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Preparando um terreno para erguer um parque industrial nos arredores de Mérida, trabalhadores rasgaram o solo e revelaram Xiol, uma cidade maia de até 1.400 anos com 12 edifícios, pirâmides, praça, cenote e sepultamentos de 15 adultos e crianças

Preparando um terreno para erguer um parque industrial nos arredores de Mérida, trabalhadores rasgaram o solo e revelaram Xiol, uma cidade maia de até 1.400 anos com 12 edifícios, pirâmides, praça, cenote e sepultamentos de 15 adultos e crianças

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Preparando um terreno para erguer um parque industrial nos arredores de Mérida, trabalhadores rasgaram o solo e revelaram Xiol, uma cidade maia de até 1.400 anos com 12 edifícios, pirâmides, praça, cenote e sepultamentos de 15 adultos e crianças

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 24/07/2026 às 15:33

Curiosidades

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Obras de parque industrial em Yucatán revelam cidade maia Xiol com 12 edifícios, praça central, cenote e 15 sepultamentos de até 1.400 anos

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Construções de pedra encontradas em Kanasín levaram arqueólogos a uma cidade ocupada entre os anos 600 e 900, onde cerca de 4 mil pessoas viveram entre palácios, moradias, oficinas e áreas cerimoniais

O terreno parecia destinado apenas a receber galpões, vias internas e outras estruturas de um parque industrial. Durante as obras realizadas em 2018, porém, trabalhadores encontraram blocos de pedra e partes de construções antigas sob o solo de Kanasín, município localizado a cerca de 10 quilômetros de Mérida, capital do estado mexicano de Yucatán.

A intervenção do Instituto Nacional de Antropologia e História do México revelou que os vestígios faziam parte de Xiol, uma cidade maia ocupada aproximadamente entre os anos 600 e 900. A área reunia edifícios monumentais, residências menores, oficinas, uma grande praça, estruturas piramidais e um cenote.

Os arqueólogos estimaram que mais de 4 mil habitantes poderiam ter vivido no assentamento. A população reunia grupos de diferentes posições sociais, desde sacerdotes, escribas e dirigentes até agricultores, pescadores, artesãos e trabalhadores responsáveis pelas construções.

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Embora os primeiros vestígios já constassem do Atlas Arqueológico de Yucatán desde 1980, foi a preparação do terreno industrial que permitiu dimensionar a extensão e o estado de conservação da antiga cidade. A descoberta ganhou repercussão internacional depois de ser apresentada publicamente em maio de 2022.

Obras iniciadas em 2018 expuseram uma cidade escondida sob o terreno industrial

A exposição das estruturas ocorreu enquanto a empresa responsável pelo imóvel preparava a área para receber o complexo industrial Skypark. Ao perceberem a presença de paredes e plataformas de pedra, os responsáveis comunicaram o Centro INAH Yucatán, que iniciou uma inspeção arqueológica.

Como informou o jornal mexicano La Jornada, os trabalhos de escavação e restauração arquitetônica duraram cerca de sete meses. O arqueólogo Carlos Alberto Peraza Lope e sua equipe intervieram inicialmente em oito construções, seis delas agrupadas ao redor de uma praça e duas classificadas como edifícios semelhantes a palácios.

Levantamentos posteriores apontaram 12 estruturas restauradas, 76 basamentos e uma praça central dentro de um terreno de aproximadamente 21 hectares. Parte das construções estava coberta por solo e vegetação, enquanto outras preservavam paredes de pedra com vários metros de extensão.

A descoberta não ocorreu em uma área isolada da Península de Yucatán. Xiol está dentro da região metropolitana de Mérida, em uma faixa pressionada pela expansão urbana, pela abertura de loteamentos e pela instalação de empreendimentos industriais.

Palácios, pirâmides e moradias mostram como viviam cerca de 4 mil pessoas

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Os pesquisadores identificaram uma organização urbana composta por áreas monumentais e espaços residenciais. Os edifícios maiores poderiam ter abrigado integrantes da elite, atividades administrativas e cerimônias religiosas, enquanto pequenas construções próximas eram usadas por moradores comuns.

Segundo a Reuters, a cidade reunia palácios, pirâmides e praças, além de casas e oficinas distribuídas pelo assentamento. Carlos Peraza estimou que mais de 4 mil pessoas viveram na região durante o período Clássico Tardio da civilização maia.

As diferenças no tamanho e na qualidade das construções indicam uma sociedade dividida em grupos sociais. Sacerdotes, escribas e dirigentes provavelmente ocupavam os edifícios mais elaborados, enquanto agricultores, pescadores, pedreiros e artesãos viviam em unidades menores.

Vestígios de animais marinhos encontrados durante as escavações sugerem que a pesca complementava uma alimentação baseada na agricultura. A proximidade relativa com o litoral permitia que peixes e outros recursos chegassem à cidade, apesar de Xiol estar localizada no interior da península.

Ferramentas de obsidiana e sílex também foram recuperadas. Esses materiais podiam ser usados na caça, no corte de alimentos, na fabricação de objetos e na construção dos próprios edifícios.

