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Praia catarinense que quase some na maré alta recebeu tanta areia por bombeamento que a obra de R$ 31,5 milhões passou de 70% em dez dias e vai terminar antes do prazo
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 30/07/2026 às 16:06
Atualizado em 30/07/2026 às 16:30
Construção
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O alargamento da Praia do Gravatá, em Navegantes, ultrapassou 70% de execução em dez dias de operação da draga. O mar calmo permitiu cinco ciclos de bombeamento no lugar dos quatro previstos, e a praia catarinense deve ficar liberada para banhistas até meados de agosto.
Uma faixa de areia que praticamente desaparecia quando a maré subia está sendo reconstruída em ritmo acima do previsto. O alargamento da Praia do Gravatá, em Navegantes, no Litoral Norte, passou de 70% de conclusão na quarta-feira, 29 de julho de 2026, ao completar dez dias de operação, segundo reportagem de Júlia Finamore publicada pelo ND Mais em 30 de julho e comunicado divulgado pela Prefeitura de Navegantes na mesma data. A obra nessa praia catarinense está orçada em R$ 31,5 milhões.
O bombeamento de areia deve ser encerrado até sábado, 1º de agosto, antes dos quinze dias inicialmente reservados para essa etapa. Depois disso, as equipes seguem no local por cerca de seis dias para o acabamento, que inclui o espalhamento final do material e o assentamento do solo. A expectativa da prefeitura é liberar a praia para uso da população até meados de agosto.
O que fez a obra correr mais rápido que o cronograma
O adiantamento tem uma explicação técnica simples e uma dose de sorte com o tempo. O secretário municipal de Infraestrutura, Roberto Ferreira, atribuiu o avanço às condições encontradas desde o início da operação: “As obras andam muito bem em função das condições climáticas favoráveis, nível de onda baixa e pouco vento. Inicialmente, estávamos prevendo quatro ciclos de bombeamento com a draga, mas conseguimos trabalhar com cinco, o que contribuiu consideravelmente para que os trabalhos fossem antecipados”, disse.
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O detalhe do quinto ciclo é o ponto central. Cada ciclo corresponde a uma ida completa da embarcação até a área de coleta, ao enchimento do compartimento de carga e ao retorno para descarregar o material na praia. Um ciclo extra por período significa um volume adicional inteiro de areia bombeada, e é isso que empurra o percentual da obra para cima em poucos dias. Mar agitado e vento forte encurtam a janela de trabalho e obrigam a paradas, o que não aconteceu nessa operação.
A draga que virou atração na beira do mar
O equipamento responsável pela transferência da areia é a draga Galileo Galilei, embarcação de 166 metros de comprimento construída em 2020. Ela chegou a Navegantes em julho e atraiu curiosos ao deck da orla nos primeiros dias de trabalho. A mesma draga já havia participado de alargamentos em Balneário Camboriú e em Itapoá, ambos em Santa Catarina.
O funcionamento se parece com o de um aspirador submarino de grande porte. Tubos de sucção descem até o fundo do mar e bombas de alta potência puxam uma mistura de areia e água, armazenada em um compartimento interno chamado hopper. Cheio o reservatório, a embarcação navega até o ponto de descarga e bombeia o material para a orla por dentro de uma tubulação instalada previamente no mar, com cerca de um quilômetro e meio de extensão. A dragagem funciona 24 horas por dia, sem interrupção, o que explica a velocidade de execução.
Quanto custa e até onde vai o alargamento nessa praia catarinense
O investimento previsto é de R$ 31,5 milhões, e a execução está a cargo da Jan de Nul, multinacional belga de engenharia marítima. Os trabalhos começaram em 20 de julho na região próxima ao Rio das Pedras e seguem até o Molhe do Gravatá, cobrindo um trecho de 2,3 quilômetros de orla.
