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Pouca gente sabe, mas a Estrela D’Alva não é uma estrela e sim o planeta Vênus: Veja por que o planeta mais brilhante do céu é mais quente que Mercúrio, gira em sentido inverso e intriga astrônomos há séculos
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 22/07/2026 às 18:00
Curiosidades
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A Estrela D’Alva é o planeta Vênus, um mundo rochoso que reflete a luz solar, gira ao contrário e possui temperaturas superiores a 460 °C.
O ponto luminoso que costuma aparecer próximo ao horizonte no começo da manhã ou logo depois do pôr do Sol guarda um contraste surpreendente. Apesar de receber o nome de Estrela D’Alva, ele não produz luz própria e sequer pertence à mesma categoria do Sol e das demais estrelas.
Trata-se de Vênus, um planeta rochoso cuja superfície ultrapassa 460 °C e onde uma rotação completa demora mais que uma volta ao redor do Sol. O brilho delicado observado da Terra, portanto, esconde um ambiente extremo e incompatível com a vida como a conhecemos.
O dia em Vênus demora mais que seu ano
Vênus precisa de aproximadamente 243 dias terrestres para completar um giro em torno do próprio eixo. Para percorrer toda a órbita solar, entretanto, o planeta leva cerca de 225 dias da Terra.
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Essa diferença cria uma situação incomum: o ciclo de rotação é mais demorado que o período orbital. Em outras palavras, o planeta conclui seu ano antes de terminar aquilo que seria um único dia completo.
O movimento também ocorre em sentido contrário ao adotado pela maioria dos planetas do Sistema Solar. Caso alguém pudesse permanecer em sua superfície, observaria o Sol aparecer no oeste e desaparecer no leste.
Brilho não vem de dentro do planeta
As estrelas produzem energia e emitem a própria luz, enquanto Vênus apenas devolve parte da radiação solar que recebe. O fenômeno é intensificado pelas características de sua atmosfera e pela grande quantidade de nuvens que envolvem o planeta.
A camada atmosférica é formada principalmente por dióxido de carbono e possui nuvens de ácido sulfúrico. Essa cobertura reflete a luz do Sol de maneira intensa, tornando Vênus um dos objetos mais fáceis de identificar no céu.
Entre os corpos observados durante a noite, seu brilho fica atrás apenas do apresentado pela Lua. Visto sem instrumentos, o planeta parece um ponto luminoso estável e pode ser confundido facilmente com uma estrela.
Por que a Estrela D’Alva aparece perto do Sol?
Vênus pode ser observado antes do amanhecer ou pouco depois do entardecer porque sua posição no céu permanece visualmente próxima à região ocupada pelo Sol. Dependendo do período, ele surge como o último ponto brilhante antes do dia ou como um dos primeiros após o anoitecer.
Essa alternância explica os nomes populares “Estrela da Manhã” e “Estrela da Tarde”. Embora as duas expressões descrevam aparições em horários diferentes, ambas fazem referência ao mesmo planeta.
O termo Estrela D’Alva relaciona o objeto à claridade que antecede o nascer do Sol. A palavra “alva” deriva do latim alba e pode ser entendida como aurora ou alvorada.
Gregos acreditavam observar dois astros diferentes
Antes de compreenderem que as aparições pertenciam ao mesmo corpo celeste, os gregos antigos usavam nomes diferentes para Vênus. Quando o planeta era visto pela manhã, recebia a denominação Fósforo, associada à ideia de portador da luz.
Na ocorrência noturna, o nome utilizado era Héspero, ligado à estrela da tarde. A diferença de horário levou observadores a tratar as duas manifestações como objetos distintos durante parte da Antiguidade.
A compreensão mudou quando se percebeu que o ponto luminoso da manhã e aquele observado no entardecer seguiam o mesmo movimento. Com isso, as duas identidades passaram a representar apenas Vênus em posições diferentes.
Nome do planeta veio da tradição romana
Os romanos deram ao planeta o nome de Vênus, deusa relacionada ao amor e à beleza. A escolha foi influenciada pela aparência intensa e regular que o corpo celeste apresenta quando surge no céu.
Seu brilho já despertava atenção muito antes da existência dos instrumentos modernos de observação. Civilizações antigas acompanhavam seus períodos de visibilidade e reconheciam sua presença entre os fenômenos mais marcantes do firmamento.
No Brasil, Estrela D’Alva tornou-se a forma popular mais difundida. As expressões Estrela da Manhã e Estrela da Tarde também continuam sendo usadas conforme o horário em que o planeta aparece.
Navegadores e trabalhadores do campo acompanhavam Vênus
Muito antes de a astronomia explicar sua natureza planetária, a presença de Vênus servia como referência para diferentes povos. Sua aparição próxima ao amanhecer ou ao anoitecer ajudava a reconhecer determinados momentos do dia.
Navegadores recorriam à observação do céu para orientação, enquanto trabalhadores ligados ao campo acompanhavam os ciclos luminosos para organizar parte de suas atividades. O planeta ganhou importância prática antes mesmo de sua verdadeira identidade ser compreendida.
A regularidade das aparições contribuiu para que o objeto acumulasse nomes, interpretações religiosas e significados culturais. A ciência posteriormente explicou que o brilho não vinha de uma estrela, mas de um planeta próximo.
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Vênus é mais quente que Mercúrio
Mercúrio ocupa a posição mais próxima do Sol, mas não possui a maior temperatura entre os planetas. Esse recorde pertence a Vênus, cuja superfície pode superar os 460 °C.
A razão está na atmosfera espessa e rica em dióxido de carbono. O calor recebido permanece retido com grande intensidade, criando um efeito estufa extremo em todo o planeta.
Assim, a distância em relação ao Sol não é o único fator que determina a temperatura de um mundo. A composição atmosférica de Vênus transforma o planeta no ambiente mais quente do Sistema Solar.
Aparência brilhante esconde condições hostis
Observado da Terra, Vênus transmite uma imagem associada à beleza, à estabilidade e ao início ou encerramento do dia. Na superfície, porém, o cenário seria dominado por temperaturas elevadas e uma atmosfera densa.
As nuvens que ajudam a produzir o brilho visível também contêm ácido sulfúrico. Já o dióxido de carbono responsável pela maior parte da atmosfera intensifica o aprisionamento do calor.
Essa oposição tornou o planeta um dos corpos mais intrigantes das proximidades da Terra. O mesmo elemento que favorece sua identificação no céu participa das condições que tornam seu ambiente tão extremo.
Principais características da Estrela D’Alva
Os dados ajudam a separar a aparência observada no céu das condições existentes no planeta. Vênus combina grande capacidade de refletir luz com uma dinâmica de rotação pouco comum e temperaturas extremas.
A confusão em torno da identidade de Vênus é compreensível porque, sem telescópios, sua aparência se resume a um ponto luminoso. Não é possível enxergar diretamente seu formato rochoso ou a espessa camada atmosférica que cobre a superfície.
A Estrela D’Alva permanece como um dos fenômenos mais familiares do céu, mas também como exemplo de quanto uma aparência pode enganar. Por trás do brilho que anuncia a manhã ou acompanha o entardecer existe um planeta que gira ao contrário, possui um dia maior que o ano e suporta temperaturas superiores a 460 °C.
Com informações do CanalTech
Fonte
Canaltech
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

