A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) indiciou o agente do GSI Estácio Leite da Silva Filho por porte ilegal de arma de fogo após ele ser flagrado transportando uma pistola registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em relatório da 17ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Norte), os investigadores concluíram que, embora Estácio possuísse porte funcional, ele transportava uma arma registrada em nome de terceiro, em desacordo com o Estatuto do Desarmamento.
Para a PCDF, o militar estava com o armamento sem autorização de Bolsonaro.
Em depoimento, o ex-presidente afirmou que chamou Estácio apenas para verificar uma pane na pistola e que não autorizou o militar a retirar a arma de sua residência, embora acredite que ele não tenha agido de má-fé.
“Face ao exposto resta evidente a participação do investigado na empreitada criminosa, pelo qual, com fundamento no art. 2°, §6º da Lei nº 12.830/ 13 e no art. 6° do Código de Processo em virtude da materialidade e dos indícios de autoria colhidos nos presentes autos, indicio ESTÁCIO LEITE DA SILVA FILHO como incurso nas penas do Artigo 16, ‘caput’, c/c Artigo 20, incis Lei 10.826/03”, salientou o relatório do delegado Thiago Boeing.
Já Estácio apresentou uma versão diferente sobre como ficou com a pistola. Em depoimento, o militar afirmou que, por volta das 16h30 de 15 de junho, foi chamado por Bolsonaro para verificar uma pane no armamento.
Segundo ele, retirou o percussor da pistola com o aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), constatou que a arma não estava danificada e recolocou a peça, solucionando o problema. Em seguida, disse que aguardou o retorno de Michelle para devolver o armamento.
Ainda conforme o depoimento, a ex-primeira-dama estava em viagem para Goiânia e, por volta das 21h30, ele foi informado de que o retorno demoraria mais do que o previsto. Diante disso, decidiu deixar a residência às 22h20 levando a pistola no veículo.
No trajeto até Taguatinga, acabou abordado em uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), quando a arma foi apreendida.
Para os investigadores, Bolsonaro não deve ser indiciado porque não foram encontrados elementos que caracterizassem o crime de posse ilegal de arma de fogo.
Autorização da PF
Em depoimento à PCDF, Bolsonaro contou que um delegado da Polícia Federal (PF) autorizou que ele mantivesse uma pistola dentro de casa.
O ex-presidente afirmou que, quando foi alvo de uma operação da PF, em julho do ano passado, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, todas as armas que possuía foram apreendidas.
Segundo Bolsonaro, porém, ele pediu ao delegado responsável pela operação que deixasse ao menos uma delas na residência, para proteger o imóvel onde mora com três mulheres, entre elas a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

