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Rede constrói supermercado no centro de Dublin e encontra ruínas vikings de 1070, escadaria de teatro do século XVIII e arcos históricos durante as escavações, depois instala pisos de vidro para clientes fazerem compras observando quase mil anos de cidade preservados sob os próprios pés

Rede constrói supermercado no centro de Dublin e encontra ruínas vikings de 1070, escadaria de teatro do século XVIII e arcos históricos durante as escavações, depois instala pisos de vidro para clientes fazerem compras observando quase mil anos de cidade preservados sob os próprios pés

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Rede constrói supermercado no centro de Dublin e encontra ruínas vikings de 1070, escadaria de teatro do século XVIII e arcos históricos durante as escavações, depois instala pisos de vidro para clientes fazerem compras observando quase mil anos de cidade preservados sob os próprios pés

Escrito por Carla Teles

Publicado em 25/07/2026 às 14:30

Curiosidades

Ruínas vikings ganham pisos de vidro em supermercado em Dublin, que preserva estrutura hiberno-nórdica e patrimônio arqueológico.

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As ruínas vikings preservadas dentro de uma unidade do Lidl na Aungier Street transformaram o supermercado em uma janela arqueológica. Pisos de vidro revelam uma estrutura hiberno-nórdica de aproximadamente 1070 e uma antiga escadaria de teatro, enquanto outros vestígios medievais permanecem protegidos sob o edifício no centro de Dublin.

Ruínas vikings descobertas durante escavações para a construção de um supermercado no centro de Dublin foram preservadas sob pisos de vidro, permitindo que clientes observem parte da história da cidade enquanto circulam entre corredores e caixas. A estrutura mais antiga data de aproximadamente 1070 e foi associada à população hiberno-nórdica da Irlanda.

A preservação foi detalhada pelo Conselho Municipal de Dublin em publicação de 9 de maio de 2022 e também aparece em registro publicado pelo Atlas Obscura em 8 de outubro de 2021. O projeto envolveu a rede Lidl, a administração municipal e a Irish Archaeological Consultancy, responsável pelos trabalhos arqueológicos no local.

Ruínas vikings apareceram durante as escavações

Imagem: Atlas Obscure

A descoberta ocorreu na unidade do Lidl instalada na Aungier Street, área central da capital irlandesa. Durante os trabalhos de escavação, arqueólogos identificaram vestígios de uma estrutura construída há quase mil anos.

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As ruínas vikings foram associadas aos habitantes hiberno-nórdicos de Dublin, descendentes de escandinavos que se misturaram às populações gaélicas da Irlanda.

A estrutura foi escavada no terreno, revestida com pedra calcária local e tábuas de madeira. A cobertura original provavelmente era feita de palha, conforme a reconstrução arqueológica apresentada no local.

Sua condição rebaixada em relação ao nível do solo ajudou a preservar os vestígios, enquanto construções próximas, anexos e divisões de terrenos desapareceram ao longo dos séculos.

Estrutura foi construída por volta de 1070

A datação indica que o espaço foi construído aproximadamente em 1070. Evidências arqueológicas sugerem que permaneceu em utilização por cerca de um século.

Durante esse período, o local passou por pequenas alterações depois de um incêndio. Os arqueólogos também identificaram uma cisterna alimentada por um canal, elemento ligado ao funcionamento cotidiano da estrutura.

Embora tenha sido inicialmente descrita como uma casa do século XI, o tamanho reduzido tornou mais provável que servisse como depósito ou área para atividades artesanais.

A publicação municipal também considera improvável que o espaço tenha funcionado como residência, justamente por causa das dimensões limitadas.

Piso de vidro transformou sítio em exposição

Imagem: Atlas Obscure

Em vez de remover completamente os vestígios ou escondê-los sob a nova construção, o projeto incorporou o sítio arqueológico ao supermercado.

Painéis transparentes foram instalados sobre a estrutura, permitindo que os clientes vejam as ruínas vikings preservadas abaixo do nível do piso.

Uma das áreas arqueológicas fica entre prateleiras de produtos domésticos, fazendo com que a descoberta apareça no meio da rotina comum de compras.

A outra exposição está próxima aos caixas. A disposição transforma diferentes pontos da loja em pequenas janelas para períodos distintos da história de Dublin.

Clientes caminham sobre quase mil anos de história

O sistema de painéis transparentes permite que moradores e turistas observem diretamente os vestígios sem entrar na área arqueológica.

Os clientes passam sobre as estruturas, mas o vidro cria uma barreira física que protege os materiais contra contato, desgaste e alterações ambientais mais intensas.

A experiência reúne comércio contemporâneo e patrimônio arqueológico dentro do mesmo edifício, sem separar completamente o sítio da vida cotidiana da cidade.

Painéis informativos e recriações artísticas ajudam a explicar como a área poderia ter sido utilizada durante o período hiberno-nórdico.

Estrutura é rara entre as descobertas de Dublin

A construção encontrada sob o supermercado foi considerada a primeira estrutura desse tipo identificada na cidade.

Seu estado de preservação permitiu reconhecer detalhes do modo de construção, incluindo o uso de pedra local, madeira e cobertura vegetal.

A presença da cisterna e das alterações posteriores também oferece indícios sobre como o local foi usado e modificado durante aproximadamente cem anos.

