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Pedreiro passou 30 anos guardando dinheiro para um sonho improvável, ergueu a seis metros do chão uma casa de concreto em forma de avião com 20 metros de comprimento, dois quartos, dois banheiros, asas, motores e cauda por cerca de US$ 20 mil
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 27/07/2026 às 10:09
Curiosidades
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Sem nunca ter viajado de avião, Chrach Pov transformou as economias de três décadas em uma residência suspensa sobre pilares no Camboja, projetada para reproduzir uma aeronave particular em meio a uma área rural de Siem Reap
Durante 30 anos, o pedreiro cambojano Chrach Pov separou parte do dinheiro que ganhava trabalhando na construção civil. O objetivo não era comprar um imóvel convencional, abrir uma empresa ou adquirir um veículo, mas levantar uma casa de concreto parecida com o avião que ele sonhava pilotar desde a infância.
O projeto começou a sair do papel em março de 2022, quando Pov já tinha 42 anos. A estrutura foi construída na província de Siem Reap, no noroeste do Camboja, com o corpo principal instalado a seis metros do chão e sustentado por pilares de concreto.
Em fevereiro de 2023, quando a obra ganhou repercussão internacional, o trabalhador calculava ter investido aproximadamente US$ 20 mil. O valor correspondia às economias acumuladas ao longo de três décadas, mas a residência ainda não estava totalmente concluída.
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A construção recebeu janelas semelhantes às de uma aeronave, asas laterais, cauda, trem de pouso decorativo e réplicas de motores. Dentro da fuselagem de concreto, o proprietário organizou dois quartos e dois banheiros, criando uma residência habitável onde os espaços reproduzem parte da experiência visual de estar a bordo de um avião. Segundo a Reuters, Pov afirmou estar emocionado por finalmente concretizar o projeto, embora ainda faltassem acabamentos.
Uma aeronave de concreto com 20 metros foi construída sobre um campo rural
Vista à distância, a residência lembra um jato particular que acabou de pousar em uma plantação. A estrutura branca tem aproximadamente 20 metros de comprimento, quatro metros de largura e seis metros de altura, medidas que permitiram criar corredores e cômodos dentro do corpo do falso avião.
As asas, os motores e a cauda não possuem função aeronáutica. Eles foram moldados para completar a aparência externa, enquanto grandes pilares sustentam a parte onde ficam os quartos e banheiros. Uma escada metálica instalada na lateral dá acesso à porta principal.
Pov desenvolveu o desenho observando fotografias e inúmeros vídeos de jatos particulares na internet. Como trabalhava na construção civil, conseguiu participar diretamente da execução e adaptar técnicas convencionais de concreto armado ao formato curvo da fuselagem.
Reportagens distribuídas pela AFP descreveram a casa como uma construção de 20 metros de comprimento, equipada com asas, cauda, motores falsos e elementos semelhantes a um trem de pouso. O trabalho levou quase um ano e consumiu praticamente toda a reserva financeira reunida pelo pedreiro.
O sonho começou quando ele ainda era criança e nunca havia entrado em um avião
Assista o vídeo
A inspiração surgiu décadas antes da construção. Pov cresceu observando aeronaves no céu e desenvolveu o desejo de voar, mas nunca teve condições financeiras para fazer uma viagem aérea. A casa tornou-se uma maneira concreta de manter essa ideia presente em sua rotina.
A contradição chamou a atenção dos visitantes. Embora tenha construído uma residência inteira inspirada na aviação, o cambojano admitiu sentir nervosismo ao imaginar seu primeiro voo verdadeiro. Mesmo assim, declarou que pretendia embarcar em uma aeronave quando tivesse dinheiro suficiente e um destino definido.
O projeto também ganhou um significado familiar. Reportagens publicadas na época identificaram Pov como um pai viúvo de três filhos, que poderia morar, dormir, tomar banho e fazer refeições dentro da construção. Para ele, o imóvel não era apenas uma escultura em grande escala, mas uma casa funcional destinada à família.
