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Professora comprou Mustang proibido escondido embaixo de uma lona por US$ 3.447 em 1964, dois dias antes do lançamento oficial da Ford, e 60 anos depois o carro pode valer até US$ 500 mil

Professora comprou Mustang proibido escondido embaixo de uma lona por US$ 3.447 em 1964, dois dias antes do lançamento oficial da Ford, e 60 anos depois o carro pode valer até US$ 500 mil

8 min de leitura

Professora comprou Mustang proibido escondido embaixo de uma lona por US$ 3.447 em 1964, dois dias antes do lançamento oficial da Ford, e 60 anos depois o carro pode valer até US$ 500 mil

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 28/07/2026 às 00:27

Curiosidades

Professora comprou o primeiro Mustang vendido nos EUA por US$ 3.447 em 1964 e hoje o carro pode valer até US$ 500 mil.
imagem:Zubaer Khan/Sun-Times

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Ela tinha 22 anos, queria um conversível para ir trabalhar e saiu da concessionária com um carro que a Ford ainda não podia vender. Seis décadas depois, o Mustang azul continua na garagem, roda quase todos os dias e já recusou ofertas que chegam perto de meio milhão de dólares.

Gail Wise, moradora de Park Ridge, em Illinois, nos Estados Unidos, tornou se a primeira pessoa a comprar um Ford Mustang no país ao levar para casa, em 15 de abril de 1964, um conversível que estava escondido embaixo de uma lona no fundo de uma concessionária em Chicago. O carro custou US$ 3.447 e só poderia ser vendido dois dias depois, quando o modelo seria apresentado ao público na Feira Mundial de Nova York.

Sessenta e dois anos depois, ela ainda dirige o mesmo Mustang quase diariamente e se recusa a vendê lo, mesmo com o carro avaliado em até US$ 500 mil por ser o primeiro exemplar comercializado nos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo site Supercar Blondie em 4 de julho de 2026, e a história completa da compra foi registrada em entrevistas da própria Gail à imprensa americana, incluindo o Chicago Sun Times e a agência AP.

O conversível que não estava no salão

A compra começou por um problema banal. Recém formada e contratada como professora, Gail morava com os pais em Park Ridge e precisava percorrer cerca de 19 quilômetros até a escola onde daria aula. Dependia do carro da família, o que não se sustentava por muito tempo, então decidiu comprar o próprio veículo.

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Na quarta feira, 15 de abril de 1964, ela foi com o pai até a Johnson Ford, na Cicero Avenue, em Chicago. A família sempre andou de Ford, e ela tinha uma exigência inegociável: queria um conversível, como os que os pais dirigiam. O problema é que não havia nenhum conversível no salão de vendas naquele dia. Foi a decepção estampada no rosto da jovem que destravou o resto da história e a colocou dentro do primeiro Mustang vendido no país.

A lona levantada no fundo da concessionária

Ao perceber a frustração da cliente, o vendedor disse que tinha algo especial guardado nos fundos e a levou até lá. O que estava embaixo da lona era um Mustang conversível na cor Skylight Blue, um azul claro que viraria marca registrada do carro mais famoso da história recente da Ford.

Havia um detalhe incômodo: aquele carro não podia ser vendido ainda. A ordem era não comercializar nenhuma unidade antes da apresentação oficial, e o vendedor sabia disso ao puxar a lona. Gail se encantou com os bancos individuais e com o câmbio no assoalho, detalhes que davam ao modelo uma cara esportiva que ela não via nos sedãs da época, e disse que queria aquele carro ali mesmo.

US$ 3.447 pagos sem sequer testar o carro

Hagerty

O negócio foi fechado na hora e sem test drive. Gail pagou o preço cheio, US$ 3.447, valor que hoje equivale a algo em torno de US$ 35 mil corrigidos pela inflação americana. Também entrou na negociação um Chevrolet 1958 usado como parte do pagamento, avaliado em US$ 400, segundo relato dela à agência AP.

O dinheiro veio da família, que emprestou o valor depois que ela conseguiu o emprego. Nenhuma das pessoas envolvidas naquela negociação fazia ideia de que estava fechando a primeira venda de Mustang registrada nos Estados Unidos. Para a compradora, era só o carro que resolvia o problema do trajeto até o trabalho, com o bônus de ser conversível.

Dois dias antes da hora marcada pela Ford

A Ford tinha um plano de lançamento cuidadosamente montado. O Mustang seria revelado ao público em 17 de abril de 1964, durante a Feira Mundial de Nova York, e só então as concessionárias poderiam começar a vender. A unidade de Gail saiu do pátio 48 horas antes disso.

O efeito na rua foi imediato. Dirigindo um carro que ninguém tinha visto, ela recebeu buzinas e acenos de outros motoristas, gente tentando entender que máquina era aquela. A própria Gail resumiu a sensação dizendo que se sentiu como uma estrela de cinema. O que parecia entusiasmo de estreia era, na prática, a primeira aparição pública de um modelo que a fábrica ainda mantinha em segredo.

Há ainda uma curiosidade de catálogo que confunde muita gente. Os primeiros exemplares, como o de Gail, são chamados de 1964 e meio pelos entusiastas, mas saíram de fábrica registrados oficialmente como modelos 1965. É por isso que a mesma unidade aparece descrita ora como Mustang 1964, ora como 1965, dependendo da publicação. A data de venda, essa sim, não muda: 15 de abril de 1964.

