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Sem experiência naval, homem derruba árvores de uma fazenda mantida pela família há cinco gerações, aprende a construir enquanto trabalha e passa sete anos transformando a madeira em um veleiro de cerca de 11,6 metros preparado para viagens oceânicas
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/07/2026 às 21:22
Marítimo
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O projeto mostra como Steve Denette usou madeira da fazenda da família para construir, durante sete anos, um veleiro de madeira de cerca de 11,6 metros, enquanto aprendia técnicas navais, montava o casco, o convés, o mastro e os sistemas necessários para levar a embarcação à água e iniciar os testes antes de viagens oceânicas.
Uma árvore foi derrubada dentro de uma fazenda familiar em Massachusetts, nos Estados Unidos. Sete anos depois, parte daquela mesma madeira formava o casco do Arabella, um veleiro de cerca de 11,6 metros construído por Steve Denette, que nunca havia feito uma embarcação antes.
O projeto começou em 2016, na propriedade mantida pela família havia cinco gerações. Acorn to Arabella, canal oficial que documentou a construção do veleiro, registrou desde o corte das árvores até a preparação da embarcação para o lançamento.
O trabalho exigiu muito mais do que cortar troncos e unir tábuas. Steve precisou aprender como desenhar, alinhar, vedar e equilibrar uma estrutura que enfrentaria água, vento, ondas e mudanças constantes de posição.
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Um sonho antigo começou com árvores derrubadas na própria fazenda
Steve Denette cresceu em uma pequena fazenda na região oeste de Massachusetts. A propriedade havia passado por diferentes gerações da família, e algumas das árvores utilizadas no projeto tinham sido plantadas por seus antepassados.
Em vez de comprar toda a madeira já cortada, ele iniciou o trabalho ainda na floresta. Os troncos precisaram ser derrubados, transportados, serrados e separados antes de se transformarem em partes do veleiro.
Essa escolha tornou a construção mais demorada, mas criou uma ligação direta entre o barco e a história da propriedade. Quase toda a madeira usada no Arabella saiu da fazenda familiar, o que permitiu acompanhar a transformação desde a árvore em pé até as peças instaladas na embarcação.
O nome do projeto, Acorn to Arabella, representa justamente esse caminho. A palavra acorn significa bolota, fruto produzido pelos carvalhos, enquanto Arabella é o nome escolhido para o barco.
Sem experiência naval, Steve aprendeu enquanto construía
Steve tinha familiaridade com ferramentas e trabalhos manuais, mas nunca havia construído um barco. A obra exigiu conhecimentos diferentes daqueles usados em móveis, galpões ou casas.
Uma construção no solo permanece apoiada em uma base fixa. Um veleiro se movimenta, inclina, recebe pressão da água e precisa suportar a força provocada pelo vento nas velas.
Cada peça precisava respeitar medidas precisas. Uma diferença pequena em uma parte do casco poderia dificultar o encaixe das tábuas seguintes e afetar o formato final da embarcação.
O projeto utilizou como base um desenho criado por William Atkin em 1934. Steve escolheu esse modelo por considerar que sua estrutura poderia ser construída por uma pessoa sem experiência anterior e servir para viagens longas pelo mar.
As cavernas formaram o esqueleto do veleiro de madeira
Uma das primeiras etapas estruturais foi a fabricação das cavernas. Apesar do nome, elas não são espaços vazios. As cavernas são peças curvas que funcionam como as costelas de um barco.
Essas estruturas definem o formato do casco e ajudam a distribuir os esforços recebidos durante a navegação. Elas precisavam ter curvas semelhantes e permanecer alinhadas para que os dois lados do barco fossem equilibrados.
Depois da montagem das cavernas, as tábuas começaram a fechar a parte externa. A madeira precisava acompanhar as curvas sem criar aberturas maiores do que o necessário.
O casco recebeu diferentes tipos de madeira, incluindo carvalho branco e cedro branco. Já o convés utilizou pinheiro branco, enquanto o mastro principal foi feito com madeira de abeto negro.
Vedação e alinhamento eram essenciais para impedir a entrada de água
As tábuas do casco não poderiam ser apenas encostadas umas nas outras. Os espaços entre elas precisavam ser vedados por meio da calafetagem.
