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Quatro estados concentram 61% de todo o gás natural que os Estados Unidos tiram do subsolo, e só o Texas e a Pensilvânia respondem por quase metade de uma produção que chegou a 47,7 trilhões de pés cúbicos em 2025
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/07/2026 às 15:36
Atualizado em 24/07/2026 às 15:37
Petróleo e Gás
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Dados oficiais americanos mostram uma produção de gás natural extremamente concentrada em poucas bacias de xisto, e essa geografia ajuda a explicar por que decisões tomadas em dois ou três estados mexem com o preço do gás no mundo inteiro.
Os Estados Unidos retiraram do subsolo 47,7 trilhões de pés cúbicos de gás natural em 2025. O volume é gigantesco, mas o dado mais revelador não é o total e sim onde ele sai: quatro estados sozinhos respondem por 61,3% de tudo o que o país produz.
Os números são das estatísticas da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, a EIA, órgão federal responsável pelos dados oficiais do setor de energia americano.
O Texas sozinho produz mais de um quarto do gás natural americano
O Texas lidera com folga. Foram 13.603 bilhões de pés cúbicos retirados em 2025, o equivalente a 28,5% de todo o gás produzido no país.
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A força do estado vem principalmente da Bacia Permiana, uma das formações de xisto mais produtivas da América do Norte. Ali o gás sai em boa parte associado ao petróleo, ou seja, é um subproduto de poços que foram perfurados atrás de óleo.
Esse detalhe tem consequência prática. Quando o preço do petróleo sobe e a perfuração acelera no Permiano, o país passa a ter mais gás disponível mesmo sem que ninguém tenha decidido produzir mais gás.
A Pensilvânia transformou o xisto Marcellus no segundo polo do país
Em segundo lugar aparece a Pensilvânia, com 7.676 bilhões de pés cúbicos, ou 16,1% do total nacional. Somados, Texas e Pensilvânia chegam a quase 45% de toda a retirada bruta americana.
O motor da Pensilvânia é o xisto Marcellus, uma formação que passou de praticamente irrelevante para peça central da matriz energética americana em pouco mais de uma década, à medida que o fraturamento hidráulico foi ficando mais barato.
Novo México e Louisiana completam o grupo dos quatro maiores, com 4.151 e 3.817 bilhões de pés cúbicos, respectivamente.
Retirada bruta não é o gás que chega ao consumidor
Vale um esclarecimento técnico, porque ele muda a leitura do número. O que a estatística mede é a retirada bruta, isto é, tudo o que sai do poço antes de qualquer processamento.
Nesse fluxo vêm juntos metano, líquidos de gás natural, água, gás carbônico e outras impurezas. Depois de tratado, o volume que efetivamente segue como gás seco para o mercado é menor que o número original.
A diferença entre um número e outro não é pequena. Uma parcela relevante do que sai do poço é separada no processamento e vira outro produto, como etano, propano e butano, que abastecem a indústria petroquímica em vez de irem para a queima em usinas ou fogões.
Por isso a retirada bruta serve bem para comparar a capacidade produtiva de cada região, e não para estimar diretamente quanto gás foi vendido.
Os Apalaches formam o segundo grande polo de gás dos Estados Unidos
Fora do Texas, a região dos Apalaches se consolidou como o outro grande centro produtor. Pensilvânia, Virgínia Ocidental e Ohio produziram juntos 13.377 bilhões de pés cúbicos em 2025, cerca de 28% do total do país.
A produção dessa região vem essencialmente das formações Marcellus e Utica. É um gás não associado, ou seja, os poços foram perfurados para buscar gás, e não petróleo.
Há ainda um limite físico conhecido na região. A Apalachia produz mais gás do que consegue escoar em determinados períodos, e a falta de capacidade de gasoduto até os grandes centros de consumo do Nordeste americano já derrubou o preço local abaixo do praticado no resto do país.
Essa diferença faz da Apalachia um polo mais sensível ao preço do próprio gás, enquanto o Texas continua produzindo mesmo quando o gás está barato, porque o que sustenta o poço é o petróleo.
O Alasca produz muito e não consegue mandar nada para o resto do país
Um dos casos mais curiosos do levantamento é o Alasca, que aparece logo atrás da Virgínia Ocidental no ranking de produção.
O estado não tem ligação por gasoduto com os 48 estados contíguos. Na prática, o gás produzido ali fica isolado do mercado nacional e é usado localmente ou reinjetado nos próprios reservatórios.
O caso mostra que reserva e produção não bastam. Sem infraestrutura de escoamento, o gás vale pouco fora do lugar onde foi retirado, algo que também explica por que gasodutos e terminais definem o mapa da energia mais do que a geologia.
A concentração geográfica virou poder de mercado
A conta vale também na direção contrária. Como a produção está amarrada a poucas bacias, qualquer restrição regulatória ou ambiental discutida no Texas, no Novo México ou na Pensilvânia deixa de ser assunto local e passa a ser acompanhada por compradores de gás na Europa e na Ásia.
Ter mais de 60% da produção em quatro estados significa que decisões locais ganham alcance global. Uma onda de frio que congela equipamentos no Texas ou uma disputa sobre licenciamento de duto na Pensilvânia se transforma rapidamente em oscilação de preço.
Essa base produtiva é o que sustenta a posição americana entre os grandes fornecedores do mercado internacional de gás, sobretudo na forma liquefeita, embarcada em navios a partir do Golfo do México.
Por que esse mapa interessa a quem compra gás fora dos Estados Unidos
Para países importadores, incluindo o Brasil em determinados períodos do ano, o preço do gás natural liquefeito no mercado internacional é influenciado pelo que acontece nessas bacias.
Quando a produção americana cresce, sobra volume para exportação e a pressão sobre o preço afrouxa. Quando alguma dessas regiões trava, seja por clima, seja por gargalo de escoamento, o efeito aparece nas cotações do outro lado do mundo.
Em 2025, essa engrenagem funcionou concentrada como nunca: 47,7 trilhões de pés cúbicos retirados, 28,5% deles em um único estado, e 61,3% do total saindo de apenas quatro, segundo os dados da EIA.
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Fonte
U.S. Energy Information Administration (EIA)
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