O objetivo final é que, depois da acomodação natural do material, a faixa de areia chegue a aproximadamente 70 metros de largura. Para quem conhece o local, a mudança de escala é grande: o trecho é hoje um dos mais estreitos do litoral de Navegantes. Além do ganho de espaço para moradores e turistas, a intervenção tem função de proteção da orla contra a erosão costeira, que é o problema de fundo por trás de tudo. A obra foi anunciada pelo prefeito Ricardo Ventura como uma das maiores intervenções de recuperação costeira já feitas no município.
Por que a areia sumia quando a maré subia
O Gravatá ficou conhecido entre moradores da região justamente por quase desaparecer nos períodos de maré alta. Em dias de mar cheio, a água chegava perto da estrutura urbana e sobrava pouco ou nada de faixa seca para caminhar. Isso não é um fenômeno isolado dessa praia catarinense, e sim o resultado do avanço do mar sobre trechos costeiros com pouca reserva de sedimento.
Quando uma praia perde areia mais rápido do que recebe, ela encolhe até virar uma linha estreita entre a água e o que estiver construído atrás. O alargamento por bombeamento devolve artificialmente esse estoque de sedimento, funcionando como uma barreira que absorve a energia das ondas antes que ela chegue ao continente. É uma solução de engenharia, não uma correção permanente, e por isso praias alargadas costumam exigir monitoramento e, eventualmente, reforços futuros.
Escarpas na areia são esperadas e não indicam falha
Um alerta da prefeitura merece atenção de quem for ao local nas próximas semanas. Durante a execução e também depois de concluído o bombeamento, podem se formar escarpas na faixa nova, que são desníveis temporários criados pela ação do mar, principalmente após ressacas, marés altas e tempestades.
Esses degraus na areia aparecem porque o material recém-depositado ainda não encontrou seu perfil natural de equilíbrio. As equipes da obra fazem intervenções para reduzir os desníveis até que a praia se acomode sozinha, e o motivo declarado é a segurança de quem circula pelo trecho. Uma escarpa de altura significativa representa risco real de queda, sobretudo para crianças e idosos.
Quando a praia volta a receber banhistas
A Praia do Gravatá segue interditada. A restrição vale durante toda a execução da dragagem e por mais dez dias após o fim da deposição de areia, período em que o solo ainda não oferece condições seguras de circulação. A proibição alcança qualquer atividade no trecho, incluindo caminhada, banho de mar e pesca.
A liberação para o público não é automática nem depende só do calendário da obra. Ela será feita pelo Corpo de Bombeiros Militar, depois da verificação das condições do terreno. Considerando o fim do bombeamento previsto para 1º de agosto e os cerca de seis dias de acabamento, a data prevista pela prefeitura para a devolução dessa praia catarinense aos moradores e visitantes é meados de agosto, o que colocaria a entrega bem antes do início da temporada de verão.
O que esperar depois da entrega
Uma faixa recém alargada não fica idêntica ao que se vê no dia da liberação. Nas semanas seguintes, o mar redistribui o sedimento, o perfil da praia muda e parte do material se acomoda em direção à água. A largura final medida meses depois costuma ser diferente da largura medida logo após o bombeamento, e isso está previsto no próprio conceito da obra.
Os precedentes catarinenses ajudam a dimensionar o que vem pela frente. Balneário Camboriú e Itapoá passaram pelo mesmo tipo de intervenção com a mesma embarcação, e o comportamento da areia nesses locais serve de referência para o acompanhamento no Gravatá. O que definirá o sucesso do investimento de R$ 31,5 milhões não é o percentual de conclusão desta semana, e sim quanto dessa areia continuará ali daqui a alguns anos.
E você, o que acha desse tipo de obra? Alargar praias com bombeamento de areia é investimento necessário para conter o avanço do mar e destravar o turismo, ou é dinheiro público que o próprio mar leva embora com o tempo? Se você é de Navegantes ou frequenta o Gravatá, conta aqui nos comentários como a praia estava antes da obra.
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Praia catarinense
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

