5 min de leitura
Pedra com data impossível, flecha disparada antes da morte e radar sem encontrar corpo: o suposto túmulo de Robin Hood na Inglaterra que desafia historiadores há séculos
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 26/07/2026 às 00:54
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Epitáfio contestado, baladas medievais e investigações arqueológicas mantêm vivo o mistério sobre o possível local de descanso do lendário arqueiro inglês.
Um monumento localizado em uma floresta privada de West Yorkshire, na Inglaterra, desperta curiosidade há séculos.
Conhecido como Túmulo de Robin Hood, o local fica na propriedade de Kirklees Park, próximo às ruínas do antigo Priorado de Kirklees.
A tradição afirma que o famoso fora da lei teria sido enterrado naquele ponto após morrer em circunstâncias violentas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Historiadores, porém, contestam a autenticidade da pedra, do epitáfio e da própria história relacionada ao sepultamento.
Investigações realizadas no terreno também não encontraram sinais arqueológicos capazes de confirmar a presença de um corpo sob o monumento.
Baladas antigas ligam Robin Hood ao Priorado de Kirklees
A associação entre Robin Hood e Kirklees aparece em “A Gest of Robyn Hode”, uma das narrativas mais antigas preservadas sobre o personagem.
O texto afirma que Robin morreu em um local chamado “Kyrkesley”, após ser atacado por uma prioresa não identificada e por Sir Roger de Doncaster.
A obra, entretanto, não apresenta detalhes completos sobre as circunstâncias da morte.
Uma balada posterior, chamada “A Morte de Robin Hood”, ampliou a narrativa durante o século XVII.
Segundo essa versão, Robin Hood já estava doente quando procurou ajuda de uma parente que ocupava o cargo de prioresa.
A mulher teria realizado uma sangria, mas permitiu deliberadamente que o arqueiro morresse após perder uma grande quantidade de sangue.
Flecha disparada teria indicado o local do túmulo
Uma versão da balada registrada em 1786 acrescentou o episódio mais conhecido da história.
Robin Hood, durante seus últimos momentos, teria disparado uma flecha pela janela do quarto onde estava hospedado.
O arqueiro teria pedido ao companheiro João Pequeno que o enterrasse no ponto onde o projétil caísse.
A primeira flecha teria atingido água corrente, obrigando Robin a realizar um segundo disparo.
A segunda flecha teria marcado o local definitivo do sepultamento.
Essa tradição passou a explicar a posição do monumento existente atualmente em Kirklees Park.
A pedra está localizada em uma área de floresta privada, aproximadamente 650 metros distante do antigo portão do priorado.
Recomendado para você
Automotivo
Geely EX2 elétrico chama atenção com autonomia de 289 km, tração traseira e manutenção abaixo de R$ 5 mil, mas sete detalhes mostram por que o hatch chinês ainda pode ficar muito melhor quando começar a ser produzido no Brasil
Hatch elétrico oferece 116 cv, equipamentos avançados e revisões a cada 20 mil quilômetros, embora ainda precise melhorar acabamento, ergonomia, conectividade e sistema multimídia.
O Geely EX2 ganhou espaço no mercado…
Viviane Alves
0
Inscrição afirma que Robin Hood morreu em 1247
O monumento possui um epitáfio que identifica o morto como Robert, Conde de Huntingdon, chamado pelo povo de Robin Hood.
A inscrição também afirma que nenhum arqueiro teria sido tão habilidoso quanto ele.
O texto apresenta 24 de dezembro de 1247 como a suposta data da morte.
O historiador Maurice Keen, contudo, classificou a inscrição como claramente falsa.
Segundo Keen, o idioma gravado na pedra não corresponde a nenhuma forma de inglês utilizada em qualquer período histórico conhecido.
A expressão “24 Kal Dekembris” também não representa uma data válida no calendário.
Um texto praticamente idêntico foi encontrado entre os documentos de Thomas Gale, Deão de York, após sua morte, em 1702.
Outro epitáfio semelhante apareceu em “The True Tale of Robin Hood”, publicada por Martin Parker em 1632.
Registros históricos mencionam uma antiga lápide
A provável falsidade do epitáfio não elimina completamente a possibilidade de uma pedra funerária mais antiga ter existido naquele local.
John Leland mencionou, durante a década de 1530, a tradição de que Robin Hood estaria enterrado perto do Priorado de Kirklees.
Richard Grafton apresentou uma referência mais direta em 1569, na obra “Chronicle at Large”.
O cronista afirmou que a prioresa teria ordenado o sepultamento de Robin Hood à margem de uma estrada.
Uma pedra ornamentada teria sido colocada sobre a sepultura, acompanhada por cruzes instaladas nas extremidades.
Grafton, entretanto, registrou o nome do priorado como “Bircklies”, provavelmente devido a um erro de leitura.
A inconsistência levantou dúvidas sobre a precisão de seu relato.
A tradução inglesa da obra “Britannia”, publicada por Philemon Holland em 1607, também mencionou brevemente o túmulo.
Monumento sofreu degradação ao longo dos séculos
Nathaniel Johnston elaborou, em 1665, um desenho que mostrava uma pedra semelhante àquela descrita por Grafton.
Ralph Thoresby relatou, no início do século XVIII, que conseguiu observar o monumento.
A inscrição, naquela época, já estava quase ilegível.
Richard Gough descreveu a estrutura em 1786 como quebrada, desfigurada e com o texto impossível de ler.
Um antigo proprietário das terras teria escavado o local para verificar a existência de uma sepultura.
O solo encontrado sob a pedra, porém, não apresentava sinais de ter sido anteriormente perturbado.
Essa constatação reforçou as dúvidas sobre a existência de um enterro.
Radar não encontrou evidências de sepultamento
Um pequeno muro de pedra e uma cerca foram instalados ao redor do monumento, possivelmente durante o século XIX.
A proteção teria sido construída para impedir que trabalhadores retirassem fragmentos da lápide.
Moradores acreditavam que os pedaços da pedra possuíam propriedades capazes de aliviar dores de dente.
A equipe do programa “Expedition Unknown” realizou uma nova investigação no local em 2015.
Um radar de penetração no solo foi utilizado para procurar alterações compatíveis com uma sepultura.
O equipamento, entretanto, não encontrou sinais de movimentação do terreno ou indícios de um sepultamento sob a pedra.
Mistério permanece entre a história e o folclore
A ausência de evidências arqueológicas impede que o monumento seja confirmado como o verdadeiro túmulo de Robin Hood.
As inconsistências do epitáfio também enfraquecem a autenticidade da estrutura.
Relatos medievais, registros posteriores e tradições populares, ainda assim, mantêm o mistério vivo.
O suposto Túmulo de Robin Hood permanece como um dos símbolos mais curiosos ligados ao lendário arqueiro inglês.
A história continua situada entre documentos históricos, baladas populares e séculos de folclore.
Você acredita que o monumento pode esconder alguma ligação verdadeira com Robin Hood ou tudo não passa de uma lenda criada ao longo dos séculos? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

