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Seis universitários passaram fins de semana com um menino de 9 anos que se sentia “um estranho” por causa dos tremores, improvisaram protótipos com peças baratas e fita adesiva e criaram uma órtese 3D que tornou sua escrita legível e permitiu, pela primeira vez, segurar um copo sem derramar

Seis universitários passaram fins de semana com um menino de 9 anos que se sentia “um estranho” por causa dos tremores, improvisaram protótipos com peças baratas e fita adesiva e criaram uma órtese 3D que tornou sua escrita legível e permitiu, pela primeira vez, segurar um copo sem derramar

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Seis universitários passaram fins de semana com um menino de 9 anos que se sentia “um estranho” por causa dos tremores, improvisaram protótipos com peças baratas e fita adesiva e criaram uma órtese 3D que tornou sua escrita legível e permitiu, pela primeira vez, segurar um copo sem derramar

Escrito por Ana Alice

Publicado em 28/07/2026 às 22:36

Curiosidades

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Órtese 3D sem bateria criada com universitários e uma criança reduz tremores, melhora a escrita e transforma Dylan em coinventor da patente. – Crédito: Divulgação/UC Irvine Samueli School of Engineering.

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Peças simples, testes com fita adesiva e encontros de fim de semana deram origem a uma órtese criada com a participação direta de uma criança e posteriormente levada ao mercado para ajudar pessoas com tremores.

Antes de existir uma órtese pronta para ser vendida, havia peças compradas em uma farmácia, materiais encontrados em uma loja de ferragens e componentes unidos com fita adesiva.

O laboratório também não se limitava à universidade.

Durante fins de semana, seis estudantes levavam os testes até a casa de Dylan Law, então com 9 anos, observavam o menino escrever, segurar objetos e jogar videogame, enquanto tentavam descobrir por que algumas montagens reduziam seus tremores e outras não.

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Órtese Move-D saiu da universidade e chegou ao mercado

A solução criada a partir desses encontros recebeu o nome de Move-D.

O projeto deixou de ser apenas um protótipo universitário, passou por testes com outros jovens, foi licenciado para uma empresa especializada e entrou em distribuição comercial nos Estados Unidos.

Em janeiro de 2026, o Children’s Hospital of Orange County, conhecido como CHOC, voltou a apresentar o caso e informou que Dylan obteve uma melhora de 50% no uso dos braços e das mãos enquanto utilizava a órtese.

A versão final da Move-D utiliza tiras ajustáveis e uma articulação mecânica para oferecer resistência aos tremores sem depender de componentes elétricos. Crédito: Divulgação/UC Irvine Samueli School of Engineering.

Tremores afetavam tarefas comuns da infância

A história começou com tarefas que parecem simples para muitas crianças.

Escrever de forma legível, levar um copo à boca sem derramar a maior parte da água, digitar no mesmo ritmo dos colegas e segurar objetos com segurança exigiam um esforço maior de Dylan.

O menino tem paralisia cerebral atáxica e apresenta tremores intensos nos braços, condição que interfere tanto nos movimentos pequenos e precisos quanto nas ações mais amplas.

“Quando você tem 9 anos, é um momento mágico ver sua escrita legível pela primeira vez”, contou Dylan ao recordar os testes.

Ele também destacou a experiência de conseguir beber água sem derramar cerca de três quartos do conteúdo do copo.

Antes da Move-D, a família havia experimentado diferentes alternativas, incluindo órteses com eletrodos.

Segundo o neurologista pediátrico Sharief Taraman, muitos equipamentos disponíveis foram desenvolvidos principalmente para adultos.

Alguns mantêm o braço em uma posição fixa, podem ser volumosos e dificultam o uso por crianças durante atividades comuns.

Projeto BioEngine reuniu estudantes e médicos

O médico acompanhava Dylan no CHOC e levou o problema ao BioEngine, projeto de conclusão de curso da Universidade da Califórnia em Irvine, a UCI.

