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Pela primeira vez, sonda da NASA encontra áreas quentes escondidas abaixo da superfície da lua mais vulcânica do Sistema Solar
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 25/07/2026 às 19:18
Ciência e Tecnologia
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Aquecimento subterrâneo em Io foi medido pela sonda Juno entre dois e seis metros de profundidade, revelando novas pistas sobre o vulcanismo da lua de Júpiter.
A sonda Juno conseguiu medir pela primeira vez o aquecimento subterrâneo em Io, atravessando com micro-ondas a camada superficial da lua de Júpiter e identificando uma elevação superior a 22 °C em poucos metros de profundidade. O resultado oferece aos cientistas uma visão inédita do percurso feito pelo calor interno antes que ele alcance os vulcões e se manifeste no terreno.
O estudo foi publicado em 22 de julho no periódico científico JGR Planets, com dados obtidos durante aproximações realizadas em 30 de dezembro de 2023 e 3 de fevereiro de 2024. A análise foi conduzida por pesquisadores ligados à missão Juno, da NASA, e poderá influenciar investigações sobre vulcanismo planetário, oceanos escondidos e até estruturas localizadas abaixo de vulcões terrestres.
Aquecimento subterrâneo em Io foi medido com instrumento criado para Júpiter
O radiômetro de micro-ondas da Juno havia sido desenvolvido principalmente para examinar regiões abaixo das densas nuvens de Júpiter. Durante os dois sobrevoos, porém, o equipamento foi direcionado para Io e demonstrou que também podia captar diferenças de temperatura escondidas sob o terreno.
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A mudança representa um avanço em relação às observações tradicionais no infravermelho, capazes de registrar lava, erupções e outras fontes de calor já expostas. Com as micro-ondas, os pesquisadores alcançaram uma faixa situada aproximadamente entre dois e seis metros abaixo da superfície.
Essa profundidade permitiu identificar como a temperatura se modifica antes que a energia interna chegue ao lado externo da crosta. O aquecimento subterrâneo em Io deixou, portanto, de ser apenas uma previsão baseada na atividade vulcânica observada e passou a contar com medições diretas.
Temperatura cresce rapidamente abaixo da superfície
Os dados indicaram uma diferença superior a 22 °C entre a região superficial e as camadas analisadas em profundidade. O estudo também encontrou pontos específicos com temperaturas de 10 °C a 20 °C acima das áreas vizinhas.
Essas zonas podem representar caminhos pelos quais o calor sobe do interior da lua. Outra possibilidade considerada pelos cientistas é a presença de depósitos de lava próximos à superfície, ainda liberando energia enquanto passam por um processo gradual de resfriamento.
Os pesquisadores ainda não determinaram qual explicação se aplica a cada área observada. Novas medições serão necessárias para distinguir fluxos vindos de regiões profundas de fontes térmicas mantidas temporariamente dentro da crosta.
Aquecimento subterrâneo em Io ajuda a explicar centenas de vulcões
Io possui grandes montanhas e centenas de centros vulcânicos ativos, mas extensas partes do terreno apresentam uma aparência relativamente uniforme. A equipe considera que essa característica pode ser consequência da renovação frequente da superfície.
Erupções sucessivas espalham cinzas, compostos de enxofre e outros materiais sobre regiões mais antigas. Com o passar do tempo, essas novas camadas encobrem irregularidades e produzem um terreno formado por substâncias de baixa densidade.
O aquecimento subterrâneo em Io ajuda a relacionar essa superfície continuamente renovada com os processos que ocorrem abaixo dela. Ao acompanhar a distribuição térmica, os cientistas podem investigar onde o material vulcânico se acumula e por quais caminhos ele se aproxima do exterior.
Gravidade de Júpiter funciona como fonte de energia
A origem do calor de Io é diferente do mecanismo que sustenta grande parte do vulcanismo terrestre. Na Terra, a energia interna está associada, entre outros processos, à decomposição de elementos radioativos presentes no planeta.
Io é aquecida principalmente pela intensa interação gravitacional com Júpiter. Enquanto percorre sua órbita, a lua sofre deformações repetidas, sendo comprimida e alongada pela enorme força exercida pelo planeta.
Esse movimento contínuo produz atrito e aquece o interior do satélite, fenômeno conhecido como aquecimento por maré. A energia gerada mantém materiais internos em condições capazes de alimentar a atividade vulcânica observada na superfície.
Principais descobertas feitas pela missão Juno
As medições trouxeram resultados que não estavam disponíveis apenas com imagens térmicas superficiais:
- análise de temperaturas entre aproximadamente dois e seis metros de profundidade;
- aumento superior a 22 °C em uma pequena distância abaixo do terreno;
- identificação de regiões entre 10 °C e 20 °C mais quentes que o entorno;
- sinais que podem estar ligados a fluxos profundos ou reservatórios rasos de lava;
- indícios de uma superfície coberta repetidamente por resíduos vulcânicos;
- demonstração de que o radiômetro pode estudar outros corpos além de Júpiter.
O levantamento não produziu uma imagem completa do interior da lua. Ainda assim, forneceu um novo método para comparar áreas vulcânicas e acompanhar diferenças térmicas que permaneciam invisíveis aos sensores de infravermelho.
Técnica poderá ser testada perto de vulcões terrestres
Scott Bolton, principal investigador da missão Juno e um dos autores do trabalho, considera que equipamentos semelhantes podem revelar variações térmicas no subsolo de vulcões da Terra. A proposta seria observar alterações de temperatura antes que o calor alcance a superfície.
Uma medição desse tipo poderia acrescentar informações aos métodos usados para estudar sistemas vulcânicos. O instrumento não substituiria outras técnicas, mas permitiria analisar o gradiente térmico em uma camada rasa do terreno.
A aplicação terrestre ainda precisaria ser testada em condições reais. O comportamento de um vulcão terrestre é diferente daquele encontrado em Io, mas o princípio de detectar calor abaixo da superfície pode ser aproveitado em ambos os ambientes.
Aquecimento subterrâneo em Io também interessa ao estudo de luas geladas
O radiômetro da Juno já foi direcionado para Europa e Ganimedes, duas luas de Júpiter que podem esconder oceanos abaixo de espessas camadas de gelo. Entender como a energia atravessa diferentes materiais é essencial para investigar esses ambientes subterrâneos.
Io não é considerada um local favorável à vida, devido à intensa atividade vulcânica e às condições extremas. Mesmo assim, seu interior funciona como um laboratório natural para estudar o aquecimento por maré, processo que também pode fornecer energia a mundos muito distantes de suas estrelas.
Ao comparar luas vulcânicas e geladas, os pesquisadores podem compreender como o calor se distribui em corpos com composições distintas. Essa informação é relevante para avaliar a estabilidade de oceanos internos e a evolução geológica de satélites naturais.
O método também pode contribuir para pesquisas sobre regiões vulcânicas que já não apresentam atividade intensa. Marte, Vênus e a Lua da Terra preservam estruturas formadas por processos geológicos antigos, nem sempre compreendidos apenas pela observação da superfície.
A capacidade de detectar diferenças térmicas rasas pode ajudar a reconhecer materiais, depósitos e caminhos associados ao calor interno. Cada corpo celeste, entretanto, exigirá instrumentos e estratégias adaptadas às suas próprias condições.
Com informações do Olhar Digital
Fonte
Olhar Digital
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

