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Por 15 anos ela limpou os corredores da universidade federal com balde e pano na mão, e agora, aos 50, se senta como aluna nas mesmas salas que esfregava, sendo a primeira pessoa da família inteira a chegar ao ensino superior

Por 15 anos ela limpou os corredores da universidade federal com balde e pano na mão, e agora, aos 50, se senta como aluna nas mesmas salas que esfregava, sendo a primeira pessoa da família inteira a chegar ao ensino superior

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Por 15 anos ela limpou os corredores da universidade federal com balde e pano na mão, e agora, aos 50, se senta como aluna nas mesmas salas que esfregava, sendo a primeira pessoa da família inteira a chegar ao ensino superior

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/07/2026 às 15:36

Curiosidades

Por 15 anos ela limpou os corredores da universidade federal com balde e pano na mão, e agora, aos 50, se senta como aluna nas mesmas salas que esfregava, sendo a primeira pessoa da família inteira a chegar ao ensino superior

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Depois de 15 anos trabalhando na limpeza da Universidade Federal de Juiz de Fora, Cláudia Dias da Silva voltou ao mesmo campus como aluna do curso de Ciências Humanas. Ela é a primeira da família a chegar ao ensino superior e sonha em se tornar professora.

Poucas viradas de vida cabem tão bem em uma imagem: trocar o balde pelo caderno, no mesmo prédio. Segundo o g1, Cláudia Dias da Silva passou 15 anos percorrendo os corredores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) com panos e produtos de limpeza e hoje caminha pelos mesmos lugares como aluna do curso de Ciências Humanas.

A conquista tem um peso que vai além dela. Cláudia é a primeira pessoa da família, tanto do lado materno quanto do paterno, a ingressar no ensino superior, algo que por muito tempo pareceu impossível. À reportagem, publicada em novembro de 2025, ela tinha 50 anos e já havia deixado a instituição como faxineira quando passou no vestibular.

Quinze anos de balde e pano nos mesmos corredores

A relação dela com a universidade começou pelo trabalho, e não pelo estudo. Por 15 anos, Cláudia percorreu os corredores da UFJF com baldes, panos e a responsabilidade de zelar pelo espaço, segundo a reportagem.

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O contraste com a rotina atual é o que dá força à história. Hoje, ela caminha pelos mesmos lugares com um caderno nas mãos, ocupando as salas que antes limpava.

É uma mudança de lugar no sentido literal da palavra. Quem antes entrava na sala depois da aula, para deixá-la pronta, agora entra antes dela, para assistir dentro da mesma instituição, a UFJF.

“Deixo a Cláudia doméstica e me torno a Cláudia acadêmica”

A própria estudante resume a virada com uma frase que já diz tudo. “Agora, no lugar onde eu limpava, eu me sento para estudar. Deixo a Cláudia empregada doméstica e me torno a Cláudia acadêmica”, afirmou.

Ela enxerga a chegada à universidade como um marco pessoal. “É uma virada de vida. Estar aqui como estudante é uma vitória”, completou na mesma declaração.

E deixa um recado para quem acha que perdeu o tempo. “Olho para trás e vejo que valeu a pena esperar. Nunca é tarde para aprender”, disse.

A primeira da família inteira a chegar à universidade

Cláudia Dias da Silva é a primeira pessoa da família, tanto por parte de pai quanto de mãe, a ingressar na faculdade — Foto: Arquivo Pessoal

O ineditismo dentro da família é um dos pontos mais marcantes do caso. Cláudia é a primeira, tanto na família materna quanto na paterna, a ingressar no ensino superior.

Ela costuma explicar essa distância de forma bem direta. “Sou negra, pobre e trabalhadora doméstica. Às vezes, o sonho está tão fora da gente, parece que nunca vai acontecer”, afirmou.

E define o momento atual como uma ruptura. “Vivi uma vida e agora estou mudando o jogo para outra”, disse, ao falar sobre a chegada à universidade.

A escola interrompida aos 11 anos

A paixão pelos estudos, no entanto, é antiga. Cláudia conta que o gosto pela escola começou ainda na infância, muito antes de qualquer perspectiva de faculdade.

A interrupção veio cedo e de forma dura. Aos 11 anos, com a morte do pai, ela precisou deixar a escola para ajudar a mãe e cuidar dos irmãos mais novos.

Foi a primeira de várias pausas. “Eu era apaixonada por estudar, mas precisei parar. O destino me forçou a adiar esse sonho”, lembrou.

A segunda tentativa aos 17 e a nova pausa

Houve uma chance de retomada ainda na juventude. Aos 17 anos, um patrão a matriculou novamente na escola, segundo o relato dela.