A agência AFP informou que o trabalhador usou praticamente todas as economias no projeto. Também relatou que visitantes passaram a pagar entre US$ 0,50 e US$ 1 para entrar na propriedade e fotografar a casa, criando uma pequena fonte de renda a partir da curiosidade despertada pela obra.
A casa começou a atrair moradores e visitantes antes mesmo do fim da obra
Quando as primeiras imagens circularam, pessoas de outras áreas de Siem Reap começaram a visitar o local. A fuselagem branca cercada por campos, palmeiras e estradas rurais criou um cenário incomum, sobretudo porque a estrutura parece pronta para decolar quando observada de determinados ângulos.
Os visitantes passaram a subir a escada, caminhar pelos cômodos e tirar fotografias diante das asas e dos motores. Em março de 2023, imagens registradas no imóvel mostravam famílias conhecendo a residência e posando na entrada, mesmo com partes externas ainda em processo de acabamento.
A movimentação levou Pov a pensar em ampliar o uso comercial da propriedade. Seu plano era construir uma cafeteria ao lado da casa, oferecendo um ponto de descanso para quem viajasse até a região apenas para conhecer a aeronave de concreto.
Conforme publicou o jornal The Straits Times, a obra havia começado em março de 2022 e ainda não estava 100% pronta em fevereiro do ano seguinte. O proprietário esperava aproveitar o interesse dos visitantes sem abandonar a função residencial da estrutura.
A localização próxima de Angkor aumenta o potencial turístico da residência
A casa foi erguida nas proximidades da cidade de Siem Reap, conhecida como principal porta de entrada para o Parque Arqueológico de Angkor. A região recebe viajantes interessados em templos, construções históricas, comunidades rurais e paisagens formadas por plantações e palmeiras.
Angkor ocupa cerca de 400 quilômetros quadrados e reúne templos, reservatórios, canais, antigas vias de circulação e estruturas construídas durante o Império Khmer. O complexo, inscrito como Patrimônio Mundial em 1992, inclui monumentos como Angkor Wat, Bayon, Preah Khan e Ta Prohm, de acordo com a Unesco.
Esse fluxo turístico ajuda a explicar por que uma residência particular conseguiu atrair visitantes pouco depois de aparecer nas notícias. A casa oferece uma atração diferente dos monumentos centenários da região, baseada em uma história pessoal, na construção artesanal e na possibilidade de entrar em uma réplica residencial de avião.
O Ministério do Turismo do Camboja identifica Siem Reap como uma área fortemente ligada ao turismo do Parque Arqueológico de Angkor. Nesse contexto, a cafeteria imaginada por Pov poderia transformar a propriedade em uma parada complementar para viajantes interessados em atrações menos conhecidas fora dos roteiros tradicionais.
O pedreiro conseguiu construir o avião onde pode morar, mas ainda deseja fazer seu primeiro voo
A casa não possui turbinas, instrumentos de navegação ou qualquer capacidade de sair do chão. Apesar da aparência, ela permanece presa aos pilares de concreto e foi planejada para resistir como uma construção residencial, não como uma aeronave.
O resultado, porém, permitiu que Pov reproduzisse parte da experiência que imaginava desde criança. Ele pode entrar pela lateral, caminhar por uma fuselagem, observar o terreno pelas pequenas janelas e viver dentro de uma estrutura com asas, motores e cauda.
Quando contou sua história, em 2023, o pedreiro ainda pretendia viajar em um avião verdadeiro. A residência suspensa representava a primeira parte do sonho, realizada com 30 anos de trabalho, economia e experiência prática em construção, mas não substituía o desejo de conhecer o voo real.
Você investiria as economias de três décadas em uma casa tão diferente ou escolheria um projeto residencial convencional? Deixe nos comentários o que mais chamou sua atenção na construção de Chrach Pov e conte se você visitaria uma casa de concreto em forma de avião.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

