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Sem experiência no campo, cirurgião vascular, esposa e filho ex-paramédico assumiram um pomar histórico de 33 acres fechado havia quase dois anos, enfrentaram árvores tomadas por pragas, salvaram parte das macieiras e reabriram a loja rural para impedir que a fazenda desaparecesse
Escrito por Ana Alice
Publicado em 29/07/2026 às 14:21
Atualizado em 29/07/2026 às 14:22
Curiosidades
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Em Connecticut, a retomada do Hickory Hill Orchards reúne preservação agrícola, reconstrução de pomar, loja rural reformada e uma família sem experiência anterior tentando manter viva uma propriedade histórica de 33 acres.
Um cirurgião vascular, a esposa e o filho dela, ex-paramédico, assumiram em Connecticut, nos Estados Unidos, um pomar de 33 acres que havia ficado fechado por cerca de dois anos e tentaram devolver vida a uma propriedade agrícola conhecida havia décadas na cidade de Cheshire.
O Hickory Hill Orchards, na South Meriden Road, estava com árvores tomadas por cipós, pragas e mato alto, além de uma loja rural deteriorada, quando passou para as mãos de David Esposito e Suzanne Jagoe em 2025.
O caso chama atenção porque a família não vinha do campo.
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Esposito atua como cirurgião vascular em Milford, Suzanne Jagoe é descrita como professora aposentada, e Timothy Fitzgerald, filho de Suzanne, havia trabalhado como paramédico.
Ainda assim, o grupo decidiu assumir a rotina de uma fazenda de maçãs, reformar o espaço e reabrir o pomar ao público no início da temporada de colheita de setembro de 2025.
A propriedade havia sido anunciada em 2023 por cerca de US$ 3,5 milhões, segundo reportagens locais, e a venda foi anunciada depois por US$ 3,2 milhões.
O negócio foi tratado pela corretora Pearce Real Estate como uma forma de manter em atividade uma tradição agrícola local.
O pomar soma 33 acres, quase 13,4 hectares, e inclui uma loja rural de aproximadamente 3.170 pés quadrados, uma casa de fazenda de 4.143 pés quadrados e um celeiro para quatro cavalos.
A relevância do Hickory Hill vai além da venda.
O local era conhecido na região por suas maçãs do tipo “pick-your-own”, modelo em que os visitantes colhem os próprios frutos, além de peras, abóboras, produtos da estação e uma paisagem com lago em formato de coração.
Em Cheshire, cidade marcada por propriedades agrícolas e também por pressão imobiliária, a retomada passou a ser vista por moradores como tentativa de preservar um espaço rural que poderia ter outro destino.
Hickory Hill Orchards em Connecticut
O próprio site do Hickory Hill afirma que a propriedade havia ficado fechada por três anos antes da compra em março de 2025.
Quando a família assumiu, a situação exigia trabalho imediato.
As árvores estavam cobertas por cipós e pragas, e parte do pomar precisava de avaliação técnica.
Segundo reportagem do CT Insider, um especialista ligado à Universidade de Connecticut chegou a indicar que muitas árvores provavelmente não poderiam ser salvas sem esforço considerável.
Fitzgerald ficou responsável pelas operações diárias do campo.
Sem formação agrícola formal, ele relatou ter aprendido por pesquisa, contato com outros produtores e participação em conferências.
A meta inicial, segundo ele, não era recuperar tudo de uma só vez, mas interromper a deterioração.
“Meu objetivo neste ano nem era necessariamente colocar tudo de volta em 100% de funcionamento”, afirmou Fitzgerald em entrevista ao CT Insider. “Era realmente apenas: eu preciso parar o declínio.”
A frase ajuda a explicar o ritmo da recuperação.
Em vez de prometer uma volta imediata ao formato antigo, a família começou por salvar partes produtivas do pomar, limpar áreas tomadas pela vegetação, recuperar árvores viáveis e preparar a propriedade para receber visitantes novamente.
