar profundidades e controlar recalques.

A presença de calcário cárstico, registrada no estudo técnico da fundação, colocava incertezas reais sob as torres. O programa de grauteamento, o uso de barrettes, a concretagem massiva e o monitoramento em obra foram respostas diretas a esse desafio.

A parte visível mede 451,9 metros. Mas a história técnica das Petronas começa muito antes do primeiro andar, nas camadas profundas onde concreto, geotecnia e controle estrutural precisaram trabalhar juntos.

A maior obra estava escondida sob Kuala Lumpur

No alto, duas torres espelhadas de 88 andares. Embaixo, escavações noturnas, centenas de caminhões de terra, cavidades preenchidas, elementos profundos e dezenas de horas de concretagem sem interrupção.

A página oficial registra a retirada de mais de 500 caminhões de terra por noite e a concretagem de 13.200 metros cúbicos por torre durante 54 horas. O estudo geotécnico detalha o subsolo com calcário cárstico, cavidades tratadas e recalques monitorados.

As Petronas Twin Towers não são apenas um símbolo de altura. Elas são um exemplo de como a engenharia extrema começa no ponto que quase ninguém enxerga: a fundação enterrada que impede duas torres de 452 metros de afundarem, inclinarem ou perderem estabilidade sobre um terreno complexo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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