Nesse programa, estudantes de engenharia trabalham com médicos e representantes da área de saúde para criar e testar soluções destinadas a necessidades reais de pacientes.

A equipe escolhida para o desafio reuniu Taylor White, Adriana Rodriguez, Kimmai Phan, Quang Nguyen, Salma Serhal e Tianyi Li.

Dylan Law posa com o médico Sharief Taraman e os estudantes da UC Irvine envolvidos na criação da Move-D durante uma apresentação do projeto BioEngine. Crédito: Divulgação/UC Irvine Samueli School of Engineering.

Cinco cursavam engenharia biomédica e um estudava engenharia mecânica.

Dylan e Taraman não foram tratados apenas como pessoas que entregariam um problema pronto para os universitários resolverem.

O menino participava dos testes, explicava o que incomodava, mostrava quais movimentos continuavam difíceis e ajudava o grupo a entender como o dispositivo se comportava fora de um laboratório.

Estudantes passaram fins de semana com Dylan

A professora Christine King relatou que os universitários passaram fins de semana com Dylan e a mãe dele, levando novas versões para a casa da família.

Os encontros incluíam testes de escrita, conversas, jogos e observações sobre a rotina da criança.

Essa aproximação fazia parte do chamado desenho centrado no usuário, método no qual uma tecnologia é desenvolvida com participação direta de quem enfrentará o problema no cotidiano.

Em vez de imaginar como uma criança usaria a órtese, a equipe observava Dylan tentando utilizá-la.

Primeiros protótipos foram presos com fita adesiva

O primeiro estágio foi menos sofisticado do que o resultado final poderia sugerir.

Após uma sessão de ideias em um quadro branco, os estudantes compraram materiais em estabelecimentos locais e uniram diferentes peças com fita adesiva.

O objetivo não era criar um produto bonito naquele momento, mas identificar quais tipos de apoio, resistência e pressão diminuíam os tremores sem prender completamente o braço.

Ao longo de alguns meses, o grupo alterou formatos e posições até chegar a uma combinação que apresentou resultado positivo para Dylan.

A partir dessas observações, os universitários desenharam um protótipo físico e produziram componentes por impressão 3D.

Quando a nova estrutura foi colocada no braço do menino, ele conseguiu executar movimentos com maior controle.

A invenção passou a ser chamada de Move-D, uma referência à expressão “Move Dylan”, ou “mova Dylan”, em tradução livre.

Como a órtese Move-D reduz os tremores

Diferentemente de equipamentos eletrônicos usados para estimular músculos ou responder aos tremores por meio de sensores, a Move-D funciona de forma mecânica.

Ela não usa motor, eletrodos, fios, bateria ou recarga.

A órtese atravessa a parte superior do braço, o cotovelo e o antebraço.

Tiras ajustáveis mantêm a estrutura no lugar, enquanto uma articulação localizada no cotovelo oferece resistência ao movimento.

O nível dessa resistência pode ser modificado de acordo com a tarefa.

Atividades que exigem precisão, como escrever, podem precisar de um ajuste diferente daquele utilizado para ações mais amplas.

Uma parte acolchoada também exerce leve pressão na região posterior do braço.

A combinação entre estabilização, pressão e resistência procura amortecer os movimentos involuntários sem bloquear totalmente a articulação.

O equipamento foi projetado para ser leve, ajustável e capaz de acompanhar o crescimento do usuário.

Também pode ser escondido sob parte da roupa, característica considerada relevante para pessoas que não desejam chamar atenção para os tremores.

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Dispositivo não elimina a condição neurológica

A Move-D não elimina a condição neurológica que causa os movimentos involuntários.

Sua função é oferecer apoio mecânico para que determinadas atividades do dia a dia possam ser realizadas com maior controle.

O desempenho da órtese foi analisado em um estudo experimental feito no CHOC entre abril e setembro de 2021 e publicado em 2023.

A pesquisa envolveu dez participantes com idades entre 14 e 19 anos e diferentes tipos de tremores nos membros superiores.

