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Reforma de uma casa construída em 1609 revelou sob os ladrilhos um piso medieval feito com ossos de mais de 30 bovinos, serrados na mesma altura e polidos pelos passos de quem viveu ali

Reforma de uma casa construída em 1609 revelou sob os ladrilhos um piso medieval feito com ossos de mais de 30 bovinos, serrados na mesma altura e polidos pelos passos de quem viveu ali

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Reforma de uma casa construída em 1609 revelou sob os ladrilhos um piso medieval feito com ossos de mais de 30 bovinos, serrados na mesma altura e polidos pelos passos de quem viveu ali

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 31/07/2026 às 22:51

Construção

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Cada osso foi serrado em uma altura idêntica – Equipe de arqueologia do município de Alkmaar

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Reforma em Alkmaar revelou um piso do século XV feito com ossos de mais de 30 bovinos, cortados na mesma altura e usados como pavimento.

Entre antigos ladrilhos desgastados, arqueólogos encontraram centenas de ossos bovinos posicionados verticalmente, cortados na mesma altura e organizados em pequenos blocos que formavam parte do pavimento. A descoberta ocorreu no fim de 2024, em uma casa da rua Achterdam construída por volta de 1609. Análises posteriores indicaram, porém, que o piso é ainda mais antigo e provavelmente foi instalado durante o século XV.

Resultados divulgados em maio de 2026 mostraram que a estrutura utilizou restos de mais de 30 bovinos. As marcas de desgaste também confirmaram que os moradores realmente caminhavam diretamente sobre os ossos, sem outro revestimento por cima.

Reforma em casa de 1609 revelou piso medieval feito com ossos

Os arqueólogos municipais foram chamados durante a reforma de um imóvel localizado no centro histórico de Alkmaar. Ao examinarem o terreno, encontraram restos de um antigo piso de ladrilhos parcialmente substituído por ossos.

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Foto: Equipe de arqueologia do município de Alkmaar

A casa atual foi construída por volta de 1609, mas a estrutura encontrada sob ela não pertence necessariamente à mesma obra. Era comum que edifícios fossem reconstruídos sobre fundações e pavimentos de construções anteriores.

A datação por radiocarbono indicou que o piso provavelmente foi instalado ainda no século XV. Isso significa que a estrutura já poderia existir mais de cem anos antes da construção do imóvel que hoje ocupa o terreno.

Piso de ossos utilizou mais de 30 bovinos abatidos

A análise encontrou quase exclusivamente ossos metacarpais e metatarsais, localizados na parte inferior das pernas dos bovinos. Essas peças são alongadas, resistentes e relativamente uniformes.

A distribuição entre ossos dos lados esquerdo e direito permitiu calcular que o material veio de mais de 30 animais. O conjunto incluía tanto vacas quanto touros, todos com mais de dois anos de idade.

Quase todos os ossos apresentavam sinais de abate e processamento. Cortes, marcas de machado e superfícies serradas indicaram que o piso foi construído com resíduos reaproveitados após o aproveitamento dos animais.

Ossos bovinos foram serrados exatamente na mesma altura

Os construtores cortaram os ossos para que todas as peças atingissem praticamente a mesma altura. Depois, eles foram inseridos verticalmente nas áreas onde os ladrilhos estavam ausentes.

Foto: Equipe de arqueologia do município de Alkmaar

A precisão permitiu criar uma superfície relativamente nivelada e resistente. Os ossos funcionavam como pequenos blocos, apoiados lado a lado e presos diretamente ao solo.

A descoberta mostrou que não se tratava de restos espalhados de maneira acidental. Houve escolha do material, preparação individual das peças e organização deliberada para transformá-las em parte da construção.

Padrão misterioso alternava as extremidades dos ossos

Em alguns trechos, os ossos foram instalados com a extremidade natural voltada para cima. Em outros, a parte cortada aparecia na superfície do pavimento.

Essa alternância formava pequenos quadrados ou blocos com orientações diferentes. O padrão chamou atenção porque seria desnecessário caso a intenção fosse somente preencher buracos de maneira rápida.

