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Sem motor, combustível ou peças industriais, patinete artesanal feito de eucalipto e pneus usados carrega centenas de quilos pelas subidas e descidas de Goma, no Congo
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/07/2026 às 13:00
Atualizado em 27/07/2026 às 13:01
Curiosidades
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O chukudu de Goma transforma eucalipto, pneus usados, força humana e gravidade em transporte de carga para carvão, alimentos e materiais, enfrenta ruas inclinadas sem motor e ajuda trabalhadores a manter mercadorias em circulação, com relatos de cargas que chegam a aproximadamente 800 quilos.
Sem motor e sem combustível, o patinete artesanal feito de eucalipto e pneus usados avança pelas ruas inclinadas de Goma, no leste da República Democrática do Congo. Quando está carregado, o trabalhador empurra a estrutura nas subidas e controla o peso durante as descidas.
A informação foi publicada em 22 de setembro de 2015 por Design Indaba, plataforma internacional dedicada a design e criatividade. O veículo é chamado de chukudu e leva carvão, bananas, batatas, tijolos e outros materiais por longas distâncias.
O principal impacto aparece no trabalho diário. O patinete de carga do Congo não depende de motor nem de combustível, mas exige força física, equilíbrio e conhecimento das ruas para movimentar centenas de quilos.
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A anatomia do patinete de carga do Congo começa no eucalipto
O chukudu ocupa o espaço entre um carrinho de mão e um veículo de carga. Ele tem duas rodas alinhadas, guidão, uma longa base de madeira e uma área usada para apoiar mercadorias de diferentes tamanhos.
O corpo principal é construído com madeira de eucalipto encontrada na região. As rodas são esculpidas em uma madeira mais dura, conhecida localmente como mumba, para suportar o contato constante com o solo.
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Tiras retiradas de pneus usados são colocadas ao redor das rodas. A borracha cria uma superfície de contato com a rua e evita que a madeira rode diretamente sobre o chão.
O guidão orienta a roda dianteira, enquanto a base longa sustenta a carga. Essa estrutura simples permite empilhar produtos e ajuda o chukudu a manter mercadorias em circulação sem consumir combustível.
Subidas exigem força e descidas usam a gravidade
O funcionamento muda com a inclinação da rua. Na subida, o trabalhador precisa empurrar o chukudu carregado. Em terreno plano, o movimento também depende do esforço humano.
Na descida, a gravidade ajuda a deslocar o conjunto. O condutor sobe na parte traseira, segura o guidão e tenta manter a carga estável enquanto o veículo ganha movimento.
As subidas e descidas de Goma fazem parte da utilidade do chukudu. Muitos produtos chegam das áreas mais altas e seguem em direção à cidade, o que permite aproveitar a inclinação em parte do trajeto. O veículo precisa de força humana para subir e controle para descer.
Artesãos adaptam cada chukudu ao tipo de carga
A construção fica nas mãos de artesãos locais. Eles cortam e moldam a madeira com ferramentas simples, ajustando a estrutura ao trabalho que será realizado nas ruas e nas áreas de produção.
Design Indaba, plataforma internacional dedicada a design e criatividade, detalhou que alguns modelos recebem um furo na base e uma haste vertical para segurar lenha. Outros ganham grandes cestos para acomodar mercadorias variadas.
A vida útil relatada é de 2 ou 3 anos. Esse período mostra que o chukudu não é feito apenas para uma viagem ou uma carga isolada. Ele funciona como instrumento de trabalho repetido e pode receber adaptações para diferentes produtos.
Há relatos de que o patinete suporta até 800 quilos de carga
A capacidade muda entre modelos e registros. O ponto seguro é que o chukudu transporta centenas de quilos, enquanto unidades maiores aparecem em relatos com cargas de até aproximadamente 800 quilos.
Esse número não deve ser entendido como limite técnico certificado. O material consultado não apresenta teste técnico padronizado, laudo ou garantia de que qualquer unidade consiga transportar o mesmo peso com segurança.
A carga real depende do tamanho, da madeira, da montagem, das condições da rua e do controle do trabalhador. Por isso, os 800 quilos representam um relato de uso, não uma capacidade garantida para todos os chukudus.
Descidas exigem equilíbrio e controle da carga
Nas descidas, a gravidade ajuda a movimentar o chukudu, mas o trabalhador ainda precisa manter o equilíbrio e controlar a carga. O peso transportado, a inclinação e as irregularidades da rua tornam o percurso mais difícil.
O condutor precisa observar o caminho e impedir que os produtos se desloquem sobre a plataforma. Quanto maior a carga, maior é a atenção necessária para conduzir o veículo sem perder o domínio da direção.
O chukudu reduz a dificuldade de transportar mercadorias diretamente nos braços ou nas costas, mas não elimina o esforço físico nem os riscos envolvidos no deslocamento de cargas pesadas.
Motocicletas não cumprem a mesma função do chukudu
A motocicleta oferece velocidade, mas depende de combustível, manutenção e peças. O chukudu é produzido localmente, usa madeira e pneus reaproveitados e pode receber uma plataforma grande para cargas volumosas.
Essa diferença ajuda a explicar sua permanência. Ele não tenta cumprir a mesma função de uma motocicleta. Seu papel é movimentar produtos pesados ou grandes com uma estrutura simples, mesmo onde o acesso a veículos convencionais é limitado.
O chukudu de Goma reúne técnica artesanal, materiais disponíveis e conhecimento do terreno. A solução reduz a dependência de combustível, mas transfere ao trabalhador o esforço das subidas e a responsabilidade de controlar o peso nas descidas.
Sem motor, o patinete de madeira mantém carvão, alimentos e materiais em circulação por Goma. Sua eficiência nasce da combinação entre eucalipto, pneus usados, gravidade e força humana, com limites que não podem ser ignorados.
Uma solução como o chukudu representa inovação acessível ou mostra que a falta de infraestrutura colocou peso demais sobre o trabalhador? Comente e compartilhe.
Fonte
Design Indaba
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

