Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Professor esconde “código secreto” em prova sobre Revolução Industrial, IA obedece à ordem invisível e 32 alunos entregam frases absurdas com Madagascar

Professor esconde “código secreto” em prova sobre Revolução Industrial, IA obedece à ordem invisível e 32 alunos entregam frases absurdas com Madagascar

4 min de leitura

Professor esconde “código secreto” em prova sobre Revolução Industrial, IA obedece à ordem invisível e 32 alunos entregam frases absurdas com Madagascar

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 27/07/2026 às 14:57

Ciência e Tecnologia

Professor apresenta a estratégia de comando oculto que revelou respostas produzidas por inteligência artificial sem revisão dos alunos.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Uma instrução escondida no enunciado revelou que estudantes copiaram respostas de inteligência artificial sem revisar o conteúdo antes da entrega.

Um professor universitário ganhou repercussão nas redes sociais após criar uma estratégia incomum para identificar trabalhos produzidos com inteligência artificial.

Jason Gibson, professor de História da Alcorn State University, no Mississipi, afirmou que 32 dos 35 estudantes perderam pontos em uma avaliação.

A atividade solicitava uma redação sobre a Revolução Industrial.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O enunciado digital, entretanto, continha uma instrução escrita em letras brancas sobre um fundo da mesma cor.

O comando oculto determinava que a palavra “Madagascar” aparecesse em uma frase completamente desconectada do tema.

Quem apenas lesse a atividade na tela não conseguiria visualizar a orientação.

Estudantes que copiassem o enunciado completo para um chatbot também enviariam a instrução invisível ao sistema.

Estratégia com texto invisível revela uso de IA

A estratégia funcionava por meio de uma diferença simples entre a leitura humana e o processamento realizado por ferramentas de inteligência artificial.

O estudante enxergava apenas a pergunta sobre a Revolução Industrial.

O chatbot, por outro lado, recebia todo o conteúdo copiado, incluindo o comando escondido sobre Madagascar.

A inteligência artificial interpretava a frase como parte das instruções da atividade.

O sistema, dessa maneira, inseria a palavra solicitada em trechos sem qualquer relação com o assunto acadêmico.

Segundo Jason Gibson, algumas redações apresentaram frases como:

A presença dessas construções indicava que o enunciado havia sido copiado integralmente para uma ferramenta de IA.

A falta de revisão também ficou evidente para o professor.

Ficou mais do que evidente que os alunos nem voltaram para reler as respostas”, afirmou Gibson em uma publicação no TikTok.

Como o professor identificou as respostas automatizadas

A palavra Madagascar funcionava como um marcador dentro dos trabalhos entregues.

O termo não possuía nenhuma ligação com a Revolução Industrial ou com o conteúdo solicitado na avaliação.

Sua aparição, portanto, mostrava que o comando oculto havia sido processado por um chatbot.

Uma leitura cuidadosa poderia ter revelado que as frases não faziam sentido.

Os estudantes, contudo, entregaram as respostas com os trechos absurdos mantidos no texto.

O episódio mostrou que o uso de inteligência artificial sem conferência pode comprometer a qualidade de uma atividade acadêmica.

Recomendado para você

Ciência e Tecnologia

Amazon quer lançar 5.105 satélites para levar internet direto ao celular e desafiar SpaceX em uma disputa que pode mudar a telefonia mundial

Projeto da Amazon Leo prevê chamadas, mensagens, internet e serviços de emergência por satélite, mesmo em regiões sem cobertura das operadoras tradicionais.

A Amazon pretende ampliar sua presença no mercado espacial…

Viviane Alves

0

O que é prompt injection?

O método utilizado pelo professor foi associado ao conceito de prompt injection, conhecido em português como injeção de comandos.

A técnica ocorre quando uma instrução inserida em determinado conteúdo altera o comportamento de um sistema de inteligência artificial.

Um comando escondido pode direcionar o chatbot a produzir uma informação específica.

A orientação também pode fazer o sistema ignorar instruções apresentadas anteriormente.

O caso acadêmico utilizou a estratégia para identificar respostas geradas automaticamente.

Ataques maliciosos, porém, podem tentar obter informações confidenciais ou contornar mecanismos de segurança.

Estudante utiliza um notebook para produzir uma atividade acadêmica, cenário que representa o uso de inteligência artificial em trabalhos e a importância da revisão humana.

Principais tipos de injeção de comandos

A chamada injeção de comandos pode acontecer de duas formas principais.

O caso apresentado por Jason Gibson possui características de uma injeção indireta.

A orientação estava inserida dentro do documento, embora permanecesse invisível durante a leitura comum.

A ferramenta de IA recebeu o comando no momento em que o enunciado foi copiado.

Vulnerabilidade começou a preocupar especialistas em 2022

Pesquisadores da empresa norte-americana de cibersegurança Preamble identificaram falhas relacionadas ao prompt injection em grandes modelos de linguagem em 2022.

As vulnerabilidades foram inicialmente comunicadas de forma privada às empresas responsáveis pelas tecnologias analisadas.

Outros pesquisadores divulgaram publicamente os riscos ainda naquele ano.

O setor de cibersegurança passou, desde então, a tratar a injeção de comandos como uma ameaça relevante.

Hackers já utilizaram a técnica para tentar induzir sistemas a revelar dados protegidos ou ignorar controles criados por desenvolvedores.

Caso reforça importância da revisão humana

A experiência realizada pelo professor mostrou que chatbots podem seguir instruções sem avaliar corretamente o contexto da atividade.

A inteligência artificial inseriu frases absurdas porque recebeu uma ordem direta dentro do enunciado.

Os estudantes poderiam ter identificado o problema ao revisar cuidadosamente o conteúdo antes da entrega.

A situação também reforça que respostas automatizadas podem apresentar incoerências, erros e informações desconectadas do tema principal.

A revisão humana, portanto, continua essencial para verificar o conteúdo, corrigir falhas e garantir que a resposta realmente atenda ao objetivo da atividade.

Você acredita que professores devem utilizar estratégias semelhantes para identificar trabalhos produzidos por inteligência artificial? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

Sair da versão mobile