A professora de 22 anos que só queria chegar à escola

Gail Wise

Vale insistir nesse ponto porque ele é o coração da história: não havia colecionador nenhum ali. Gail Brown, sobrenome de solteira, tinha acabado de sair da faculdade de formação de professores de Chicago e começaria a dar aula para uma turma de terceiro ano. O Mustang era transporte, não investimento.

Ela lecionou por três anos antes de se casar com Tom Wise e se mudar para a Carolina do Sul, já que o marido servia na Marinha americana. O carro foi junto e nunca saiu da família. É esse detalhe que separa a história de Gail de praticamente todos os outros exemplares históricos que circulam em leilões: o Mustang dela nunca foi comprado para ser guardado, foi comprado para ser usado.

O carburador que quase encerrou tudo

A história esteve perto de acabar mal. Em algum momento no fim dos anos 1970, o Mustang parou de funcionar por causa de um problema na articulação do carburador. Cansada da dor de cabeça, Gail queria se desfazer do carro.

Quem impediu foi Tom. O marido se recusou a vender e simplesmente guardou o Mustang na garagem, com a promessa de restaurá lo depois da aposentadoria. A intenção era boa, mas o cronograma saiu do controle de um jeito que qualquer pessoa com uma obra parada em casa vai reconhecer. Algumas semanas viraram meses, meses viraram anos, e o carro seguiu ali, parado.

Vinte e sete anos embaixo de uma pilha de entulho

Hagerty

O plano de restaurar rápido durou décadas. O Mustang ficou 27 anos guardado, coberto por uma pilha de tralha acumulada na garagem, enquanto a vida seguia do lado de fora. Durante todo esse tempo, o primeiro Mustang vendido nos Estados Unidos esteve literalmente soterrado por caixas.

Em 2005, Tom finalmente começou o trabalho, e não foi um serviço apressado. A restauração foi meticulosa e levou alguns anos até que o carro voltasse a rodar. Desde então, Gail não parou mais de dirigir. O conversível azul saiu da garagem restaurado e virou presença constante nas ruas de Park Ridge e em eventos ligados à marca.

Meio milhão de dólares e um não que nunca muda

O valor de mercado do carro hoje impressiona. Por ser o primeiro Mustang vendido no país, o exemplar pode alcançar até US$ 500 mil, segundo a avaliação apresentada pelo Supercar Blondie. Ao longo das décadas, apareceram várias oportunidades de venda.

O que sustenta esse preço não é mecânica, é documentação. Um Mustang de 1964 restaurado vale uma fração disso no mercado comum, e a diferença toda está na procedência comprovada de primeira venda registrada no país. É um valor que existe no papel, na história e no reconhecimento da fabricante, não no motor. A resposta é sempre a mesma. Gail não vende. Aos 62 anos de convivência com o mesmo carro, ela continua rodando com ele quase todos os dias, o que transforma um item de museu em veículo de uso cotidiano. Não é a decisão financeiramente mais racional, e é exatamente isso que faz a história circular.

Uma ressalva: primeiro vendido não é primeiro fabricado

Aqui entra uma distinção importante que costuma se perder nas manchetes. O carro de Gail não foi o primeiro Mustang a sair da linha de montagem. Ele foi o protagonista da primeira venda registrada, que é coisa diferente. Unidades já circulavam por concessionárias e eventos antes disso, sem terem sido comercializadas.

Existe ainda uma disputa sobre o título. Reportagens americanas registram a reivindicação de um comprador que teria acertado a aquisição de um Mustang dias antes, deixando um sinal na concessionária, embora a nota fiscal original tenha se perdido e o documento de transferência dele seja datado de maio. A Ford reconhece Gail Wise como a primeira compradora, e é essa a versão que sustenta o valor do carro no mercado. Vale registrar a divergência para o leitor tirar as próprias conclusões.

Guardar na garagem ou botar na rua

O caso ganhou tração num momento em que o mercado de colecionáveis caminha na direção oposta. Não passa uma semana sem que apareça em leilão um carro de trinta anos com quilometragem praticamente zerada, comprado para ficar parado e valorizar. O uso virou defeito, e o hodômetro baixo virou argumento de venda.

Existe uma corrente que pensa diferente e inclui nomes de peso. Mate Rimac, fundador da Rimac e presidente da Bugatti Rimac, dirige regularmente os próprios carros, incluindo o Nevera e o Chiron, e defende que outros colecionadores façam o mesmo. O Mustang de Park Ridge se encaixa nessa turma. Jay Leno também é conhecido por rodar com tudo que tem na garagem, inclusive um McLaren F1 avaliado em US$ 20 milhões. Gail Wise entrou nessa lista sem nunca ter tentado entrar.

E você, venderia ou continuaria dirigindo

A pergunta que a história deixa é incômoda de responder com sinceridade. Meio milhão de dólares é dinheiro que muda a vida de qualquer família, e o carro em questão tem 62 anos, precisa de manutenção constante e corre risco a cada vez que sai da garagem. Do outro lado da balança está uma relação de seis décadas com um objeto que virou parte da biografia de uma pessoa.

Agora é sua vez de opinar. Se o Mustang estivesse na sua garagem, você aceitaria os US$ 500 mil ou faria como Gail e continuaria rodando com ele até o fim? E, respondendo com honestidade, você acha que carro histórico deveria ficar preservado parado em coleção ou merece continuar na rua, mesmo correndo risco? Comenta aqui embaixo o que você faria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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