Os jovens realizaram testes com e sem o dispositivo.

Os pesquisadores registraram avanços em tarefas de precisão motora fina e coordenação dos braços.

Sete dos dez participantes afirmaram que a órtese reduziu seus tremores, permitiu movimentar o braço livremente e era confortável para uso em casa.

O estudo, porém, teve uma amostra pequena, não contou com grupo de controle e não ocultou dos participantes ou avaliadores quando o dispositivo estava sendo usado.

Essas características limitam a possibilidade de generalizar os resultados para todas as pessoas com tremores.

Move-D foi licenciada para distribuição comercial

Após a graduação, Tianyi Li continuou envolvida no projeto e auxiliou o laboratório de inovação nos testes clínicos.

O desenvolvimento também recebeu apoio do Innovation Lab, organização que trabalhou na preparação do produto para o mercado.

A Move-D foi posteriormente licenciada para a OrthoPediatrics Specialty Bracing, que passou a oferecê-la para crianças e adultos com condições como tremor essencial, paralisia cerebral atáxica e doença de Parkinson.

A base pública de identificação de dispositivos médicos dos Estados Unidos classifica a Move-D como uma órtese de cotovelo de classe 1 e informa que ela se encontra em distribuição comercial.

O site da empresa responsável mantém uma opção de pedido do produto, embora não apresente um preço único na página pública consultada.

O valor pode depender do tamanho, do atendimento profissional, da cobertura por seguro e de outros fatores relacionados à aquisição.

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Dylan tornou-se coinventor da patente

Dylan também deixou de ocupar apenas a posição de paciente que inspirou o equipamento.

Ele passou a atuar como consultor principal e inovador no projeto, oferecendo avaliações sobre o conforto e a utilidade das diferentes versões.

Seu nome, Dylan Thomas Law, aparece entre os inventores do pedido internacional de patente chamado “dispositivo de amortecimento de movimento involuntário”.

A lista também inclui o médico, integrantes do projeto universitário e outros profissionais que participaram do desenvolvimento.

O pedido internacional foi publicado em outubro de 2022 e registra o CHOC como titular original.

Ao chamar Dylan de coinventor, a documentação reconhece que sua contribuição não se limitou a vestir uma órtese já criada.

As observações do menino ajudaram a modificar elementos de conforto, ajuste e funcionamento durante o processo de desenvolvimento.

Segundo sua mãe, McKenzie Law, o filho se envolveu desde os primeiros testes e continuou colaborando enquanto o dispositivo avançava.

Órtese recebeu adaptações para adultos

A experiência de Dylan também influenciou adaptações feitas para outros usuários.

A estrutura recebeu ajustes nas tiras, no acolchoamento e no mecanismo usado para controlar a resistência.

Além da versão pediátrica, foram desenvolvidas opções destinadas a adultos.

Jennifer Kennedy, uma adulta com tremores nos braços, afirmou que a órtese aumentou seu controle e sua confiança em tarefas que antes causavam insegurança, como escrever ou segurar uma panela na cozinha.

Escrita legível e mais controle ao segurar objetos

Para Dylan, os resultados mais visíveis apareceram em situações comuns.

A escrita passou a ser reconhecida com maior facilidade, o copo pôde ser levado à boca com menos derramamento e tarefas feitas pelos colegas se tornaram mais acessíveis.

A mãe relatou que os tremores já haviam provocado acidentes, incluindo uma queda de bicicleta, o que fazia a família se preocupar com a segurança do menino.

A órtese não retirou todos os obstáculos nem substituiu o acompanhamento médico e terapêutico.

Ela ofereceu uma nova ferramenta para movimentos que antes exigiam mais esforço ou apresentavam riscos.

O caso também mudou a relação de Dylan com a própria invenção.

A criança que recebeu os primeiros testes presos com fita adesiva tornou-se consultora, participou das alterações do projeto e teve o nome incluído ao lado dos adultos responsáveis pela patente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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