Assista o vídeo
A calafetagem é um processo que fecha pequenas frestas e reduz a entrada de água. Em uma casa, uma abertura pode provocar infiltração. Em um barco, a mesma falha pode permitir que a água entre continuamente.
O alinhamento também interferia na forma como a embarcação flutuaria. Um lado mais pesado ou uma curva diferente poderiam alterar o equilíbrio e a resposta do barco durante uma manobra.
Vedação, distribuição de peso e posição das peças faziam parte da segurança do Arabella. Por isso, diferentes áreas precisaram ser verificadas e ajustadas durante os sete anos de construção.
Profissionais experientes participaram das etapas mais complexas
O Arabella não foi concluído por uma pessoa trabalhando completamente sozinha. Com o avanço do projeto, colaboradores e profissionais com experiência em construção naval passaram a participar de algumas etapas.
Acorn to Arabella, canal oficial que registrou as etapas do projeto, apresentou integrantes com experiência em carpintaria naval, restauração de barcos, instalação de cabos e navegação.
Essa participação foi importante porque determinadas tarefas exigiam conhecimento específico. O encaixe das estruturas, o acabamento, a colocação dos sistemas internos e a preparação para navegar envolviam riscos que não poderiam depender apenas de tentativas.
Steve continuou como responsável central pelo projeto, mas recebeu ajuda para corrigir problemas, esclarecer dúvidas e executar serviços que exigiam maior domínio técnico.
Convés, mastro e sistemas internos completaram a embarcação
Fechar o casco representou apenas uma parte da obra. O convés precisava proteger o interior e criar uma superfície resistente para a circulação das pessoas.
O mastro também exigia uma base firme. Ele receberia a força das velas e transferiria parte desse esforço para a estrutura do barco.
Na parte interna, foram instalados espaços para descanso, cozinha, banheiro e armazenamento. O projeto foi planejado para acomodar até cinco pessoas, além de permitir que o barco pudesse ser conduzido por apenas um navegador quando necessário.
O Arabella também recebeu um motor a diesel de 40 cavalos, usado para movimentar a embarcação quando as condições não permitem depender apenas das velas.
Sete anos separaram o primeiro corte do lançamento do Arabella
A construção começou em 2016 e atravessou diferentes fases. Os vídeos acompanharam o corte das árvores, o preparo da madeira, a montagem das cavernas, o fechamento do casco, a instalação do convés e a organização do interior.
O lançamento foi marcado para 17 de junho de 2023, no parque Shipyard Park, em Mattapoisett, no estado de Massachusetts. A entrada na água encerrou a principal fase de construção em terra.
O momento também iniciou um novo período de verificações. Apenas na água seria possível observar com clareza como o veleiro se comportava, como o peso estava distribuído e se alguma região apresentava entrada de água.
Construir o barco e aprender a navegá lo eram desafios diferentes. Steve ainda precisava adquirir experiência com as velas, os comandos, o vento e as mudanças provocadas pelo mar.
Os primeiros testes mostraram o resultado da construção
Depois do lançamento, o Arabella passou a enfrentar as condições para as quais havia sido criado. O casco deixou de permanecer apoiado no terreno e começou a receber pressão direta da água.
Os primeiros testes permitiram observar estabilidade, movimentação, resposta aos comandos e funcionamento dos sistemas internos. Possíveis ajustes poderiam ser identificados apenas com o barco flutuando e navegando.
O projeto não deve ser interpretado como uma viagem oceânica já concluída. O Arabella foi construído e preparado com o objetivo de realizar viagens longas pelo mar, mas a entrada na água marcou o começo do aprendizado prático e dos testes de navegação.
A trajetória transformou árvores de uma fazenda familiar em uma embarcação completa. Durante sete anos, Steve aprendeu técnicas navais, recebeu apoio especializado e avançou de uma etapa para outra até ver o veleiro flutuar.
O Arabella também mostra que um projeto artesanal de grande porte não depende apenas de vontade. Planejamento, precisão, correções e conhecimento profissional foram necessários para transformar madeira bruta em um barco preparado para enfrentar o mar.
Você teria coragem de passar sete anos construindo algo que nunca havia feito antes, sabendo que o verdadeiro teste só começaria quando a embarcação chegasse à água? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história.
Fonte
Acorn to Arabella
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

