O governo do Paraguai anunciou nesta quinta-feira (30) que convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para entregar uma nota oficial de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra do Brasil contra o país vizinho.
O anúncio foi feito pelo chanceler Rubén Ramírez Lezcano, que afirmou que o governo defenderá a “dignidade” do país.
“A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que abordamos esta questão ao mais alto nível desde o início”, disse o chanceler em entrevista coletiva.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador é um gesto de forte insatisfação.
Apesar do mal-estar, o chanceler Ramírez Lezcano afirmou que o Brasil segue sendo um aliado estratégico.
Segundo ele, os presidentes Santiago Peña e Lula também conversaram por telefone sobre o assunto.
A crise começou em 24 de julho, quando Lula afirmou, em discurso em Jacareí (SP), que “um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”.
A fala ocorreu durante defesa de investimentos em defesa e preparo das Forças Armadas.
A guerra, que começou após a intervenção militar do Brasil no Uruguai em 1864, opôs a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) ao Paraguai de Solano López, e terminou com a morte do líder paraguaio e profundas consequências para o país vizinho que persistem até hoje.
A Câmara dos Deputados do Paraguai havia emitido na quarta-feira (29) uma declaração oficial repudiando a fala.
O documento afirma que Lula “desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio” e que a declaração “distorce e minimiza” a dimensão histórica da guerra, que devastou a infraestrutura do país e causou grave crise demográfica.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Infomoney.