A organização pode ter sido decorativa, funcional ou relacionada ao trabalho realizado no local. Mesmo depois das análises concluídas em 2026, a finalidade exata do padrão não foi determinada.

Experimento com sapatos confirmou uso do piso de ossos

Os pesquisadores encontraram bordas arredondadas, superfícies polidas e pequenos riscos nos pontos mais elevados dos ossos. Essas marcas sugeriam contato repetido com pessoas caminhando pelo ambiente.

Para testar a hipótese, uma pequena reprodução do piso foi construída. Os pesquisadores caminharam sobre ela usando sapatos de couro semelhantes aos que poderiam ter sido utilizados no período medieval.

As marcas produzidas no experimento ficaram muito próximas das identificadas nas peças arqueológicas. A comparação confirmou que os ossos permaneceram expostos e foram usados diretamente como superfície para circulação.

Piso medieval podia oferecer resistência e drenagem

Ossos bovinos eram materiais baratos e amplamente disponíveis em cidades com mercados, açougues e atividades ligadas ao processamento de animais. Sua resistência permitia reaproveitá-los em diferentes funções.

Instaladas verticalmente, as peças podiam formar uma base firme e com espaços para passagem de líquidos. Essa característica poderia produzir um pavimento com melhor drenagem do que uma superfície inteiramente fechada.

Os pesquisadores consideram que o reaproveitamento de ossos como material de construção fazia parte de uma tradição regional. A técnica teria combinado baixo custo, disponibilidade e desempenho estrutural.

Arqueólogos investigaram possível oficina de abate ou couro

Uma das hipóteses era que o pavimento tivesse sido instalado em um ambiente ligado ao abate de animais. Os espaços entre os ossos poderiam permitir o escoamento de sangue e outros líquidos para o solo.

Outra possibilidade seria uma oficina relacionada ao processamento de couro. A abundância do material e sua disposição no piso poderiam estar conectadas à atividade profissional realizada dentro do imóvel.

A investigação não encontrou elementos suficientes para determinar se o ambiente era doméstico ou comercial. A função original do cômodo permanece como a principal questão ainda sem resposta sobre a descoberta.

Pisos feitos com ossos são raros nos Países Baixos

Estruturas semelhantes foram encontradas anteriormente nas cidades de Hoorn, Enkhuizen e Edam. Até agora, os exemplos neerlandeses conhecidos estão concentrados na província da Holanda do Norte.

Os outros pavimentos também costumam ser associados aos séculos XV e XVI. Em Hoorn, ossos colocados verticalmente foram usados em conjunto com antigos ladrilhos de forma muito semelhante ao caso de Alkmaar.

A concentração geográfica indica que a técnica pode ter sido uma prática regional de construção e reaproveitamento. Mesmo assim, o número reduzido de descobertas torna difícil reconstruir sua origem e dimensão histórica.

Rua Achterdam reunia mercados e antigos ofícios

A Achterdam aparece em registros históricos desde 1476 e está entre as ruas mais antigas de Alkmaar. Durante séculos, o local reuniu mercados, armazéns e pequenas atividades artesanais.

No início do século XVII, a região recebeu mercados de leite e manteiga. Em períodos posteriores, também abrigou fabricantes de barris, cordas e velas, além de tecelões, ferreiros, padeiros e impressores.

Esse passado comercial reforça a possibilidade de o piso ter pertencido a um espaço de trabalho. A datação no século XV, entretanto, coloca sua construção em uma fase anterior a várias atividades documentadas no imóvel atual.

Piso medieval foi preservado sob uma estrutura de vidro

A descoberta não foi retirada do lugar onde permaneceu durante aproximadamente 500 anos. O piso foi conservado dentro do imóvel da Achterdam 7 após a conclusão das pesquisas arqueológicas.

Assista o vídeo

Uma estrutura transparente foi instalada sobre os ossos, permitindo que as pessoas visualizem o pavimento sem pisar diretamente nas peças. A solução protege o material contra desgaste e novas intervenções.

O piso que passou séculos escondido sob a construção agora permanece visível dentro do edifício. A estrutura preserva uma técnica rara, baseada no reaproveitamento de restos de animais como parte permanente da arquitetura medieval.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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