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Portugal reduziu o tempo de trabalho de mais de 1000 pessoas em 41 empresas, testando a semana de quatro dias, manteve os salários, eliminou tarefas inúteis e viu 95% dos negócios aprovarem a experiência
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 30/07/2026 às 21:45
Economia
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Experiência realizada em 2023 mostra como a semana de quatro dias em Portugal reduziu a jornada sem cortar salários, exigiu menos reuniões, reorganizou tarefas e abriu um debate sobre produtividade, cansaço e aplicação do modelo em empresas brasileiras
Uma empresa fecha as portas na sexta feira, mas nenhum funcionário perde parte do salário. Essa mudança fez parte do teste da semana de quatro dias em Portugal, realizado em 41 empresas privadas e envolvendo mais de 1000 trabalhadores durante 2023.
O tempo trabalhado caiu, em média, 13,7%, enquanto os salários foram mantidos. Ao final da experiência, 95% das empresas participantes consideraram o resultado positivo, reforçando a discussão sobre redução da jornada de trabalho e produtividade.
As informações foram divulgadas pelo PLANAPP, organismo do centro do governo português dedicado à avaliação de políticas. O projeto analisou os efeitos da nova rotina sobre empresas, trabalhadores e suas famílias.
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Como mais de 1000 trabalhadores ganharam tempo sem perder salário
O projeto não exigiu que todas as empresas adotassem quatro jornadas iguais. Cada negócio pôde organizar os horários de uma forma diferente, desde que houvesse uma redução real do tempo de trabalho e preservação do salário.
Em alguns casos, a empresa passou a fechar em um dia da semana. Em outros, equipes ganharam folgas em dias alternados ou trabalharam com uma distribuição diferente das horas. A semana de quatro dias funcionou como uma mudança na organização, e não como uma regra única aplicada da mesma maneira em todos os locais.
Essa liberdade foi importante porque as empresas tinham tamanhos, serviços e necessidades diferentes. O objetivo não era apenas retirar um dia do calendário, mas encontrar uma forma de entregar o mesmo trabalho em menos tempo, sem diminuir a remuneração.
A redução média de 13,7% no tempo trabalhado mostra que nem todos os participantes ganharam exatamente um dia inteiro de folga. Ainda assim, mais de 1000 pessoas passaram a ter uma jornada menor durante a experiência.
Reuniões menores e tarefas inúteis precisaram sair da rotina
Trabalhar menos sem reduzir as entregas exigiu mudanças dentro das empresas. Reuniões longas foram encurtadas, tarefas foram reorganizadas e processos considerados inúteis deixaram de ocupar parte do expediente.
A experiência obrigou gestores e funcionários a observar onde o tempo era desperdiçado. Atividades repetidas, conversas sem objetivo claro e etapas que não melhoravam o resultado precisaram ser revistas.
A mudança também mostrou que retirar um dia de trabalho sem alterar a rotina poderia apenas concentrar a mesma carga em menos horas. Por isso, a redução da jornada precisou vir acompanhada de uma revisão das prioridades e da forma como cada equipe trabalhava.
O desafio não estava somente em fechar a empresa na sexta feira. O ponto mais difícil era descobrir o que poderia ser eliminado para que o trabalho continuasse sendo entregue com qualidade.
Produtividade deixou de significar apenas presença no trabalho
Muitas empresas ainda associam produtividade ao número de horas que uma pessoa permanece no local de trabalho. O projeto português colocou outra pergunta no centro da discussão: quanto trabalho realmente precisa ser feito e quanto tempo é perdido em processos sem utilidade?
O PLANAPP, organismo do centro do governo português dedicado à avaliação de políticas, reuniu informações sobre produtividade, custos e resultados das empresas. A análise também observou o bem estar, a qualidade de vida e a saúde física e mental dos trabalhadores.
A experiência mostrou que uma jornada menor depende de organização. Uma equipe pode permanecer muitas horas no escritório e ainda perder tempo com reuniões desnecessárias, falta de comunicação ou tarefas que poderiam ser simplificadas.
Nesse modelo, produtividade não significa fazer tudo com pressa. Significa usar melhor o horário disponível, definir prioridades e eliminar atividades que ocupam tempo sem produzir um resultado importante.