O sítio ajuda a reconstruir uma parte da Dublin medieval que desapareceu quase completamente da superfície urbana.

Hiberno-nórdicos misturavam culturas escandinava e gaélica

Os hiberno-nórdicos eram descendentes de povos vikings estabelecidos na Irlanda que passaram a compartilhar elementos culturais, sociais e familiares com comunidades gaélicas.

Dublin tornou-se um dos principais centros desse encontro cultural durante a Idade Média.

As ruínas vikings não representam apenas uma construção isolada, mas um período em que influências escandinavas e irlandesas passaram a coexistir dentro da cidade.

O próprio método construtivo, os materiais utilizados e a organização do espaço ajudam arqueólogos a interpretar a rotina dessa população.

Escadaria de teatro também foi preservada

As escavações não revelaram apenas vestígios medievais. Próximo aos caixas, um segundo conjunto de painéis de vidro protege uma estrutura ligada ao antigo Aungier Theatre.

O teatro ocupou o terreno durante 13 anos, entre 1733 e 1746. A peça preservada é uma escadaria ou mecanismo conhecido como “pit trap”.

A estrutura permitia baixar ou elevar atores durante apresentações, criando entradas e efeitos dentro do palco.

A descoberta acrescenta outra camada temporal ao endereço, mostrando que o terreno foi reutilizado para funções muito diferentes ao longo dos séculos.

Supermercado reúne vestígios de períodos distintos

A estrutura hiberno-nórdica pertence ao século XI, enquanto a escadaria teatral remonta ao século XVIII.

Essa diferença transforma a loja em um ponto onde quase mil anos de desenvolvimento urbano podem ser observados em poucos metros.

Os clientes encontram vestígios da Dublin medieval e da vida cultural do século XVIII durante a mesma visita ao supermercado.

O projeto demonstra como um único terreno pode guardar construções sucessivas, mesmo quando quase todos os sinais visíveis desapareceram da paisagem atual.

Arcos históricos permaneceram no endereço

A unidade também incorpora os chamados Longford Street Arches, arcos históricos ligados à ocupação anterior da área.

Um dos arcos pode ser observado no exterior do edifício, ao longo da Longford Street Little, acompanhado por informações sobre o passado do local.

A preservação dos arcos amplia a experiência para além dos pisos de vidro, conectando a parte interna do supermercado à paisagem histórica da rua.

Os diferentes elementos foram integrados à arquitetura contemporânea sem tentar reconstruir integralmente as estruturas desaparecidas.

Igreja medieval também deixou vestígios

Durante os trabalhos, arqueólogos encontraram ainda fundações e pedras esculpidas da antiga igreja paroquial de St Peter.

Também foram identificados reboco pintado e fragmentos de azulejos ligados à construção religiosa.

A igreja teria sido erguida por volta de 1050 e permaneceu em atividade por mais de 600 anos.

Esses vestígios não estão expostos ao público dentro do supermercado, diferentemente da estrutura hiberno-nórdica e da antiga escadaria teatral.

Projeto reuniu empresa, arqueólogos e poder público

A conservação exigiu colaboração entre o Lidl Ireland, o Conselho Municipal de Dublin, a Irish Archaeological Consultancy e especialistas em história e patrimônio.

A decisão de manter as estruturas no próprio local evitou que fossem retiradas do contexto onde foram encontradas.

A preservação no próprio terreno permite compreender a relação entre os vestígios e o espaço original, algo que pode ser perdido quando peças são transferidas para museus.

O projeto também precisou compatibilizar segurança, circulação de clientes, conservação arqueológica e funcionamento comercial.

Informações ajudam clientes a interpretar as estruturas

Os painéis de vidro, por si só, mostrariam apenas fragmentos de paredes, pedras e níveis antigos do terreno.

Por isso, a loja recebeu placas explicativas e recriações visuais do espaço em seus períodos de utilização.

Esses materiais apresentam a datação, o provável uso das estruturas e o contexto histórico dos habitantes da região.

A combinação entre ruínas, informações e reconstruções transforma a observação em experiência educativa, mesmo para quem entrou no local apenas para fazer compras.

Preservação evita que estruturas voltem ao esquecimento

Sem a integração ao supermercado, parte das descobertas poderia permanecer coberta ou pouco acessível após o encerramento das escavações.

A solução adotada mantém os vestígios protegidos e visíveis durante o funcionamento normal da loja.

Isso permite que moradores tenham contato repetido com o patrimônio, em vez de depender de uma visita específica a um museu ou sítio arqueológico.

As ruínas vikings passaram a fazer parte da rotina contemporânea de Dublin sem perder a ligação com o lugar onde foram construídas.

Compras revelam diferentes camadas da cidade

O supermercado da Aungier Street mostra como obras modernas podem revelar estruturas muito mais antigas sob áreas urbanas intensamente ocupadas.

A construção de aproximadamente 1070, a escadaria do teatro do século XVIII, os arcos e os vestígios da igreja registram diferentes fases do mesmo endereço.

O resultado é uma loja onde clientes circulam sobre quase mil anos de história preservada, observando sob os próprios pés as transformações de Dublin.

Você acredita que empreendimentos construídos sobre sítios arqueológicos deveriam ser obrigados a incorporar as descobertas ao espaço público? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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