7 min de leitura
Sem encontrar terreno livre no centro de Londres, arquitetos apoiaram uma casa de dois andares sobre armazém do século XIX, esconderam parte da construção atrás dos telhados de Covent Garden e transformaram uma cobertura comercial em nova área urbana premiada pelo RIBA
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/07/2026 às 21:45
Construção, Indústria
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Concluída sobre um armazém histórico no centro de Londres, a Smart’s Place aproveitou uma cobertura comercial para criar uma casa de dois andares em Covent Garden, preservar o prédio existente e mostrar como telhados podem virar novos espaços urbanos em cidades com poucos terrenos livres.
Uma casa de dois andares foi construída sobre um armazém do século XIX no centro de Londres, onde encontrar um terreno vazio representa um desafio. Chamada Smart’s Place, a residência ocupa a cobertura de um prédio comercial em Covent Garden e fica parcialmente escondida atrás dos telhados históricos da região.
O projeto foi concluído em 2023 e recebeu um prêmio nacional do RIBA em 2026. David Kohn Architects, escritório de arquitetura responsável pelo projeto, tratou o telhado como um novo terreno elevado, em vez de apenas prolongar as paredes do armazém.
A solução criou uma nova área residencial sem derrubar a construção existente. O caso mostra como coberturas pouco aproveitadas podem ganhar outra função, principalmente em regiões centrais onde os terrenos livres são raros e os edifícios antigos fazem parte da identidade da cidade.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Telhado comercial virou terreno para uma casa no centro de Londres
A Smart’s Place fica acima de um antigo armazém de Covent Garden. A cobertura plana do edifício passou a funcionar como o solo da nova residência, permitindo que os arquitetos organizassem cômodos, terraços e caminhos como se trabalhassem em um terreno comum.
A casa de dois andares não segue exatamente o formato do prédio que existe abaixo. Seus volumes avançam e recuam, formando diferentes níveis e acompanhando a variedade de telhados do centro de Londres. Essa disposição ajudou a criar uma residência com aparência própria, em vez de uma simples ampliação comercial.
O resultado lembra uma casa construída sobre uma pequena colina. A diferença é que essa colina está no alto de um prédio histórico, cercada por fachadas antigas, edifícios comerciais e ruas movimentadas.
Esse uso da cobertura também permitiu combinar duas funções no mesmo endereço. O armazém continuou ligado ao uso comercial, enquanto o topo recebeu uma nova moradia no centro urbano.
Construção fica quase invisível para quem passa pela rua
Apesar de ocupar dois pavimentos, boa parte da Smart’s Place não aparece para quem caminha no nível da rua. Os volumes foram recuados e distribuídos atrás das fachadas e dos telhados que cercam o imóvel.
Essa escolha reduz o impacto visual da casa sobre o armazém do século XIX. Em vez de formar uma torre ou um bloco alto sobre o prédio antigo, a residência acompanha as diferentes alturas encontradas na paisagem de Covent Garden.
Os recuos também abriram espaço para terraços com vegetação. As áreas externas cercam os cômodos e ajudam a criar a sensação de uma casa independente, mesmo que toda a construção esteja apoiada sobre outro edifício.
Vista de prédios mais altos, a residência aparece claramente entre os telhados. Para quem passa nas ruas próximas, porém, sua presença é discreta e pode até passar despercebida.
Dois pavimentos separam convivência, quartos e áreas de serviço
A casa foi organizada em dois pavimentos, com cômodos de diferentes formatos. As salas de convivência ocupam áreas voltadas para as vistas de Londres, enquanto cozinha, circulação e outros espaços de apoio ficam próximos à parede compartilhada com o imóvel vizinho.
O elevador do prédio chega diretamente ao andar inferior da residência. A partir desse ponto, as salas se espalham em diferentes direções, formando ambientes curvos, quadrados e angulares.
As salas podem funcionar separadamente em momentos mais reservados ou ser usadas em conjunto durante encontros. Uma escada curva faz a ligação entre os pavimentos e conduz às áreas mais privadas da casa.
O andar superior abriga quartos e se conecta aos terraços. As janelas projetadas para fora ampliam a visão da cidade e criam uma relação diferente entre cada cômodo e os telhados de Londres.
Apoiar uma casa sobre prédio antigo exige análise estrutural
Construir novos pavimentos sobre um edifício existente exige mais cuidado do que iniciar uma casa em um terreno vazio. Antes da obra, é necessário estudar o estado das fundações, das paredes, dos pilares e das demais partes que sustentam o prédio.
