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Sidrônio Moreira, agricultor que encontrou petróleo ao perfurar 2 poços em busca de água no Ceará, ganha nova esperança após estudo indicar chance de localizar aquífero, mas enfrenta dívida de R$ 25 mil e não tem dinheiro para nova perfuração
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 31/07/2026 às 13:22
Curiosidades
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Mesmo após a descoberta de petróleo cru confirmada por órgãos técnicos, a maior esperança da família continua sendo encontrar água para irrigar a propriedade, manter os animais e recuperar a renda, mas o custo de uma nova perfuração tornou-se um obstáculo quase intransponível.
O que parecia ser o início de uma solução para a seca acabou se transformando em um dos episódios mais inusitados vividos por uma família do interior do Ceará. Conforme reportagem publicada pelo Diário do Nordeste, o agricultor Sidrônio Moreira, morador do Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte, perfurou dois poços artesianos em novembro de 2024 na tentativa de encontrar água para irrigação e abastecimento da propriedade. Em vez disso, do subsolo surgiu petróleo, uma descoberta rara que mudou completamente os rumos da família.
Embora a confirmação da existência de petróleo tenha chamado atenção em todo o país, a realidade enfrentada pelos moradores continua bastante diferente da expectativa que muitos imaginam. Sem água para produzir e sem qualquer retorno financeiro da descoberta, Sidrônio acumula dívidas, enfrenta dificuldades para manter a criação de animais e agora aposta em um novo estudo que poderá indicar um ponto adequado para uma terceira perfuração.
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Nova avaliação pode indicar onde existe água na propriedade
Após meses aguardando orientações dos órgãos ambientais, a família recebeu uma notícia considerada positiva. Segundo Sidrônio, a Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) deverá realizar, durante o mês de agosto, um estudo técnico na propriedade para identificar o local mais promissor para uma nova perfuração em busca de água subterrânea.
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Anteriormente, o agricultor aguardava orientações da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), já que novas escavações sem critérios técnicos poderiam provocar riscos ambientais, incluindo a contaminação de lençóis freáticos.
Agora, com a perspectiva desse levantamento hidrogeológico, surge uma nova esperança para que o sítio finalmente tenha acesso ao recurso que motivou toda a operação desde o início.
Entretanto, existe um problema ainda maior.
Mesmo que os técnicos apontem um local adequado para perfurar, a família afirma não possuir recursos financeiros para custear a obra.
Dívida de R$ 25 mil tornou impossível investir em outro poço
A descoberta do petróleo não trouxe qualquer benefício financeiro imediato para os moradores.
Pelo contrário.
Hoje, Sidrônio, a esposa Maria Luciene e os dois filhos que vivem na propriedade acumulam aproximadamente R$ 25 mil em empréstimos bancários, contraídos justamente durante a tentativa de encontrar água.
O agricultor financiou cerca de R$ 15 mil para realizar as perfurações, enquanto sua esposa contratou outro empréstimo de R$ 10 mil com a expectativa de ampliar o rebanho quando houvesse água disponível.
Agora, a primeira parcela dessas operações, estimada em aproximadamente R$ 1.800, vence em setembro.
Sem geração de renda suficiente, Sidrônio admite que ainda não sabe como conseguirá quitar o compromisso financeiro.
Segundo ele, a única receita fixa da família atualmente vem das aposentadorias do casal.
Enquanto isso, a produção agrícola praticamente permanece limitada pela falta de água.
De acordo com Sidnei Moreira, filho do agricultor, caso o sítio tivesse abastecimento regular, a propriedade poderia gerar uma receita superior a R$ 2 mil por mês, valor suficiente para ajudar na recuperação financeira da família.
Mesmo assim, uma nova perfuração está fora da realidade atual.
“Eu já tô endividado. As condições financeiras aqui tão difíceis, viu? Não tem como furar não. Eu vou abrir outra conta em cima de uma conta? Não tem condições”, desabafou Sidrônio.
Conta de água também passou a preocupar a família
Após a repercussão nacional da descoberta do petróleo, foi instalada uma adutora para abastecer a residência.
Ainda assim, a solução acabou gerando outro desafio.
Utilizando a água apenas para consumo básico da família, a primeira fatura recebida em julho chegou ao valor de R$ 241,44, surpreendendo os moradores.
Por causa desse custo, Sidrônio afirma que precisou reduzir ainda mais o consumo e procura alternativas para fornecer água aos poucos animais que permanecem na propriedade.
Hoje, restam apenas cinco novilhos, que podem inclusive ser vendidos caso a situação financeira continue se agravando.
Segundo o agricultor, manter os animais tornou-se cada vez mais difícil diante da ausência de água própria.
Petróleo encontrado ainda não representa ganho financeiro
Embora a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tenha concluído, em maio deste ano, que a substância encontrada é realmente petróleo cru, isso não significa que a família receberá qualquer remuneração imediata.
Após visitar a propriedade em março de 2026 — cerca de oito meses depois do primeiro contato realizado em julho de 2025 — a ANP iniciou estudos para avaliar a viabilidade de exploração da área.
No entanto, esse processo costuma ser longo.
Além das análises técnicas, uma eventual exploração depende da participação de diversos órgãos públicos, entre eles o Ministério de Minas e Energia (MME), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
Especialistas também alertam que a exploração pode nem sequer ocorrer, já que os custos de extração podem superar o valor econômico do petróleo existente na região.
Além disso, pela Constituição Federal e pela Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997), os recursos minerais localizados no subsolo pertencem à União.
Caso um dia exista exploração comercial, o proprietário da terra poderá receber apenas uma participação estimada entre 0,5% e 1% do valor da produção.
Mesmo com propostas de compra, agricultor quer permanecer na terra
Apesar das incertezas envolvendo o petróleo, Sidrônio afirma que já recebeu quatro propostas para vender a propriedade.
Nenhuma delas foi aceita.
O sítio pertence à família há gerações, e o agricultor diz que seu maior desejo continua sendo exatamente o mesmo que tinha antes da descoberta do petróleo: encontrar água suficiente para produzir, criar os animais e garantir uma fonte de renda digna para todos que vivem no local.
Enquanto aguarda o estudo da Sohidra e novas definições sobre a área, ele espera que a situação finalmente tenha um desfecho.
“Eles têm que resolver de alguma maneira. Eu vou ficar desse jeito com as mãos abanando? Esses dois poços vão ficar parados sem receber nada?”, questionou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