Da medicina ao pomar histórico
A mudança de rotina também chama atenção pelo contraste profissional.
David Esposito não vinha da fruticultura, e sim da medicina.
O primeiro plano, segundo reportagens locais, envolvia procurar uma propriedade que pudesse abrigar um espaço para eventos.
No processo, a família se aproximou da história do Hickory Hill e decidiu manter o uso agrícola.
Em entrevista anterior, Esposito disse que, se a família não comprasse a área, o terreno poderia ter sido transformado em moradias.
“Se não fôssemos nós comprando essa propriedade, haveria 30 casas ali”, afirmou ao CT Insider.
A declaração foi feita em um contexto de debate local sobre perda de fazendas e pressão por desenvolvimento residencial.
Por isso, a compra do pomar passou a ser acompanhada não apenas como negócio privado, mas também como preservação de uma paisagem agrícola ligada à memória de moradores de Cheshire.
A família dividiu as funções.
Fitzgerald assumiu a parte operacional do campo, enquanto Sage Esposito, sobrinha de David, foi indicada para administrar o mercado rural.
A proposta incluía vender frutas, produtos locais, itens de estilo rural e alimentos preparados pela família.
A loja rural também precisou ser reformada.
As reportagens mencionam troca de janelas, pintura interna, reparos no telhado e uma nova fachada.
O prédio, que antes mostrava sinais de desgaste, passou a ser parte central da reabertura.
Reabertura da loja rural e colheita de maçãs
A reabertura ao público foi marcada para 6 de setembro de 2025, depois de uma prévia com corte de fita no fim de agosto.
O plano inicial era discreto, mas a cerimônia reuniu mais moradores do que a família esperava, com carros ocupando a área gramada de estacionamento.
No primeiro mês, a abertura foi prevista apenas aos fins de semana, das 9h às 17h.
A família também indicou que poderia retomar atividades associadas ao outono norte-americano, como passeios de feno e abóboras, conforme a evolução da temporada.
Nem todas as áreas estavam plenamente recuperadas.
Parte da produção disponível incluía maçãs gala e sansa, variedades que Fitzgerald citou à imprensa.
Ele também mencionou planos futuros para ampliar a produção com uvas, cabaças, pêssegos e peras, mas condicionou esse avanço à recuperação do terreno.
Essa retomada parcial é importante para entender o caso.
A família não comprou uma fazenda pronta para funcionar no dia seguinte.
O que houve foi uma tentativa de reativar uma estrutura que exigia limpeza, poda, controle de pragas, reforma predial e reconstrução de confiança com o público.
Por que a recuperação do pomar chamou atenção
O interesse pela história está no encontro entre três elementos: uma propriedade rural quase parada, novos donos sem experiência agrícola e uma comunidade interessada em ver o pomar voltar a funcionar.
A narrativa se aproxima de outras histórias de resgate de espaços tradicionais, mas com um detalhe específico: quem assumiu o risco vinha de áreas profissionais distantes da agricultura.
Em propriedades de frutas, a interrupção de manejo pode gerar perdas rápidas.
Árvores precisam de poda, controle de doenças, manejo de solo e acompanhamento sazonal.
Quando esse cuidado falha por uma ou mais temporadas, a recuperação pode levar tempo e nem sempre atinge toda a área original.
No caso do Hickory Hill, Fitzgerald relatou que parte do trabalho consistiu em frear a queda antes de pensar em expansão.
Isso ajuda a explicar por que salvar “parte das macieiras” é uma informação central.
A recuperação de um pomar não depende apenas de abrir portões ou reformar uma loja; ela exige que as plantas voltem a produzir em condições comerciais.
A própria loja rural funciona como ponte entre campo e comunidade.
Em muitos pomares dos Estados Unidos, a venda direta ao visitante é parte do modelo econômico.
A pessoa compra frutas, produtos preparados, doces, bebidas e itens de temporada, enquanto a propriedade mantém uma relação mais próxima com o público local.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