Os engenheiros também precisam calcular o peso adicional. Essa análise mostra como a carga da nova construção será distribuída até chegar ao solo, sem colocar o armazém ou seus ocupantes em risco.
David Kohn Architects, escritório de arquitetura responsável pelo projeto, informa que a Smart’s Place foi criada como uma extensão sobre a cobertura. A documentação pública identifica a participação de profissionais de engenharia, mas não detalha qual reforço estrutural específico foi empregado.
Por esse motivo, não é possível afirmar se fundações, pilares ou paredes receberam um tipo determinado de reforço. O dado seguro é que a nova casa foi planejada para funcionar sobre o edifício existente, respeitando os limites encontrados no local.
O trabalho também exige controle de vibrações e planejamento para transportar materiais. Em ruas estreitas e cercadas por edifícios, peças grandes, máquinas e trabalhadores não conseguem circular da mesma maneira que em um terreno aberto.
Tijolos verticais ligam a arquitetura nova ao prédio antigo
A fachada da casa de dois andares utiliza tijolos, um material comum nos prédios antigos de Londres. A diferença está na posição das peças, instaladas na vertical para acompanhar as curvas e os formatos variados dos cômodos.
Essa escolha criou uma camada contínua ao redor da casa. Os tijolos conseguem contornar janelas projetadas, paredes curvas e encontros estreitos sem interromper a aparência do conjunto.
A cor e a posição das peças também separam visualmente as duas épocas. O material aproxima a nova residência do armazém, mas sua aplicação deixa claro que a parte superior foi construída muito depois do prédio original.
A casa não tenta imitar uma construção do século XIX. Ela usa um material conhecido na região, mas apresenta formas e ambientes ligados à arquitetura contemporânea.
Essa combinação permite preservar a leitura do prédio antigo. Quem observa o conjunto consegue identificar a construção histórica abaixo e a residência moderna acima.
Projeto mostra como cidades podem crescer sobre áreas já construídas
A Smart’s Place apresenta uma forma de adensamento urbano. Esse termo descreve o aumento do número de moradias, pessoas ou atividades dentro de uma região que já possui ruas, prédios e serviços.
Nesse caso, a cidade ganhou uma residência sem ocupar outro lote e sem demolir o armazém. O projeto aproveitou uma área que já existia, mas que não era usada como espaço para morar.
A ideia se aproxima do retrofit, processo que atualiza ou adapta uma construção antiga para novos usos. Também lembra o aproveitamento de coberturas e o direito de laje existente no Brasil, embora cada caso dependa de regras próprias.
O direito de laje permite que uma unidade seja criada na parte superior ou inferior de uma construção. Isso não significa que qualquer telhado possa receber uma casa. A segurança estrutural, o registro do imóvel e as regras urbanas precisam ser respeitados.
O caso londrino mostra uma possibilidade para cidades onde o solo é caro e escasso. Porém, transformar telhados em moradias exige estudo individual, pois muitos edifícios não foram preparados para receber novos pavimentos.
Prêmio nacional do RIBA reconheceu a casa em 2026
A Smart’s Place recebeu o prêmio de Londres do RIBA e depois entrou na seleção dos vencedores nacionais de 2026. RIBA, instituto profissional de arquitetura do Reino Unido, reconheceu a residência pela maneira como ocupa a cobertura de um armazém histórico.
O projeto fez parte de um grupo de obras escolhidas entre vencedores regionais. O reconhecimento destacou a criação de uma casa contemporânea sobre uma estrutura existente sem apagar o edifício que permanece abaixo.
A premiação também considerou a organização dos volumes, dos terraços e dos ambientes internos. A casa transforma uma limitação urbana em parte central do projeto, usando o telhado comercial como terreno residencial.
RIBA, instituto profissional de arquitetura do Reino Unido, apresenta a Smart’s Place como uma intervenção que reaproveita a cobertura de um antigo armazém e insere uma nova forma de morar na cidade histórica.
A casa de dois andares construída sobre o armazém do século XIX mostra que o crescimento de uma cidade não precisa ocorrer apenas com a ocupação de terrenos vazios. Coberturas, prédios comerciais e estruturas antigas também podem receber novas funções quando existe segurança para isso.
O projeto preservou o edifício de Covent Garden, criou uma residência concluída sobre sua cobertura e recebeu reconhecimento nacional em 2026. Mais do que esconder uma casa atrás dos telhados, a obra transformou uma área esquecida em parte habitável do centro de Londres.
Em cidades brasileiras com pouco espaço livre, aproveitar telhados seria uma solução inteligente ou traria mais riscos e problemas para os prédios antigos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.
Fonte
David Kohn
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