Menos cansaço mudou a relação entre trabalho e vida pessoal
A redução das horas abriu mais espaço para descanso, família e atividades pessoais. Os participantes também perceberam mudanças no equilíbrio entre a vida profissional e o tempo fora do trabalho.
O projeto registrou melhora na relação entre trabalho e vida pessoal, além de redução do cansaço entre os funcionários. Esses efeitos ajudam a explicar a avaliação positiva apresentada por 95% das empresas.
Ter mais tempo livre pode parecer apenas um benefício pessoal, mas o impacto chega ao ambiente profissional. Uma pessoa menos cansada pode ter mais atenção, disposição e capacidade para organizar as próprias tarefas.
Isso não significa que trabalhar quatro dias resolve todos os problemas de uma empresa. O resultado depende da carga de trabalho, da organização interna e da capacidade de impedir que cinco dias de tarefas sejam apenas comprimidos em quatro.
O teste teve limites e não representa todos os tipos de empresa
A experiência ficou concentrada principalmente em atividades ligadas a serviços, consultoria, ciência e tecnologia. Esses negócios costumam ter maior liberdade para alterar horários, reuniões e formas de entrega.
Por esse motivo, os resultados não podem ser aplicados automaticamente a qualquer setor. Uma empresa que trabalha com serviços digitais enfrenta uma realidade diferente da encontrada em uma fábrica, loja, hospital ou operação que precisa funcionar todos os dias.
As 41 empresas participantes representam um grupo limitado diante de todo o mercado de trabalho português. O projeto mostrou que o modelo pode funcionar em determinadas condições, mas não criou uma fórmula pronta para todos os negócios.
Essa experiência mostrou que é possível reduzir horas quando existe espaço para reorganizar processos, equipes e entregas.
Comércio e indústria precisariam criar escalas diferentes
Uma loja brasileira que funciona de segunda a sábado não pode fechar um dia sem avaliar o impacto sobre clientes e vendas. Uma indústria também pode depender de máquinas, turnos e produção contínua.
Nessas empresas, a semana de quatro dias poderia exigir escalas alternadas. Enquanto parte da equipe estivesse de folga, outro grupo manteria o atendimento ou a produção em funcionamento.
Essa adaptação seria mais complexa do que a mudança feita em um escritório. O negócio precisaria distribuir trabalhadores, proteger a operação e evitar que a jornada menor provocasse falta de pessoal em horários importantes.
O modelo também não deveria significar jornadas muito mais pesadas nos outros dias. Concentrar o mesmo volume de trabalho em períodos menores pode aumentar a pressão e eliminar justamente os benefícios ligados ao descanso e à qualidade de vida.
O que as empresas brasileiras podem aprender com Portugal
A maior lição do projeto não está em escolher uma sexta-feira para fechar. Ela aparece na necessidade de revisar reuniões, tarefas repetidas, falhas de comunicação e processos que consomem horas sem ajudar o negócio.
Antes de discutir a redução da jornada de trabalho, uma empresa pode observar como o tempo é usado. Essa análise ajuda a identificar tarefas que poderiam ser eliminadas, simplificadas ou organizadas de outra maneira.
O teste realizado em 2023 mostrou que trabalhar menos exige organização, participação dos funcionários e uma mudança na forma de medir resultados. Apenas reduzir um dia sem modificar a rotina pode aumentar a carga e prejudicar a equipe.
Os números ajudam a explicar o interesse pelo tema: mais de 1000 trabalhadores, 41 empresas, redução média de 13,7% no tempo de trabalho e avaliação positiva de 95% dos negócios participantes.
A experiência portuguesa não criou uma solução universal, mas mostrou que a quantidade de horas não é a única forma de avaliar um trabalhador. Em algumas empresas, retirar atividades desnecessárias pode ser mais importante do que manter pessoas ocupadas durante toda a semana.
O resultado também deixa um alerta para quem pretende copiar o modelo. A semana de quatro dias precisa respeitar o tipo de operação, a quantidade de funcionários e a necessidade de atendimento de cada negócio.
Na sua empresa, o maior obstáculo para trabalhar quatro dias seria a falta de tempo ou a maneira como as tarefas são organizadas? Deixe sua análise nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
PLANAPP
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

