Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Reformando um celeiro para transformar o espaço em sala de jogos, eletricistas abriram uma vala para passar cabos e encontraram o piso de mosaico de uma villa romana preservada há mais de 1.500 anos sob uma propriedade rural na Inglaterra

Reformando um celeiro para transformar o espaço em sala de jogos, eletricistas abriram uma vala para passar cabos e encontraram o piso de mosaico de uma villa romana preservada há mais de 1.500 anos sob uma propriedade rural na Inglaterra

8 min de leitura

Reformando um celeiro para transformar o espaço em sala de jogos, eletricistas abriram uma vala para passar cabos e encontraram o piso de mosaico de uma villa romana preservada há mais de 1.500 anos sob uma propriedade rural na Inglaterra

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 26/07/2026 às 21:49

Curiosidades

Assista o vídeo
Foto: historicengland

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Reforma de celeiro na Inglaterra revelou mosaico romano sob o piso e levou à descoberta de uma villa preservada há mais de 1.500 anos.

Uma obra simples para transformar um antigo celeiro em sala de jogos acabou revelando uma das descobertas mais impressionantes da arquitetura romana rural na Inglaterra. O caso aconteceu em uma propriedade em Wiltshire, quando eletricistas abriram uma vala para instalar cabos subterrâneos e encontraram fragmentos de mosaico a pouca profundidade.

O proprietário, Luke Irwin, havia decidido reformar o celeiro para que a família pudesse jogar tênis de mesa com iluminação adequada. Durante a instalação elétrica, os trabalhadores atingiram uma camada dura cerca de 18 polegadas abaixo da superfície, aproximadamente 46 centímetros, e perceberam que havia peças de mosaico no solo. A obra foi interrompida antes que o piso antigo fosse danificado.

A partir desse achado, arqueólogos confirmaram que o mosaico fazia parte de uma grande villa romana construída entre 175 d.C. e 220 d.C., reformada várias vezes até meados ou fim do século IV. Segundo a Historic England, o sítio não havia sido tocado desde o colapso final da estrutura, cerca de 1.500 anos atrás, o que ajudou a preservar paredes, pisos, artefatos e restos de ocupação posterior.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A reforma começou por uma necessidade doméstica

A descoberta não ocorreu durante uma grande escavação planejada, mas dentro de uma obra comum de melhoria residencial.

A família queria iluminar um celeiro antigo para transformá-lo em um espaço de lazer, e a solução escolhida foi passar cabos elétricos pelo subsolo em vez de instalar uma ligação aérea.

Essa decisão mudou completamente o destino da obra. Quando os eletricistas começaram a perfurar o terreno, a camada atingida não era pedra comum nem entulho recente, mas parte de um piso antigo feito com tesselas, pequenos cubos usados na composição de mosaicos romanos. O próprio proprietário reconheceu rapidamente que aquilo poderia ter importância histórica.

Reformando um celeiro para transformar o espaço em sala de jogos, eletricistas abriram uma vala para passar cabos e encontraram o piso de mosaico de uma villa romana preservada há mais de 1.500 anos sob uma propriedade rural na Inglaterra

A partir daí, o trabalho deixou de ser apenas uma reforma de celeiro. O achado acionou o Wiltshire Archaeology Service, a Historic England e o Salisbury Museum, que investigaram a área e confirmaram que o mosaico pertencia a uma villa romana de grande porte, preservada sob a propriedade rural.

O piso de mosaico revelou uma villa inteira

O mosaico foi apenas a primeira pista. As escavações e levantamentos mostraram que a propriedade escondia os restos de um complexo romano muito maior, identificado posteriormente como a villa romana de Brixton Deverill, em Wiltshire.

A Historic England afirma que o sítio foi identificado em 2015, quando parte de um mosaico romano apareceu durante a escavação de uma vala para cabos.

