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Por fora, apenas uma colina suave; por dentro, uma bateria hidrelétrica de 500 kW: engenheiros enterram sistema, substituem água por fluido mineral 2,5 vezes mais denso e encontram uma forma surpreendente de armazenar excedentes solares e eólicos sem depender de montanhas elevadas ou barragens gigantes
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 30/07/2026 às 16:50
Atualizado em 30/07/2026 às 16:51
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Projeto britânico armazena excedentes solares e eólicos sem depender de montanhas elevadas ou grandes barragens
Uma central experimental começou a gerar eletricidade em Cornwood, próximo de Plymouth, no condado britânico de Devon. Desenvolvido pela RheEnergise, o sistema adapta o armazenamento hidrelétrico reversível para terrenos com inclinações menores.
A instalação alcançou 500 kW de potência durante os testes divulgados em 27 de janeiro de 2026. Segundo a empresa, o resultado ocorreu continuamente e correspondeu ao desempenho previsto para o projeto.
Caso permanecesse disponível durante um ano, essa potência equivaleria ao consumo de aproximadamente 400 residências. A estimativa também foi apresentada pela RheEnergise.
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Fluido mineral reduz a altura necessária
Nas hidrelétricas reversíveis tradicionais, a eletricidade excedente bombeia água até um reservatório elevado. Posteriormente, o líquido desce pelas tubulações, movimenta uma turbina e devolve parte da energia armazenada.
Entretanto, a tecnologia instalada em Devon substitui a água por um fluido mineral 2,5 vezes mais denso. Com o peso adicional, o sistema consegue produzir pressão semelhante usando desníveis menores.
Consequentemente, o equipamento pode operar em encostas com menos da metade da altura normalmente exigida por instalações convencionais. Além disso, parte da estrutura permanece no subsolo.
Dessa maneira, o projeto reduz a dependência de montanhas elevadas e grandes barragens. Ainda assim, mantém o princípio mecânico usado no armazenamento hidrelétrico por bombeamento.
Sistema funciona como uma bateria hidrelétrica
Apesar de gerar eletricidade, a instalação não representa uma fonte primária de energia. Isso ocorre porque o sistema precisa consumir eletricidade para bombear o fluido ao reservatório superior.
Primeiramente, excedentes produzidos por parques solares e eólicos alimentam o bombeamento. Depois, quando a geração renovável diminui, o equipamento libera o fluido mineral.
Durante a descida, o líquido movimenta as turbinas e recupera parte da eletricidade armazenada. Portanto, a estrutura funciona como uma bateria hidrelétrica baseada em gravidade.
Assim, o projeto pode guardar excedentes renováveis e liberá-los posteriormente. No entanto, seu funcionamento depende da energia utilizada durante a etapa inicial de bombeamento.
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Caio Aviz
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Projeto avançou até atingir potência total
A RheEnergise desenvolveu a unidade de Cornwood como uma instalação experimental. Em setembro de 2025, a empresa concluiu os principais trabalhos mecânicos do sistema.
Posteriormente, em janeiro de 2026, a central atingiu de forma consistente sua meta de 500 kW. O resultado confirmou o funcionamento da tecnologia nas condições previstas para o projeto.
Agora, a empresa pretende desenvolver instalações comerciais no Reino Unido e em outros mercados. Nesse sentido, mantém conversas com parceiros na Itália, Polônia, Espanha e América do Norte.
Tecnologia ainda precisa comprovar viabilidade em maior escala
Embora os testes tenham alcançado a potência esperada, projetos maiores ainda precisarão avaliar diferentes aspectos técnicos e econômicos.
Entre os principais pontos estão os custos de escavação, a durabilidade do fluido e a eficiência completa do ciclo. Além disso, as instalações deverão impedir possíveis vazamentos.
Portanto, a experiência mostra que o armazenamento hidrelétrico pode chegar a locais sem montanhas altas. Contudo, a solução ainda não elimina os desafios econômicos das obras subterrâneas.
Você confiaria em um sistema enterrado que funciona como uma bateria usando um fluido mineral mais denso que a água?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

