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Pressão e “alfinetadas” de aliados a Alcolumbre preocupam PT e governo

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Pressão e “alfinetadas” de aliados a Alcolumbre preocupam PT e governo

A recente escalada de ataques de aliados do governo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acendeu o alerta entre lideranças governistas e dirigentes do PT. A preocupação aumentou após o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmar, na última terça-feira (7/7), que Alcolumbre seria considerado um “inimigo” caso não desse andamento à PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1.

A declaração de Uczai caiu mal no Senado e foi classificada nos bastidores como “descabida” por lideranças do Planalto, que se apressaram para pontuar que a fala não representa as bancadas petista e governista no Congresso.

Ministros que tentam restabelecer as pontes entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado também viram a provocação como um “exagero” que prejudica as negociações com o parlamentar amapaense.

A relação entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deteriorou após a indicação e a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). De lá para cá, os dois participaram de poucos encontros e mantiveram escassas interações, cenário que, segundo interlocutores, contribuiu para travar o avanço de pautas prioritárias do governo, entre elas a PEC da escala 6×1.

Aprovada pela Câmara em maio deste ano, a PEC é considerada uma das principais bandeiras do terceiro mandato de Lula, além de ser uma forte aposta da equipe de comunicação para a campanha de reeleição. O próprio petista se envolveu diretamente nas negociações com os deputados.

Desde que chegou ao Senado, porém, a PEC permanece parada na mesa de Alcolumbre, que ainda não autorizou o envio da matéria para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa anterior à votação em plenário.


Como a relação entre Lula e Alcolumbre chegou à crise


Embora ainda não tenha definido um cronograma para a tramitação da proposta, Alcolumbre respondeu às declarações de Uczai. Em nota divulgada no mesmo dia, ele afirmou que “esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”. O presidente do Senado ressaltou que a definição da pauta é uma prerrogativa da Presidência e que ela “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

A interlocutores, Alcolumbre também tem reclamado da pressão nas redes sociais pela votação da PEC. Em conversas reservadas, afirmou considerar algumas publicações como ataques pessoais. Entre os exemplos citados por ele estão postagens que classificou como “inflamadas” dos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), além do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Para parlamentares do PT, o tom adotado por Uczai e pelo grupo classificado por eles como mais “histriônico” cria barreiras desnecessárias em um momento no qual o presidente do Senado dava sinais de abertura ao diálogo.

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O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU

Antônio Leal/TCU

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Lula e Alcolumbre; governo tenta avançar projetos de interesse do Planalto antes do esvaziamento do Congresso

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

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Tratada por aliados de Lula como uma das principais bandeiras sociais para 2026, a PEC que acaba com a escala 6×1 enfrenta uma corrida contra o tempo no Senado em meio ao esvaziamento do Congresso

Recentemente, o presidente do Senado recebeu lideranças de centrais sindicais para discutir a proposta. Segundo relatos, integrantes do próprio movimento sindical defenderam uma estratégia de negociação, e não de confronto.

“Eles reconhecem que a gente precisa do Davi. Sabem disso. Dois sindicalistas nos falaram que a gente precisa manter a conversa com ele, e não ir para o confronto”, relatou um senador, sob reserva.

Apesar do desgaste, uma liderança do governo afirma que Alcolumbre continua interessado em fortalecer os canais de interlocução com o Planalto e aguarda uma reunião com Lula.

A tentativa de reaproximação vem sendo conduzida pela nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e pelo novo líder do PT na Casa, Camilo Santana (PT-CE). A avaliação de aliados é que ambos têm bom trânsito com o presidente do Senado e atuam nos bastidores para reduzir as tensões entre o Executivo e a cúpula do Congresso.

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