Depois disso, levantamentos geofísicos e escavações confirmaram a presença de uma villa substancial, interpretada como uma grande villa de corredor com alas ou como uma villa de pátio duplo.

O registro oficial informa que a construção principal ficava em terreno calcário bem drenado, no vale do rio Wylye, e que uma estrada romana se localizava cerca de 2 km a sudeste, em Pertwood Down. Esse detalhe ajuda a entender que a villa não era uma casa isolada sem conexão, mas parte de uma paisagem rural estruturada durante o período romano.

Paredes grossas indicavam construção de alto padrão

A villa impressionou os arqueólogos pela preservação e pela qualidade construtiva. A Historic England informou que partes da villa de pátio duplo poderiam ter tido três andares, com base nas paredes muito grossas encontradas no local.

Foto: historicengland

Segundo o órgão, algumas paredes sobreviviam a quase 1,5 metro de altura e tinham cerca de 0,9 metro de largura, com base para uma estrutura de madeira acima. A interpretação é que o piso térreo teria sido construído em grandes blocos, com segundo pavimento de madeira e cobertura de telhas de pedra.

O registro oficial posterior detalha que seções de paredes preservadas chegavam a 1,06 metro de altura em alguns pontos.

As paredes eram construídas com entulho de pedra, seixos de giz e blocos de giz e calcário, e havia vestígios de reboco nas paredes internas, indicando acabamento arquitetônico mais elaborado.

A área principal tinha quase 40 metros de extensão

A planta da villa também mostra a escala da construção. O registro da Historic England informa que a ala oeste tinha aproximadamente 38,5 metros de comprimento e 16 metros de largura, com um cômodo auxiliar ligado ao lado ocidental.

Além dessa ala, a construção tinha asas projetadas e áreas que definiam lados de um pátio. O complexo também apresentava outras estruturas associadas, incluindo edifícios adicionais, cercamentos e indícios de um segundo pátio formado por construções ao sul da edificação principal.

Assista o vídeo

Essa configuração aproxima o local de grandes propriedades rurais romanas, que funcionavam como centros de residência, produção e administração de terras. Na prática, a descoberta não revelou apenas um piso bonito escondido sob um celeiro, mas parte de uma arquitetura rural de elite implantada em escala considerável.

O mosaico tinha padrão geométrico e datação tardia

O mosaico encontrado na obra ficava em uma estrutura situada na área sudeste do complexo. Segundo a Historic England, ele apresentava um padrão de guilloche, desenho entrelaçado comum em pisos decorativos, formado por tesselas laranja, brancas e cinzas.

A datação considerada no registro oficial aponta que o mosaico pertence ao meio do século IV d.C., período em que a villa já havia passado por fases sucessivas de construção e remodelação. Isso mostra que o edifício não foi uma ocupação rápida, mas uma propriedade modificada ao longo de gerações.

A qualidade do piso reforçou a interpretação de que o lugar pertencia a uma família de alto status. A Historic England comparou as estruturas encontradas às de Chedworth, uma das villas romanas mais conhecidas da Grã-Bretanha, e afirmou que o complexo poderia ter pertencido a uma família de grande riqueza e importância.

Objetos encontrados mostraram riqueza e circulação de materiais

Além do mosaico, a investigação revelou um conjunto de objetos que ajuda a reconstruir o nível de vida dos moradores. Foram encontrados fragmentos de cerâmica, pedra trabalhada, ossos de animais, conchas, moedas, objetos metálicos, vidro romano, reboco pintado e telhas de pedra.

Um dos elementos mais chamativos foi a presença de conchas de ostras. A Historic England registrou grandes quantidades de conchas no sítio, e o The Guardian relatou que ostras e búzios teriam sido trazidos de áreas costeiras, a muitos quilômetros dali, o que indicava acesso a produtos de prestígio.

