O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, Jim Risch, afirmou ao Metrópoles, nesta quarta-feira (8/7), que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) representam ameaças aos interesses norte-americanos no Brasil e em todo o Hemisfério Ocidental.
Segundo o senador republicano, a decisão do governo de Donald Trump de classificar as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) amplia as ferramentas disponíveis para combater a atuação dos grupos criminosos.
Em resposta ao Metrópoles, Risch também destacou a parceria entre os Estados Unidos e as forças de segurança brasileiras no enfrentamento ao crime organizado.
“O governo está certo em designar o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras. Por meio do tráfico de drogas, da violência e da lavagem de dinheiro, esses grupos representam ameaças aos interesses dos EUA no Brasil e no Hemisfério Ocidental, e essas designações disponibilizarão novas ferramentas para combater sua influência”, declarou.
“Os EUA contam com parceiros sólidos nas forças de segurança no Brasil, e esperamos continuar a colaboração para atender às demandas da população brasileira por maior segurança interna“, disse.
Risch preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado no 119º Congresso americano e é um dos principais nomes do Partido Republicano em temas ligados à política externa.
À frente do colegiado, o republicano tem defendido medidas voltadas ao fortalecimento da segurança nacional dos Estados Unidos e ao combate ao crime organizado transnacional.
EUA rebate Itamaraty
A manifestação ocorre um dia após o Departamento de Estado dos Estados Unidos rebater, em resposta ao Metrópoles, declarações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre a possibilidade de a classificação das facções abrir caminho para uma eventual intervenção militar norte-americana em território brasileiro.
“O comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmou o Departamento de Estado.
O governo norte-americano também negou que a classificação tenha qualquer relação com uma possível intervenção no Brasil e afirmou que alegações sobre uso da força militar podem servir de pretexto para fortalecer organizações criminosas.
Designação e primeiras sanções
- A classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras foi oficializada pelo governo Trump em 5 de junho, como parte da estratégia de ampliar o combate ao crime organizado transnacional e endurecer sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
- Recentemente, Washington anunciou as primeiras sanções decorrentes da medida.
- Dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal foram acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC.
- Segundo o governo americano, a estrutura teria movimentado mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas.
- Além do bloqueio de bens sob jurisdição dos Estados Unidos, cidadãos, empresas e instituições financeiras norte-americanas passaram a estar proibidos de realizar transações ou prestar apoio financeiro aos sancionados.
Documento do Itamaraty
A reação dos Estados Unidos ocorreu após um documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados.
No texto, Mauro Vieira afirmou que a classificação unilateral do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas poderia abrir margem para ações extraterritoriais dos Estados Unidos, inclusive com o “risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.
O Itamaraty ressaltou ainda que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial de Washington sobre a designação das facções e reiterou oposição à medida.

