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Sem dinheiro para um esportivo, um agricultor recortou sucata metálica e transformou um Volkswagen velho numa réplica funcional de Lamborghini que a polícia não deixou emplacar, e que ele hoje usa para carregar adubo na roça
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/07/2026 às 11:15
Curiosidades
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Na província chinesa de Jiangsu, um agricultor e mecânico gastou o equivalente a uma fração do preço de um superesportivo para transformar um Volkswagen usado numa réplica do Lamborghini Reventón. Ficou impedido de rodar nas ruas por falta de licença, então deu ao carro dos sonhos a função mais prosaica possível.
Wang Jian, um agricultor e mecânico de 28 anos que vive na província de Jiangsu, no leste da China, sempre quis ter um carro único, feito com as próprias mãos. Sem dinheiro para comprar um superesportivo de verdade, ele começou pelo que tinha ao alcance: em maio de 2011 comprou um Volkswagen usado, cortou e soldou o chassi de novo e passou a trabalhar numa réplica em tamanho real do Lamborghini Reventón, um dos carros mais caros e raros do mundo, avaliado em torno de 840 mil libras, segundo o Dailymail.
O resultado é ao mesmo tempo impressionante e cômico. A carroçaria ficou parecida com a do modelo italiano em quase todos os aspectos, mas o carro tem acabamento tosco, aparência enferrujada e uma velocidade máxima que muita bicicleta ultrapassa. Como a polícia não liberou a placa para o veículo caseiro, Wang acabou dando a ele o uso mais inusitado possível: transportar fertilizante na roça.
Do modelo em miniatura ao carro em tamanho real
A paixão de Wang por automóveis vem da infância, e não era passatempo casual. Ele se formou como mecânico aos 16 anos e trabalhou uma década em oficina antes de abrir o próprio negócio, acumulando o conhecimento prático que depois aplicaria no projeto mais ambicioso da vida.
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Antes de encarar o carro em escala real, ele construiu primeiro uma pequena maquete do Lamborghini Reventón, para entender as proporções e o desenho da peça que pretendia reproduzir. Só depois partiu para a versão de verdade. A base escolhida foi um Volkswagen usado, comprado justamente para virar matéria bruta do projeto, e o primeiro grande serviço foi ressoldar o chassi e deslocar o motor da frente para a traseira, imitando a arquitetura de um esportivo de motor central.
Por que justamente o Reventón
A escolha do modelo não foi aleatória, e Wang explica o raciocínio de forma direta. Ao pesquisar na internet, encontrou o Reventón e se encantou não só pelo visual agressivo, mas principalmente pela raridade, já que existiriam apenas 21 unidades do carro no mundo inteiro. Era o tipo de exclusividade que combinava com o desejo dele de ter algo que ninguém mais tivesse.
Esse detalhe da raridade tem fundo real. O Lamborghini Reventón foi produzido pela montadora italiana em número pequeníssimo de unidades, embora circulem rumores de que a fabricação teria chegado a até 100 carros. Os nomes da maioria dos compradores ricos que levaram um Reventón para casa permanecem em segredo até hoje, o que só reforça a aura de mistério em torno do modelo que Wang decidiu recriar na própria oficina.
Seis mil libras contra oitocentas e quarenta mil
O abismo entre o original e a réplica está no preço, e é aí que a história ganha força. Wang construiu o carro por cerca de 6 mil libras, valor 834 mil libras menor do que o preço de venda da versão turbo autêntica. Em vez de uma fortuna, o projeto custou o equivalente a um carro popular usado, montado peça por peça com material de recuperação.
O que o dinheiro não comprou fica evidente ao olhar de perto. O interior não tem nada a ver com o do Reventón verdadeiro, e o desempenho está a anos luz do modelo italiano. A carroçaria, porém, é descrita como uma réplica fiel do original em praticamente todos os outros aspectos, o que é um feito e tanto para quem trabalhou sem linha de montagem, sem molde industrial e com orçamento de fundo de quintal.
A aparência enferrujada foi uma escolha
Um detalhe que costuma passar por acabamento inacabado é, na verdade, decisão de Wang. A cor original do Reventón é um cinza semitransparente sofisticado, mas ele optou por manter no próprio carro a aparência de ferrugem natural, dando à réplica um visual bem distante do brilho de um superesportivo de vitrine.
Essa opção estética resume o espírito do projeto, que nunca foi enganar ninguém e sim realizar um desejo pessoal. Wang queria construir um carro único feito por ele mesmo, e não uma cópia perfeita para se passar por milionário. O acabamento cru e a ferrugem assumida deixam claro que se trata de uma criação artesanal, com a assinatura de quem a fez estampada na própria imperfeição.
O carro dos sonhos que virou transporte de adubo
Concluído o trabalho, veio a frustração que redefiniu o uso do veículo. Wang não conseguiu obter licença para circular com a máquina nas ruas, o que na prática impede que ele dirija a réplica como dirigiria um carro comum. Sem poder rodar por aí exibindo a criação, ele encontrou uma finalidade prática para o esportivo caseiro.
O destino do falso Lamborghini é o mais terra a terra que se possa imaginar. Em vez de acelerar em avenidas, o Reventón de sucata carrega fertilizante pela roça, cumprindo tarefa de veículo de trabalho rural. A velocidade máxima modesta, incapaz de se aproximar dos 356 km/h do modelo original, deixa de ser problema quando a função passa a ser levar adubo de um ponto a outro da propriedade.
O Reventón de verdade, o touro e a corrida contra um caça
Vale entender o que Wang tentou reproduzir, porque o Reventón autêntico é um capítulo à parte na história da Lamborghini. Lançado em 2007, o modelo foi batizado em homenagem a um touro, seguindo a tradição da marca, no caso o animal que matou o toureiro mexicano Félix Guzmán em 1943. A velocidade máxima da versão real chega a 356 km/h, número que a réplica de Wang jamais alcançaria.
O design do carro se inspirou em linhas aerodinâmicas de aviões, e a montadora fez questão de dramatizar essa influência de um jeito espetacular. Para ilustrar a semelhança, a Lamborghini organizou uma corrida entre um Reventón e um caça Panavia Tornado numa pista de dois quilômetros.
O superesportivo liderou quase toda a disputa, mas foi ultrapassado pelo avião de caça nos metros finais, num duelo que virou peça de marketing e ajudou a construir a lenda do modelo que, anos depois, um agricultor chinês tentaria recriar com sucata.
Um Lamborghini de fundo de quintal
A história de Wang Jian mistura talento, teimosia e um humor involuntário difícil de igualar. Ele pegou um Volkswagen velho, cortou e soldou metal de recuperação, deslocou o motor e ergueu sozinho uma réplica de um dos carros mais exclusivos do planeta, gastando menos de 1% do preço do original, para no fim usar tudo isso como carroça motorizada de adubo.
E aí fica a pergunta que rende conversa de verdade. Você acha que o esforço do Wang é genial, um sujeito que realizou o sonho do jeito que dava, ou é esforço jogado fora, já que o carro nem pode rodar na rua? Comenta aqui embaixo o que você faria com uma réplica dessas parada na garagem, e conta qual carro dos sonhos você tentaria construir se tivesse a habilidade dele.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