Também foram identificados um poço romano perfeitamente preservado e o caixão de pedra de uma criança romana. Segundo a Historic England, esse caixão chegou a ser usado como recipiente para gerânios até que sua origem fosse reconhecida, revelando como elementos antigos podem permanecer incorporados a propriedades modernas sem que sua função original seja percebida.

A casa moderna ficava sobre parte da villa

A descoberta ganhou ainda mais força porque a residência moderna estava diretamente ligada ao sítio antigo. O The Guardian informou que a casa dos Irwin, formada a partir de duas antigas casas de trabalhadores rurais, havia sido construída no centro da antiga villa romana.

Segundo a reportagem, a casa repousava sobre uma grande laje de mármore de Purbeck, provavelmente de origem romana. Esse detalhe reforça a sobreposição de camadas de construção: uma casa moderna, um celeiro em reforma e, abaixo deles, uma propriedade romana com mais de um milênio e meio de história.

Essa sobreposição explica por que o achado só apareceu durante uma intervenção no solo. A villa estava enterrada sob sedimentos e usos posteriores da terra, protegida em parte justamente porque não havia sido destruída por agricultura intensiva ou escavações antigas em larga escala.

A preservação surpreendeu os arqueólogos

A Historic England destacou que o sítio estava extraordinariamente preservado. O arqueólogo David Roberts afirmou que a villa não havia sido tocada desde seu colapso final e que a descoberta de uma estrutura tão elaborada e bem preservada, sem danos agrícolas significativos, era sem paralelo nos anos recentes.

Foto: University of Leicester

O estado de conservação é um dos pontos centrais da descoberta. Em muitos sítios antigos, séculos de lavoura, construção, reutilização de pedra e erosão destroem paredes, pisos e objetos menores. Em Brixton Deverill, parte importante dos restos estruturais permaneceu enterrada e protegida.

Após a escavação inicial de oito dias realizada por Historic England e Salisbury Museum, as trincheiras foram novamente cobertas para preservar as estruturas no local.

O órgão explicou que deixar as áreas abertas poderia colocar paredes e outros elementos em risco, e que o reaterro é uma prática padrão em investigações arqueológicas.

A villa continuou sendo usada depois do período romano

A importância do sítio não termina no período romano. A Historic England informou que, depois da fase romana, estruturas de madeira foram erguidas dentro de partes arruinadas da villa, indicando reutilização durante o século V.

Esse dado é relevante porque o século V marca uma fase pouco compreendida da história britânica, entre o fim da administração romana e a consolidação do domínio saxão. Restos desse período podem ajudar a entender como comunidades locais reaproveitaram edifícios romanos abandonados ou parcialmente desmontados.

O registro oficial também menciona possíveis atividades pré-romanas e pós-romanas no local, incluindo indícios de ocupação anterior à construção da villa e sinais de atividades posteriores, como retirada de materiais das paredes e marcas agrícolas medievais ou pós-medievais.

A obra doméstica expôs uma construção de escala rural

O caso de Wiltshire mostra como reformas comuns podem revelar construções complexas escondidas sob imóveis aparentemente ordinários.

Uma vala para cabos elétricos, aberta para melhorar o uso de um celeiro, expôs um piso de mosaico e levou à identificação de uma villa com pátio, alas, possíveis áreas de banho, paredes espessas e materiais de alto padrão.

A villa de Brixton Deverill reunia características típicas de propriedades rurais romanas de elite: planta organizada, pisos decorados, paredes rebocadas, uso de pedra, provável superestrutura de madeira, telhado de pedra e possíveis sistemas de aquecimento em área de banho.

O registro oficial cita inclusive a presença de hypocaust pilae, pilares usados em sistemas romanos de aquecimento sob o piso.

A descoberta transformou uma reforma de celeiro em um retrato raro da arquitetura rural romana na Grã-Bretanha. Sob a superfície de uma propriedade contemporânea, permaneciam preservados o piso, as paredes e os vestígios materiais de uma residência construída há quase dois mil anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

Sair da versão mobile