Mas o retorno não se sustentou. Ela não conseguiu concluir o ensino fundamental naquela ocasião, e os estudos ficaram novamente para trás.

A vida seguiu por outro caminho. Vieram casamento, filhos e trabalho, e a escola ficou mais uma vez para depois — um “depois” que levaria três décadas para chegar.

O reencontro aos 47 anos

A retomada só aconteceu quando ela já era mãe e avó. O reencontro de Cláudia com a educação aconteceu aos 47 anos, quando trabalhava como empregada doméstica.

Duas pessoas da própria casa foram o empurrão. Ela decidiu voltar à escola inspirada pelo filho, Luiz Maurício, atleta olímpico, e pela filha, que também havia interrompido os estudos.

A motivação tinha dupla natureza. “Quis ser exemplo para ela. Voltar era um sonho meu, mas também um compromisso de mãe”, contou.

Quem é o filho atleta que a inspirou

O filho citado por ela tem uma trajetória notável no esporte brasileiro. Trata-se do juiz-forano Luiz Maurício da Silva, atleta do lançamento de dardo, que disputou os Jogos Olímpicos de Paris.

A campanha dele em 2024 entrou para a história da modalidade. Na fase classificatória, ele alcançou a marca de 85,91 metros e bateu o recorde sul-americano, garantindo vaga na final, conforme registrado pela imprensa esportiva.

O feito tem peso histórico para o país. Ele se tornou o primeiro finalista olímpico brasileiro no lançamento de dardo masculino, e terminou a final na 11ª colocação, com 80,67 metros.

O EJA ao lado da filha e a formatura juntas

O caminho de volta começou pela base. Cláudia primeiro concluiu o 9º ano e, em seguida, matriculou-se no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio de Aplicação João XXIII, onde estudou ao lado da filha.

O medo inicial foi grande. “Eu tinha muito medo, porque foram mais de 30 anos sem entrar numa sala de aula”, relatou.

O que a acalmou foi justamente a igualdade da sala. “O que me confortou foi a cartilha: todos aprendemos com o mesmo material, e ali me senti acolhida”, disse. Mãe e filha se formaram juntas no ensino médio.

O Enem e a aprovação na universidade

Com o ensino médio concluído, veio o passo que parecia impossível. Cláudia prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e foi aprovada no curso de Ciências Humanas da UFJF, ingressando em 2024.

Nem ela mesma acreditava que chegaria tão longe. “Ter o ensino médio completo já era algo magnífico, uma grande realização. Não conseguia imaginar que um dia fosse conseguir ir além desse feito”, afirmou.

O detalhe simbólico é que a chegada veio depois da saída. Quando passou na UFJF, ela já havia deixado a instituição como faxineira, retornando ao campus em outra condição.

A rotina dividida entre trabalho, faculdade, filhos e netos

Cláudia Dias da Silva e a família — Foto: Arquivo Pessoal

Conciliar tudo isso não é simples. Dividida entre o trabalho, a faculdade, os filhos, os netos e o marido, ela segue firme na nova rotina, segundo a reportagem.

A sensação de autonomia é o que ela mais destaca. “Sinto que posso caminhar com as minhas próprias pernas. Fui com coragem, cara e vontade”, disse.

E o aprendizado não fica só na sala de aula. “Todo dia é diferente e bom. O que eu aprendo, levo pra dentro de casa”, completou.

O plano: virar professora e fazer mestrado

video: G1

O diploma, para ela, não é o ponto final. A estudante afirma que quer ser professora, ainda que reconheça a necessidade de ir por etapas.

O foco imediato é concluir a graduação. “Gostaria de ser docente, mas preciso do pé no chão primeiro para isso, meu foco é formar por enquanto”, explicou.

Depois disso, os planos seguem. “Quero fazer o mestrado e vivenciar tudo também. Todas as portas que forem abrindo quero entrar”, afirmou, deixando ainda uma defesa da educação: “A gente devia lutar mais pela educação, que é essencial para o ser humano. A vida não se conclui aos 50 anos”.

E você, acha que é tarde para voltar a estudar?

De 15 anos com balde e pano nos corredores a uma carteira nas mesmas salas, a trajetória de Cláudia como aluna da UFJF mostra que o tempo perdido não é necessariamente tempo encerrado. Ela parou de estudar aos 11 anos, voltou aos 47 e virou a primeira da família inteira a chegar ao ensino superior.

E você, já pensou em retomar os estudos que interrompeu? Acredita que existe idade limite para começar uma graduação? Conte nos comentários a sua opinião e marque aquela pessoa que precisa ouvir que ainda dá tempo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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