Estilo arquitetônico comum no sul apareceu perto de Mérida

Uma das características que mais chamou a atenção dos arqueólogos foi a presença do estilo Puuc, identificado nas fachadas, plataformas e técnicas de construção. Esse padrão arquitetônico é associado a cidades como Uxmal, Kabah, Sayil e Labná, localizadas mais ao sul de Yucatán.

O estilo utiliza pedras cuidadosamente cortadas, paredes regulares, colunas, frisos e elementos geométricos. Em edifícios maiores, a parte superior das fachadas podia receber mosaicos de pedra e representações ligadas às crenças maias.

A presença desse tipo de arquitetura em Xiol amplia o conhecimento sobre a distribuição do estilo Puuc. Até então, construções com essas características eram consideradas menos comuns nas proximidades de Mérida.

Os edifícios também ajudam a demonstrar que a região não era ocupada apenas por aldeias pequenas. Xiol possuía uma praça central, construções monumentais e uma população estimada em milhares de pessoas, elementos compatíveis com um centro urbano organizado.

Quinze sepultamentos guardavam vasos, colares e ferramentas

Durante as escavações, os pesquisadores encontraram 15 sepultamentos de adultos e crianças. Os restos estavam depositados em áreas associadas aos basamentos e aos cômodos das construções.

De acordo com a Smithsonian Magazine, os túmulos continham vasos, colares, brincos e outros objetos usados no cotidiano. A disposição dos materiais indica que parte deles foi colocada junto aos mortos como oferenda funerária.

A maioria dos esqueletos pertencia a adultos, mas também foram identificados enterros infantis. Os arqueólogos levantaram a possibilidade de que algumas dessas pessoas fossem parentes de dignitários ou integrantes de grupos ligados às residências maiores.

Ferramentas de obsidiana e sílex apareceram junto a determinados sepultamentos. Esses objetos podem ajudar a reconstruir ocupações, práticas funerárias e diferenças sociais entre os moradores de Xiol.

O Diario de Yucatán registrou ainda a descoberta de 76 basamentos, além das 12 estruturas restauradas. O conjunto mostra que a parte visível representa apenas uma fração da antiga cidade, cuja ocupação se estendia para além da praça principal.

Um cenote encontrado ao lado da praça pode guardar novos vestígios

Na esquina noroeste da praça, a equipe localizou um cenote, formação natural comum em Yucatán criada pela dissolução das rochas calcárias. Essas cavidades forneciam água para consumo, agricultura e atividades diárias.

Os cenotes também podiam ter função ritual. Durante a apresentação do sítio, os especialistas explicaram que seria necessário descer aproximadamente cinco metros para alcançar a água e avaliar o interior da formação.

A investigação dessa cavidade poderia revelar cerâmicas, ferramentas, restos orgânicos ou oferendas. Não há, porém, confirmação pública de que o cenote de Xiol tenha produzido novos achados desde o anúncio realizado em 2022.

Parque industrial continuou, mas projeto precisou preservar as ruínas

A identificação da cidade não resultou no cancelamento completo do parque industrial. O planejamento foi adaptado para preservar as construções e permitir a continuidade das pesquisas arqueológicas dentro da propriedade privada.

Os donos do terreno financiaram parte das escavações e disponibilizaram recursos para a equipe do INAH. A decisão permitiu conservar os edifícios principais em vez de removê-los para liberar toda a área.

Em publicação divulgada em fevereiro de 2025, a administradora do Skypark afirmou que colaborou com o INAH desde 2019 para resgatar e proteger os vestígios encontrados no empreendimento. O material confirma que a área arqueológica permanece vinculada ao complexo industrial.

O caso mostra como obras particulares podem revelar sítios que já estavam registrados, mas nunca haviam sido estudados em profundidade. Na região de Mérida, muitos vestígios foram danificados ou desapareceram durante décadas de expansão urbana.

A abertura anunciada para 2022 ainda não aparece na relação oficial do INAH

Quando Xiol foi apresentada ao público, autoridades mexicanas informaram que visitas guiadas gratuitas poderiam começar até o final de 2022. A expectativa era transformar parte do sítio em uma nova atração arqueológica nos arredores de Mérida.

Até julho de 2026, contudo, Xiol não aparece na relação oficial das zonas arqueológicas abertas regularmente ao público pelo INAH. Isso indica que o acesso continua limitado ou depende de autorização, sem uma operação turística semelhante à de Uxmal, Chichén Itzá ou Mayapán.

Enquanto galpões e instalações industriais avançaram ao redor do terreno, as estruturas de Xiol permaneceram como registro de uma comunidade que viveu ali há mais de um milênio. Sob uma área destinada à produção moderna, trabalhadores acabaram revelando palácios, casas, túmulos e espaços cerimoniais de uma cidade que havia desaparecido da paisagem.

Você acredita que sítios como Xiol deveriam ser abertos à visitação ou permanecer fechados para facilitar a preservação e as pesquisas? Deixe sua opinião nos comentários e conte o que mais chamou sua atenção nessa descoberta.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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